Blogue da semana


Sérgio de Almeida Correia,

Fumei o meu último cigarro em 1 de Janeiro de 1993. Nos primeiros seis meses não fumei nada. Também dispensei a ocasional cigarrilha. Nunca me fizeram falta. E tornei-me alérgico ao cheiro e ao fumo do tabaco dos cigarros, dispensando os ambientes de fumo, embora nunca tivesse feito campanha contra quem fumava.

Sempre considerei que essa era uma opção individual e cada um deve ter o discernimento e a liberdade necessária para fazer as suas próprias opções.

Mas, apesar disso, para desgosto de alguns familiares e amigos não deixei totalmente de fumar. A razão é simples: um dia resolvi fumar um charuto. E gostei.

Vai daí, resolvi começar a fumar um charuto de cada vez que me apetecia. Seguindo as regras dos bons apreciadores. Sem incomodar ninguém. Porque a minha liberdade não deve ser um incómodo à liberdade dos outros, e se o fumo dos cigarros me incomoda, é natural que haja muitos a quem o fumo dos charutos perturbe muito mais.

Porém, tal como outras coisas que nos dão prazer e devem ser consumidas com a devida moderação, e eu não queria ficar prisoneiro daquilo de que me libertei, passei a fumar, disciplinadamente, um charuto por semana. Por vezes, por uma razão ou por outra, sou capaz de passar quinze dias ou três semanas sem pegar num charuto.

Para fumar um charuto também é preciso ter disposição e tempo. Quando estou de férias, proporcionando-se, sou capaz de fumar dois ou três numa semana. Só dos melhores. E fico por aí. Sem obrigação, por puro prazer. Quase sempre ao ar livre, longe do incómodo dos outros, num local aprazível, entre amigos que também os apreciam, não raro na mais completa solidão, enquanto leio um bom livro ou vou pensando sobre o que me atormenta. E de Inverno, quando estou sozinho, junto à lareira, no conforto da minha poltrona, lendo noite fora.

Talvez por isso, e por não suportar a ditadura do politicamente correcto, seja em que circunstância for, resolvi hoje aqui trazer um blogue diferente. Um blogue que também me dá prazer, onde me confronto com algumas das minhas opções e também aprendo alguma coisa. Uma escolha livre, como são todas aquelas que faço. Só para os apreciadores. O Blog do Charuto é a minha escolha desta semana. Os outros que me desculpem.

6 comentários em “Blogue da semana”

  1. Não incomoda absolutamente nada. Pode continuar e não precisa pedir desculpa: a casa é sua.

    Fumar é maravilhoso, pois, além do prazer, proporciona-me a possibilidade de fumegar os vírus e as bactérias que queiram apoderar-se de propriedade privada; e o gosto de chatear o(a)s avançado(a)s civilizacionais.

    Chateia-me que, ao invés de discutirem na assembleia sobre a eutanásia, não possa um fumador ver os seus direitos, garantias e liberdade de amandar abaixo um bom cigarro ou charuto nos hospitais, com enfermarias ou quarto individual a preceito e com exaustão para que se possa ver a cara dos visitantes ou do corpo clínico… Devia também legislar-se sobre o direito de existirem assistentes (chamar-se-ia fumo-assistido) de fumadores, quando esteja impedida sua autonomia para o efeito.

    Um fumador, sendo um amigo da nação, entristece-se quando vê que o imposto pago sobre o tabaco seja canalizado para onde não devia ser: pagar salários a parlamentares que, quando não têm capacidade para resolver situações de extrema urgência, decidem legislar sobre qualquer coisita e eutanasiar o senso-comum, subsidiar magnates e banqueiros… Para todos, menos para os pobres e desprotegidos.

    Juntamente com um bom salgado, mas com sal que ofereça sabor, fumar sempre esteve reservado aos seres divinais e transcendentes: à semelhança do incenso.

    Também é um belo instrumento para manter pessoas indesejáveis não fumadoras à distância.

  2. 5 cigarrilhas cubanas, “guantanamera”, excelente relação P/Q. Ao domingo um curtinho charuto “quorum”. Não suporto cheiro de cigarros e se os fumo não me sabe a nada.

  3. Assim é que deve ser!

    Eu fumo um no dia de aniversário, no fim de ano, ou quando nasce uma criança de familiares ou amigos.

    lucklucky

    1. Gosto de Siglo VI, da Cohiba, mas só quando mos oferecem. São uma fortuna. Também dos Lanceros, Piramides e n. 2. Como também aprecio os Hoyo de Monterrey (Epicure), H. Upmann, Monte Cristo (em especial os Edmundo e Double Edmundo), Partagas. Mas há igualmente outras coisas muito boas fora de Cuba, dos Padrón a Roberto Duran. Tudo depende da ocasião, do estado de espírito e do que se tem à mão.

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