No dia em que se fizer a história da blogosfera portuguesa, há um blogue que será sempre incontornável: o abrupto. Há anos que Pacheco Pereira nele escreve persistentemente, sem qualquer receio dos ódios que gera, principalmente no seu próprio partido. Raras vezes estou de acordo com ele, mas aprecio imenso a profundidade das suas análises e a sua incansável luta pelas ideias que defende.
Recordo especialmente um momento célebre desse blogue: aquando da escolha desastrada de Santana Lopes para Primeiro-Ministro, Pacheco Pereira limitou-se a publicar uma frase no abrupto: “Pobre país… o nosso“. A frase teve honras de notícia nas televisões e marcou para sempre o governo de Santana Lopes, conduzindo-o depois ao patético episódio do discurso sobre o bebé na incubadora. Nessa altura se viu o efeito que o abrupto poderia causar.
Devido à sua influência, Pacheco Pereira e o abrupto são frequentemente alvo de ataques na blogosfera. Não lhe causam danos de maior. Pacheco Pereira tem a pele dura e sabe que uma voz livre tem sempre mais influência do que as habituais vozes do dono. Precisamente por isso, foi recentemente objecto de um ataque ainda mais soez que passou pela colocação de falsos cartazes, exibindo-o com uma metralhadora na mão, como um putativo candidato radical às presidenciais. Pacheco Pereira publicou o cartaz no abrupto, e seguramente o mesmo não deixará de integrar o seu precioso arquivo, como mais um exemplo da guerrilha política no séc. XXI.
Só tenha pena que ultimamente a actualização do abrupto não esteja a ocorrer com a frequência que merecia. Mas todos os dias blogues nascem e morrem e o abrupto permanece. A permanência é o traço típico das instituições. Por esse motivo, devido à sua enorme importância para a blogosfera, o abrupto é a minha escolha para blogue da semana.

É pena que Ferreira Leite não tenha um blogue. Ferro Rodrigues ia bater palmas.
Independentemente de se concordar ou não com o que JPP defende, dificilmente alguém inteligente concorda sempre ou discorda sempre de alguém, há-de reconhecer-se que as reflexões de JPP estão muito para lá do «tempo detergente» que vivemos, da espuma dos dias, apesar de analisarem, precisamente, este tempo presente, esta espuma dos dias.
E baseiam-se numa cultura humanista sólida e também numa enorme cultura, a que acresce o olhar de um historiador de mérito.
Que continue, vou lá todos os dias, às vezes frustro-me pois os textos ultimamente demoram demasiado tempo a serem actualizados.
políticaa
Concordo com o seu comentário. Na actualidade JPP está à esquerda do PS devido a este (direcção) estender-se para o centro/direita. O Abrupto e a Quadratura são imprescindíveis.
Correcção ao meu comentário anterior:
«e também numa enorme cultura política, a que acresce o olhar de um historiador de mérito».
No final a gralha: politicaa
“Só tenha pena que ultimamente a actualização do abrupto não esteja a ocorrer com a frequência que merecia.”
Estranho. Será que ainda escreve todas as semanas para a revista Sábado?
Uma das regras da vida em comunidade é a facilidade de se perceber a azia dos frustrados.
Pode explicar esse raciocínio brilhante? Da frase de Pacheco ao discurso da incubadora??!!
Triste. Temos o elogio da fase de Estalinismo politico do JPP, que entre outras características nada de elogiar incluem falta de honestidade politica, e indo até ao ponto de legitimar a violência da multidão.
Claro o objectivo por detrás dos “avisos” era destruir a Democracia pela intimidação.
Limitando a política possível a só variações de Socialismos de Esquerda.
O que é normal em alguém que tem a Política como medida de todas as coisas. A Política como Religião.
O Romantismo que recusa o Renascimento.
Romantismo que nos deu o Comunismo, o Nazismo e todas as ideologias purificadoras em que conta só a vontade.
Admiro o Pacheco Pereira que há muito, viu que o partido onde militava é uma sombra do que foi. Admiro-o porque não tem preconceitos, em atacar, os que fizeram do partido algo que não se sabe bem o que é, mas sabemos que de socialismo nada têm e de democrata, pouco lhe resta. É um homem que defende aquilo que todos os políticos deveriam fazer, zelar, pelo bem estar daqueles que governam, mas que tudo fazem em prol do capitalismo selvagem que um dia lhes darão, a eles, o futuro despreocupado e endinheirado que ambicionam. É pena que hajam tão poucos Pachecos e Abruptos, mas em contrapartida, hajam tantos oportunistas… São homens destes que nunca morrem, embora os queiram matar que ficarão na história porque falaram e agiram, tendo sempre em conta, o bem dos cidadãos.