Uma das riquezas maiores da blogosfera é permitir-nos saltitar de blogue em blogue, acompanhando diferentes assuntos e múltiplas polémicas, dando-nos o prazer de confrontar perspectivas diversas sem que os autores tenham necessariamente de entrar em diálogo. E aquilo que sobremaneira aprecio, independentemente do estilo e do tom que cada um coloca no que escreve, no que opina, no que comenta, é a autenticidade da escrita, a inteligência da exposição, o refinado sentido de humor, a capacidade de se rir de si próprio, e a atitude corajosa de quem se predispõe a tratar questões e temas susceptíveis de gerarem conflitualidade e de indisporem terceiros, sem com isso se importar. Assumindo o risco da exposição, por vezes apressada e sem rede; noutras ocasiões a incompreensão de quem lê, e enfrentando, não raro, a crítica maledicente, oportunista e vesga, motivada pelo complexo – que os há de esquerda e de direita e até anarquista -, pelo preconceito, pelo credo ou pela partidarite ou clubite agudas. Se a isso juntarmos a provocação deliberada, capaz de gerar as reacções mais despropositadas, temos os ingredientes de eleição para alguns bons momentos de leitura.
Esta semana, depois desta longa introdução que justifica a escolha, e sem me recordar se nesta casa alguém se abalançou a escolher um número par na mesma semana, tomei a liberdade, que espero os meus companheiros me relevem, de escolher dois blogues.
Ambos têm o nome dos seus autores, sendo que um se assume como liberal à direita e outro reconhecidamente mais à esquerda, bem mais perto de mim. O liberal de direita não conheço pessoalmente, embora já uma vez tenhamos trocado e-mails e seja “amigo” numa rede social. O outro não vejo há quase trinta anos e recordo-me, ainda estudante, de termos passado com amigos comuns alguns momentos bem agradáveis nas longas noites da Casa do Largo. Nos dois, como se depreende, admiro a verve e a escrita, acima de tudo o sentido que têm da vida, da democracia, da liberdade e do nosso lugar nelas.
Gosto de gente que não tenha medo das palavras. Nestes dias ingratos e merdosos que atravessamos, eles não têm. Por isso, cada um à sua maneira, os meus blogues da semana são assinados pelo João Miguel Tavares e pelo José Paulo Fafe.

Meu caro,
Mentiria se te disesse que não tenha ficado obviamente sensibilizado com a “eleição” e as palavras que a justificaram… Abraço, ZP
ao comparar as posições de muitos amigos após o 25 abril(para quem é novo talvez não tenha a noção de quão dificil era antes ter opinões) e as que lhes noto agora, tenho que reconhecer como se cresce em democracia e serenamente a tolerancia vai fazendo caminho e regra. Aqui neste blogue em particlar o aparar criticas que são/parecem injustas vale a pena a prazo,porque o mais triste na blogosfera é a satisfação de só apresentar os comentarios concordantes capando o bom que a blogosfera tem. Têm todo o direito( oblog é pessoal) mas é triste.