Brechas súbitas em previsões a longo prazo


João Pedro Pimenta,

Só há umas semanas vi finalmente AI – Artificial Inteligence, de Spielberg. O filme data do Verão de 2001 e mostra como uma criança-robot pode adquirir emoções e capacidade de amar e sentir afeição pelos outros. É tocante e ao mesmo tempo perturbador, como é sempre que se toca nesta temática.

Mas o filme seria supostamente uma tentativa de antecipar o futuro. A certa altura, e para obter respostas, a criança artificial (Haley Joel Osment, o miúdo-actor daquele tempo) desloca-se pelo ar na companhia de Gigolo Joe (Jude Law no papel de um robot com função correspondente ao nome) até uma cidade abandonada e isolada por causa da subida dos oceanos, nos confins do mundo habitável, que não é outra senão Nova York. Um dos vestígios que restam por sobre as águas são as torres gémeas do World Trade Center. As mesmas que, ironia cruel, ruiriam em pó e chamas semanas depois do lançamento do filme, passaram hoje 19 anos.

Convenhamos que para um filme supostamente premonitório esse desaparecimento tão precoce do futuro imaginado retira alguma credibilidade, embora mais por má fortuna do que por incapacidade de previsão. Mas tornou reais outros medos que já tinham sido sublinhados noutros filmes-catástrofe. Veremos se essa antevisão da inteligência artificial também não resistirá ou se pelo contrário contém algo de premonitório.

 

4 comentários em “Brechas súbitas em previsões a longo prazo”

  1. Há versões, deste e de outros filmes, em que as torres foram apagadas. Quanto a mim, as memórias dolorosas têm o seu lugar e o seu papel, não se deviam apagar.

  2. Da IA irão resultar desenvolvimentos inovadores baseados numa quantidade de informação que a mente humana não conseguiria processar.

    Dependendo fortemente da especificidade de cada desenvolvimento, avanço duas possibilidades:
    a) Os resultados serão apenas do conhecimento e benefício de um grupo muito limitado de pessoas, no limite, de uma só;
    b) Nenhuma pessoa consegue aceder aos resultados.
    Em qualquer dos casos não poderá correr bem.

    Claro que os do “copo meio cheio” logo dirão que se vão obter resultados extraordinários e que serão postos ao serviço da humanidade. Não nego que assim poderá ser e até aceito que seja uma maioria dos casos, embora, assim de repente e que me lembre, a última grande descoberta posta ao serviço da humanidade foi a penicilina de Fleming há quase 80 anos.
    Mas, além destes últimos e desejáveis casos particulares, quantos dos primeiros não irão também ocorrer?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *