Esta semana, este post levou-me às lágrimas. Não é a primeira vez que acontece no Mesa Marcada, um blogue que teima em desviar-me dos virtuosos caminhos de uma dieta restritiva.
A primeira lágrima foi vertida logo ao início, à menção de pastelinhos de bacalhau com feijão frade. Depois, assim que falaram em filetes de polvo com arroz do mesmo, comovi-me a pontos de não me conseguir conter, de maneira que me desmanchei em prantos por aí fora, regando a vitela no forno com as mágoas que se soltaram e deixando fluir a torrente até à rabanada que se fazia acompanhar com toda a ternura por aletria (uma rabanada, meu Deus). Foi de tal maneira que até se me turvou a vista enquanto fazia scroll no ecrã.
É assim o Mesa Marcada, um blogue que trata a gastronomia com o amor e carinho que merece. Há outros que falam de saladas.

Há mais virtude numa cabidela de coelho que num bloco de seitan!
à menção de pastelinhos de bacalhau
No post fala-se claramente em “bolinhos” e não em “pastelinhos”.
No Porto diz-se “bolos de bacalhau”. “Pasteis” é linguagem de lisboeta.
Caaalma, Luís, não se enerve que isso tira anos de vida a uma pessoa.

Eu sou uma rapariga do sul, de maneira que a semântica me atira mais para os pastelinhos, tenha paciência.
Se quiser uma receitita de cabrito ( também dá com frango ou carne de porco ) al chilindrón, diga. Ou um arroz de bacalhau com ovos estrelados, como fazia a minha Avó Inez.Mi cocina es su cocina
Arroz de bacalhau com ovos estrelados? Mas que bela ideia…
Esse arroz de bacalhau com ovo a cavalo também é menino para me provocar uma crise de choro das bravas. Obrigada, Fernando, por me enriquecer o imaginário gastronómico.
E viva a avó Inez.
Que sirva para agradar ás amigas Francisca Prieto e IsabelPS:
explicação prévia – em casa dos meus Avós paternios, na Ribeira de Santarém, nunca almoçavam ou jantavam menos de oito a dez pessoas ( em casa eram eles a minha Tia Elisa e o meu Pai ), pois havia sempre família e amigos presentes. Tanto o meu Avô Faustino como a minha Avó Inez eram excelentes cozinheiros e o meu Avô tinha na “mesa” um dos seus momentos de maior felicidade na sua vida diária.
Adiante, o arroz de bacalhau era um prato de recurso, que a minha Avó engendrou, quando o meu Pai aparecia de surpresa com um grupo de amigos, o bacalhau era apenas passado por água corrente e ala, lume.
Eu faço assim, demolho o bacalhau, como de costume, depois é partido em lascas, sem espinhas e pele e vai a alourar em azeite, com um pouco de cebola bem picadinha. Junta-se o arroz necessário, dá-se uma voltas e vai a água, salsa finamente picada,pimenta,folha de louro,alho picado e sal qb. Quando a coisa já está assim a meio, corta-se batata ( sim, batata … ) em rodelas grossas e junta-se, deixando acabar de cozinhar de maneira que fique a gosto, mais ou menos húmido ( com a batata devidamente cozida ). Antes de servir, bem quente, estrela-se um ovo por cada comensal, que é servido à mesa, colocado no prato após o arroz. Muito bom proveito !!
Já estou com uma fome que nem lhe digo nada.
Vou já experimentar fazer isto.
Muchas gracias pela receita, Fernando.
Pastelinhos de camarão ou croquetezinhos de vitela ou pastéis de Belém também marchavam.
http://www.youtube.com/watch?v=fHKCMcVKQ Eo
Olha que bem escolhido, Francisca! Gosto muito do Mesa Marcada. E agora até têm lá a Alexandra Forbes, um toque internacional a abrilhantar a casa.

Cheers, Ana.