Blogue da Semana


Maria Dulce Fernandes,

A educação tem dado voltas e voltas. Já nem me reporto aos meus tempos de jovem lente, mas tomo como comparação os anos 80 e 90, quando as minhas filhas começaram as suas aprendizagens escolares.

Presentemente com os meu netos já integrados nos meandros da escolaridade, procuro actualizar-me de modo a entender as voltas que o ensino vai dando. Há algumas semanas que tenho seguido com mais assiduidade o blogue Escola Portuguesa, principalmente para me manter a par do desenvolvimento da  polémica que gerou a excelsa e genial ideia de um ser sem dúvida iluminado, de as Provas de Aferição para os alunos do 2.° ano serem feitas por computador, quando cerca de dois terços dos alunos não têm computador, e os que têm, não sabem digitar, quanto mais trabalhar com ele numa Prova de Aferição ou numa outra de proporção idêntica. 

Esta semana escolhi o blogue Escola Portuguesa para blogue da semana porque tem sido bastante esclarecedor das tormentas e adversidades pelas quais o ensino nacional é constantemente posto à prova.

15 comentários em “Blogue da Semana”

  1. Há dias, li uns títulos sobre essas provas de aferição por computador no 2º ano e senti-me derrotado. Já nem é chocado: os choques esgotaram-se-me quando, há anos, soube por uma cliente que era obrigatório os alunos do 7º ano terem uma calculadora gráfica para matemática – senão receberiam uma falta de material!

    Eu sempre trabalhei como técnico de informática. Este é um assunto sobre o qual há muito gostaria de escrever, assim eu tivesse paciência e disciplina para tal: pela minha experiência, pelo que vi e pelo que converso com clientes, desde o início do milénio que tenho a convicção de que os computadores não deviam ser usados como ferramenta habitual na escolaridade obrigatória, devendo limitar-se o seu uso a tarefas muito específicas. Principalmente, e saliento isto, principalmente devia afastar-se os computadores das tarefas de escrita.

    1. O uso das calculadoras científicas em anos mais avançados já tem bem uns 15 anos e cada professor exigia a que mais lhe convinha. Nada baratas e bastante embrutecedoras, porque os alunos só sabiam fazer cálculos com as máquinas. Decididamente se algo aprenderam, foi como usar correctamente(?) uma calculadora científica.

      1. Nem mais ainda me lembro de, numa aula de matemática calcular o desvio padrão “à lá mano” e ainda ser alvo de piada da professora que achava que a máquina é que era boa e que apenas tinha perdido tempo com isso. Mas enfim essa mesma professora dizia que uma assintota “é uma linha que passa assim” apontando para o quadro e que teimou comigo que o mar da palha não existia, tendo até feito a piada “mas tem esse nome porquê? Porque passam lá muitos burros?” – apeteceu-me dizer que se eram muitos ou não não sabia mas que ela era certamente uma delas mas enfim, naquela altura ainda o aluno tinha de “baixar a bolinha” por mais patetices que ocorressem. Tive bons professores mas esta era horrível.

        1. Tal e qual quando há cerca de 20 anos recebemos vistas de alunos de escolas de Braga, ainda o mosteiro dos Jerónimos não tinham sido ” limpos ” a jacto de areia. Portanto a professora disse aos alunos que a pedra branca era calcário e as partes escuras eram basalto…
          Eu não tenho razão de queixa da muita exigência da minha professora da primária. Graças a ela tive uma excelente base de conhecimento e uma enorme preparação para o futuro.

  2. Aquele post do “Bom dia meninas” numa escola feminina privada até parece mentira.
    Coitada da professora que bem podia ter dito à exaltada ‘não estou a falar contigo’.

    1. Não se admirem se tal “progresso” chegar cá em breve, as bases estão lançadas com a nova lei de ideologia de género aprovada (como não? ) na semana passada no par-lamento. Foi uma especie de cereja antes do “bolo” lulista do 25 de abril progressista e decadente/ demente.

  3. Só duas coisas, a calculadora nas aulas só seria aceite a quem já soubesse a tabuada, e asneira grossa foi acabarem com as escolas básicas com poucos alunos que estavam distribuídas por todos os cantos do país. Em vez disso foram criados grandes agrupamentos escolares misturando criancinhas com barbudos, e que não passam de armazéns onde reina o vicio e a delinquência. O resultado esta à vista com vasta produção de analfabetos funcionais que não sabem ler e escrever nem contar.

  4. Dei uma vista de olhos ao blogue da semana.
    Aquilo nada tem a ver com a escola portuguesa, ao contrário do que diz o nome do blogue. Aquilo é simplesmente um blogue de propaganda à luta dos sindicatos de professores contra o Estado.
    Admira-me que a Dulce possa recomendar um tal blogue.

      1. Não é heresia nenhuma, simplesmente julgava que a Dulce não fosse professora nem se identificasse com essa luta sindical.
        A Dulce é professora?

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