Bolsonaro e Trump


joaomsandre,

Leio em muitos lados a comparação entre Trump e Bolsonaro e fico incrédulo. Bolsonaro não é Trump. Trump é um populista, com tendências autoritárias e uma ténue compreensão de democracia. No entanto é o presidente de um país com créditos democratas bem fundados e que compreende que tem limites no seu poder (mesmo que não goste deles).

 

Bolsonaro é um fascista que apoia ditadores, louva torturadores, ameaça mulheres, gays e pessoas não brancas. Se for eleito (o que é improvável, embora as alternativas não sejam para sorrir) Bolsonaro ou será um presidente paralisado pela sua incapacidade de se mover em democracia (pelo que percebi, só conseguiu passar 2 leis em toda a sua carreira de mais de duas décadas no senado) ou optará pela força. Nenhuma das opções é agradável e são infinitamente piores que aquilo que acontece nos EUA.

 

Trump é mau, não tenho dúvida. Mas Bolsonaro seria um desastre.

52 comentários em “Bolsonaro e Trump”

  1. “louva torturadores, ameaça mulheres, gays e pessoas não brancas.” João, não vi ainda uma única declaração de Bolsonaro que se compagine com as afirmações citadas.

    Bolsonaro, se for eleito, e tudo aponta para essa possibilidade, não “reinará” de roda livre. A estrutura legal brasileira, bem como a configuração das forças políticas, não se adequam a essa visão de ditador.
    Uma coisa são as palavras de campanha, outra a realidade pós-eleitoral.

    Quem devia estar a disputar estas eleições era Lula, mas a estrutura legal brasileira permite que assim não aconteça.

    1. a dos torturadores surgiu quando votou a favor da destituição de Dilma. dos outros procure, eles estão lá, de forma mais directa ou indirecta.

      claro que o sistema político lhe limitará o alcance do ogrismo, mas já refiro isso no post.

      1. João, tenho acompanhado com interesse e assiduidade as entrevistas a Bolsonaro e outros personagens da vida política brasileira bem como suas declarações, e volto a afirmar que não existe nenhuma que se compagine com as citações feitas. Não existe uma só.
        Apresente uma.

        1. “O próximo passo será a adoção de crianças por casais homossexuais e a legalização da pedofilia”, disse ontem o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) ao comentar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu a união estável entre homossexuais.”

          1. Que ameaças vê na afirmação de Bolsonaro? Que autoridade vê na jurisprudência para determinar pensamentos e opiniões?

  2. Diz ter uma vantagem sobre o PTianaos…

    — Não usa “cuecão”! E que já não tinha trabalho em mandar prender
    o chefão dos corruptos”…

    É o que dizem, não sei se é verdade.

    Amendes

      1. Ilustre Professor

        Eu só fiz a 3ª classe antiga… sou um pobre leitor reformado…
        Peço-lhe o favor de me dizer se o Delito Opinião, está reservado unicamente aos bons “escritores” ,
        não podendo, assim, os semi-analfabetos colaborarem?
        …
        Uma vez o meu avô, por causa duma resposta como a sua disse-me:

        … – Filho, caga nesses doutores de lábia, quando não têm resposta para os argumentos, valem-se do “canudo”.. para te achincalharem….

        Não creio que seja o seu caso… O sr é um Doutor Professor com letra grande…

        Amendes

  3. Nem mais. E é isso mesmo, nem é só a diferença entre ambos e a dos seus percursos – Bolsonaro um profissional da política sempre adstrito à mais extremista da posições, Trump um diletante errático. É mesmo a diferença de sociedades e das instituições públicas nos dos países – são fenómenos diferentes.

    1. Não deveria ser necessário, mas parece que às vezes é necessário.

      Infelizmente os opositores de um e de outro nem percebem que ao misturar os dois estão a complicar o combate às suas posições.

      1. Vós, parece-me, estais na tanga (como diziam os antigos nas berlengas) ou então não estão a perceber patavina do que se passa no Brasil!!
        Andam a contar espingardas, e a escolher quem representa cada um dos lados no que pode ser uma guerra civil!!
        Posso estar a exagerar, espero eu, sinceramente, mas a coisa está com cisões que se tornam cada vez mais inconciliáveis.
        E não me parece que o Brasil esteja mais próximo de aprofundar a mundividencia liberal ou a social democrata doque de uma guerra civil ou, no mínimo, do desmembramento!!
        É pena, mas se a coisa se degradar ainda mais já nem será Bolsonaro ou Hadad ou qualquer partido político, serão os militares a segurar o que restar do Brasil!! Isto parece-me evidente e nem é necessário ir ao Brasil para perceber isto, basta ler os dados que aproximam o Brasil dos pseudo Estados ou Estados falhados, o que meio Brasil considera insuportável!!

  4. Bolsonaro é evangélico!! faz parte da estratégia dos evangélicos se apoderarem do Brasil…os Católicos, principalmente os de matriz portuguesa, foram perseguidos na estrutura de poder no Brasil ao mesmo tempo que a esquerda e a maçonaria acarinhava a expansão dos evangélicos…só o facto do Rio de Janeiro já ter caído para as mãos dos evangélicos…

      1. O laicismo no estado é um processo de transicao do Estado de Matriz Catolica para….no Brasil, é o processo de transição para os evangélicos…na Europa para o whaabism…

          1. basta vêr quem controla o sistema financeiro das principais praças na Europa…basta vêr quem “subsidia” a industria de armamento na Europa…o Profeta está muito contente com as instituições da União Europeia…O Profeta diz que a Europa vai no bom caminho e dá como exemplo Bruxellas…uma cidade europeia de forte expansão whaabi no qual se encontram as sedes da UE e da NATO… o Profeta está contente com a UE…Nunca na História do Islamismo, o Islão teve tanto poder na Europa…

  5. Não conheço o Sr. Bolsonaro, não acompanho a política do Brasil (salvo no que me obrigam), nunca fui ao Brasil nem tenho intenção de ir (nada contra, são gostos). Porque tenho o hábito de ouvir a rádio pública, constatei que a gente que, todos os dias, por volta das 08h40 (paga com o dinheiro dos meus impostos), diz que ele é a Besta do Apocalipse, é a mesma que, à mesma hora, defende a santidade do princípio da presunção da inocência relativamente a manifestos bandidos (face à pilha de provas divulgada) como os Srs. José Sócrates e Lula da Silva (este condenado em duas instâncias judiciais), enquanto declara que o Sr. Kavanagh é um violador (na ausência de qualquer prova senão as declarações imprecisas de uma pessoa que diz ter sido encostada a uma cama, em dia e local de que não se recorda, há 35 anos). Portanto, peço muita desculpa, mas, se me pedem para escolher entre fascistas, vou pelo fascista que não conheço.

      1. Obrigado, mas eloquente, eloquente, era o Almirante Pinheiro de Azevedo, que respondeu a esta ladainha “Bardamerda para o fascista!”

  6. Vai à frente nas sondagens e a culpa deve ser assacada aos corruptos que enganaram o povo.
    É adepto do Palmeiras, verde.

  7. “Bolsonaro é um fascista que apoia ditadores, louva torturadores, ameaça mulheres, gays e pessoas não brancas.”

    Trump não é nada disso. É muito diferente.

    ” Se for eleito (o que é improvável,…) “

    Trump era provável. É muito diferente.

    “Bolsonaro ou será um presidente paralisado pela sua incapacidade de se mover em democracia (pelo que percebi, só conseguiu passar 2 leis em toda a sua carreira de mais de duas décadas no senado) ou optará pela força.”

    Trump não é nada disso. É muito diferente.

    E não, não vai optar pela força porque antes disso é caridosamente enfiado num colete.

    Nós devemos ter pena dos brasileiros, coitados. Não têm como nós, instituições robustas e funcionais. Capazes de julgar pessoas manifestamente corruptas além da mais surreal das dúvidas. Onde não há pessoas que, empaladas sem anestesia, são ainda assim capazes de esganiçar serosamente pelos direitos, liberdades e garantias do empalador.

    Nós aqui não temos um tiririca, um presidente de um populismo que faz o peronismo parecer uma coisa séria. Não, isso é próprio daquelas democracias frágeis e imaturas.
    Coitados.
    Precisamos de defender os brasileiros de si mesmos.

    1. Eu não escrevi que precisávamos de defender os brasileiros do quer que fosse. Esclareci a diferença entre duas pessoas.

      Claro que quem quiser encontra paralelos. Olhe, são ambos homens, brancos, têm mais que 40 anos, não falam chinês, têm ambos ainda as mãos… se me esforçar lembro-me de mais alguns pontos em contacto.

      1. Muito bem.
        Mas fez batota ( 😉 ).
        Eu não aduzi a essas semelhanças no meu comentário porque também não aduziu a elas no seu texto.
        Saudações democráticas.

  8. Não seria tão optimista ao ponto de dizer que o sistema politico-legal brasileiro vai limitar o impacto de Bolsonaro. Não tenho o sistema politico-legal brasileiro em tão boa conta. Se o sistema americano não tem impedido (sim, salvadas as distâncias) muitos dos estragos do Trump (muitos dos quais nem sequer são visíveis hoje em dia e no futuro nem sequer serão imputados ao seu responsável).
    Concordo que Bolsonaro nao é Trump, como Duterte também não. Resolvido isto, a questão é saber se ambos têm origens comuns. Se ambos não são dois productos da mesma história emanando em sítios bem diferentes (como o caso italiano).
    Claro que a resposta fácil é dizer que Maduro também, mas não me parece. Maduro pertence plenamente à história dos populismos de esquerda da América Latina, uns mais competentes que outros.
    Para mim Trump e Bolsonaro representam a revolta contra o que se denominou “politicamente correcto”, esquecendo que nessa expressão consta o termo “correcto”. Deita-se fora o bebé com a agua do banho com graus de violência variáveis. Essa revolta alimenta-se de uma percepção de medo que não encontra justificação nos números nem nos factos (a pobreza e a violência no Brasil é assustadora, mas é pior que antes? os “deixados por conta” nos EUA são uma preocupação, mas menos que nunca antes, etc.)
    Os impactos de ambos, como de outros que não compartem essa “historia” (Maduro et al), serão infelizmente enormes, duradores e não farão mais que agravar os problemas.

    1. Não acho que, se eleito, as instituições brasileiras devam “limitar o impacto de Bolsonaro”. Se for eleito, é para que seja ele a ter esse impacto. O que entendo que seja preocupação é que Bolsonaro intente subverter a constituição e as instituições democráticas. Até agora, a constituição e as instituições brasileiras têm dado boa conta de si (os fieis de Lula acharão outra coisa, mas essa é a minha opinião). Portanto, tenho todas as razões para estar otimista.

      Mas a parte mais interessante (e que eu queria comentar) é aquela que no seu comentário se refere ao “politicamente correcto”. Infelizmente não vou poder fazê-lo agora, mas voltarei aqui logo que possa.

    2. Como afronta ao “politicamente correcto” a eleição de Bolsonaros é completamente inconsequente; nos EUA de Trump o “politicamente correcto” avança com expressão cada vez mais concentracionária e lança metástases por toda a sociedade e instituições americanas.
      Mas para avançarmos nesta tentativa de explicação dos vários casos de populismo politicamente bem sucedido e transcontinental, teríamos de ser capazes de chegar a consenso no que diz respeito à maneira de entendermos a expressão “politicamente correcto”. Em meu entender não há nada de errado no “correcto”. O problema está na expressão autoritária e anti-democrática das minorias políticas que aí se acoitam na prática das variadas formas de marxismo travestido de “correcção”.

    1. Se o povo brasileiro quer ser burro, está no seu direito. Só espero é que, depois de destruírem o país deles, os reaccionários brasileiros não venham viver para Portugal onde governa a Geringonça e há saúde, segurança e educação. Que fiquem no Brasil a colher o que semearam.

  9. Eu encontro muito mais semelhanças do que diferenças entre os dois personagens.
    Melhor, penso que, se Bolsonaro for eleito, as razões do seu eleitorado serão as mesmas do eleitorado de Trump.
    Trata-se, nos dois casos, de votos de protesto.
    Claramente.
    E nós o que fazemos?!
    Limitamo-nos a achincalhar os mensageiros.
    Como se nada tivéssemos que mudar.
    Assim, outros virão…
    João de Brito

    1. Estive a discordar no início até ler o resto. Os motivos específicos serão diferentes, mas terá razão no essencial: penso que o voto em Bolsonaro, como o voto em Trump, assenta numa base de protesto. E é verdade: queixamo-nos em vez de fazer algo. Vemos isso nos EUA. A solução da direita é abraçar Trump. A da esquerda é procurar o seu Trump. Lamentável.

      1. Protesto contra o quê? Contra os negros? Contra os imigrantes? Contra os homossexuais? A favor dos lobbies do petróleo e do carvão? A favor dos violadores?

  10. Tantos a divertirem-se a comentar “o sexo dos anjos”. O jornalixo e os jornaleiros já publicaram mais “lixo” para nós, Trump terá fugido aos impostos. Mas eu pergunto, que interesse tem para nós que Trump tenha ou não fugido aos impostos? Isto é um assunto interno dos EUA. Mas já há vários comentários, a maior parte de totos que são usados e ainda gostam! Eu pergunto se nos outros países eles também se divertem a discutir os nossos assuntos internos? Os jornaleiros deviam pagar direitos ao Trump, pois sem ele não sei o que eles publicavam!

  11. Exactamente, João, e por arrasto também não é Le Pen. O que se nota é que semelhante personagem com um tão grande apoio mostra como o estado de direito do Brasil é surpreendentemente frágil. Fico pasmado para essa mania dos brasileiros irem atrás de salvadores impolutos que vão limpar a nação quando já tiveram tantos exemplos falhados. Lula é só o último (sim, eu lembro-me de um certo messianismo à volta da pureza da sua figura). Ou Jânio Quadros, nos anos sessenta, que tinha como símbolo uma vassoura.

    1. Cá também temos tendência para ir atrás de homens impolutos. De governante que se dizem não políticos. Messianismo num lado Sebastianismo num outro

  12. Felizmente os deploráveis ainda votam !
    Está-se a acabar a mama, já só resta a força para tentar controlar o que não pode ser controlado.
    As pessoas comuns estão a acordar lentamente e estão a decidir não compactuar com WMD que todos dias que lhes querem impingir.
    As pessoas comuns estão fartas de gajos com ciática e afins.
    Só não vê quem não quer, na Europa em todas as Nações as pessoas exigem mudança : Inglaterra, Polónia, Hungria, Itália, Grécia, Portugal, Espanha, Portugal e em breve a França e a Alemanha.
    As “elites” nas suas torres de marfim foram longe de mais sempre servidas de modo pérfido por aqueles que juraram defender povos e Nações.
    Se o Brasil eleger Bolsonaro é mais uma prova de que este movimento de mudança é imparável e o que começou na Europa, chegou aos USA irá estender-se por outras latitudes.

    Nota Relevante : Ainda não vi (não me lembro) de ninguém criticar a eleição de um governo de extrema direita e ultranacionalista na Índia que dizem que é a maior democracia do mundo embora o sistema de castas lhe tire qualquer legitimidade ou do Fascismo / Nacionalismo e real politik económica do PC chinês que poucos ou nenhuns criticam porque também dele vivem.

    WW

  13. Mas com o Trump não vinha o fim do mundo? Não era fascista, misógino, racista? Sim. As acusações são as mesmas. Bola argumentos e name calling! Essa retórica já não cola com ninguém. Nem os comunistas comem crianças (atualmente) nem os fascistas andam aí.

    Agora é “Trump é mau mas este é pior” em 2016 era “Bush era mau mas Trump vai ser pior”.
    Não se cansam? Diz que aquilo pelos states vai em crescimento superior a qualquer ano de Obama e desemprego em níveis historicamente baixos (até Obama se tentou colar aos resultados, não tem vergonha). Não houve guerra nenhuma, até há paz onde não havia anteriormente. Acabou se com um acordo para pagar a terroristas que “atrasassem” um projecto nuclear (enquanto se financiava a mesmo).

    Fixe fixe é a Venezuela, lá é que é respeito pela democracia. E ouvi falar de um país chamado Cuba que também diz que é muito democrático. Mas fascistas são os outros!

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