Blogue da semana.


Luís Menezes Leitão,

Uma das características típicas dos governantes portugueses é aprovarem leis completamente absurdas e depois insistirem na sua aplicação, mesmo depois de ser evidente o erro que cometerem. O maior exemplo disto é o acordo ortográfico de língua portuguesa, que nem é um acordo, uma vez que a esmagadora dos países de língua portuguesa não o aplica, nem é ortográfico, uma vez que a grafia que impõe é tudo menos correcta. Melhor seria por isso passar a falar-se do desacordo cacográfico. Mas os seus defensores insistem na sua aplicação, parecendo aqueles pais que estão convencidos de que o seu filho é o único soldado com o passo certo no pelotão. Há, porém, um blogue que, com grande determinação, tem vindo a demonstrar os absurdos desse pretenso acordo ortográfico. O lugar da língua portuguesa é por isso o blogue da semana.

10 comentários em “Blogue da semana.”

  1. Pretendemos que as palavras se escrevam da mesma maneira ainda que tenham pronúncias diferentes nos diversos países? A solução que defendo é a chinesa: acabemos com o alfabeto e passemos a uma escrita ideográfica como a chinesa. Por exemplo, em Mandarim e em Cantonense as palavras para Universidade nem sequer são parecidas mas, na escrita, utilizam-se os mesmos caracteres.
    Pode pôr-se uma problema: é difícil inventar milhares de caracteres para escrever português. Sugiro que se usem os que já existem para o chinês. Será que eles irão
    exigir direitos de autor? Acho que não pois já lhe entregámos tantas empresas que agora bem podiam ser magnânimos e ceder os seus caracteres gratuitamente.

  2. Caro Luís Menezes Leitão,
    Habituei-me a apreciar as suas postas e as opiniões que tem e que partilha.
    O blogue que refere tem muitas inconsistências; poeta de dia 29 de Junho, por exemplo, “Houaiss tinha como língua materna, a língua libanesa”.
    Como o Luís, eu e todos os leitores do Delito sabem, não existe “língua libanesa” existe o árabe (falado e escrito) existe o francês (muito utilizado no Líbano, ainda) e o inglês.
    Ora se a autora se espalha numa questão tão simples e, facilmente, verificável, como será no resto?
    Quanto ao acordo ortográfico, propriamente, dito é uma questão mais ou menos estéril, um saudosismo, “no meu tempo é que era bom”.
    Nunca me atrapalhei a ler jornais do séc XIX, por exemplo, para investigações históricas, na primária, também, aprendi, com o acordo ortográfico do tempo de Salazar mas gosto do “ph”; gosto, ainda hoje, de ver em certas boticas do interior a palavra “pharmacia” cravada em metal na madeira.
    Enfim, não sou um maluquinho do acordo ortográfico, não o considero o oitava maravilha do mundo, tínhamos todos a ganhar e a poupar (refiro-me a dinheiro, mesmo) se nunca tivesse sido feito.
    Agora que está aí não adianta andará atirar pedras às cegonhas para baixar a taxa de natalidade.

    1. Errata: “posta de 29 de Junho”
      (peço desculpa, ainda por cima é/foi o meu dia, dia de São Pedro, no meu caso só se aplica a segunda parte, tenho muito de Pedro e nada de Santo)

    2. “não existe “língua libanesa” existe o árabe (falado e escrito)”O árabe? Mas não sabe que o árabe não é a mesma coisa em todos os países? Que há árabes, em diferentes países, que não são mutuamente inteligíveis? Acha que o árabe do Líbano é o mesmo do da Argélia? E que o Latim da França é o mesmo que o Latim de Portugal? Não haverá um árabe libanês?

      1. Houaiss nasceu em 1915 no Brasil se quiser acreditar que a língua materna de Houaiss é a língua libanesa não o vou contrariar.
        Em 1915 o actual Líbano fazia parte do império otomano, a língua seria o turco otomano, não?

        1. “Em 1915 o actual Líbano fazia parte do império otomano, a língua seria o turco otomano, não?”

          Só nos anos 20 os Turcos mudaram para o alfabeto latino. Em 1915 tinham o Arábico.

          lucklucky

    3. The Lebanese Language Institute (LLI) is a non-profit organization that is committed to provide the resources and the means to teach the “Modern Lebanese Language” worldwide. Many people are expected to join this venture and profit from it, an estimated 6 to 8 million people of Lebanese descent who communicate or are interested in communicating in Lebanese, and many other related or unrelated groups who have interest in Lebanon and its language.

  3. Outra vez? Esse blogue já havia sido escolhido pelo autor há um ano, para quê a repetição? É que, sendo eu contra o AO, não me custa reconhecer que esse blogue presta um péssimo serviço à causa pelas meias-verdades que propaga, pelo trauliteirismo e pelo antibrasileirismo primário. Há muito melhor por aí, até em redes sociais.

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