Blogue da semana


Pedro Correia,

Desta vez escolho o Fragmentário. Vale a pena acompanhar as reflexões do Luís Naves, cujos ecos já chegaram à Alemanha.

Um comentário em “Blogue da semana”

  1. Li com muita atenção o texto de Luís Naves e também li o post scriptum que contraria o sentido de parte do seu texto. Significa isto que o texto de Luís Naves, de muito agrado ao alemães, é o de um navegador à vista das circunstâncias com correcções de rumo consoante os bancos de areia que se apresentam na rota do navio.

    Penso que as pessoas têm uma perspectiva falsa de todos os acontecimentos históricos. E são fatalmente esperançosas sem compreender o sentido da esperança (já lá vou a este tema, o da Esperança).

    Na realidade Portugal é um país onde sempre tudo se passou depois de um longo período de nada se passar. Enviezar esta realidade é corroborar a ideia das idiotas atitudes de uns quantos idiotas que exercem a sua actividade com base no autoritarismo desprovido de qualqur senso de autoridade.

    A crise hoje vivida nos países do sul, e que já se alastra a outros países do centro e do norte (Holanda, França, Finlândia, Suécia), e que se arrastará à própria Alemanha, não teve somente sua origem na crise do sistema financeiro americano assim como de sua moeda.

    A perspectiva pouco divilguda reside no facto de ter existido a necessidade de alargamento da União Europeia, muito conveniente à Alemanha, França e Itália, no sentido de manter suas indústrias, financiadas pelo seu sistema bancário, a fornecer as carências desses países no sentido de garantir sua sobrevivência e expansão.
    Para que esta política tivesse sucesso era necessário garantir a estabilização da moeda, reduzindo as flutuações cambias, e fazer que as economias europeias adoptassem uma moeda comum que, sabemos hoje, e ontem também sabia-se, muito beneficiaria a Alemanha, sem esquecer a França e Itália e também a política agrícola comum.
    A adopção destas políticas, com excepções marginais, resultaram da imposição vinda de Bruxelas onde esses países tinham e têm controlo das decisões. Foram os governantes que decidiram arbitrariamente a entrada dos países na moeda comum.
    Mas mais importante ainda, era necessário adoptar outro tipo de estratégia: aos países aderentes era necessário criar e manter um estatuto de consumidores, obrigando-os a usar/adquirir recursos de outros já estabelecidos na anterior CEE e aí produzidos, desmantelando as suas potencialidades produtivas, não só as vigentes como também as futuras.
    Adicionalmente, para reforçar esta afirmação que produzo sobre o estatuto de consumidores, criaram-se linhas de compra e venda de dinheiro que foram muito apreciadas e desenhadas pelos bancos alemães e franceses.
    Aqui chegados, o dito boom económico de que muito se falou sobre os países do sul não passou de um boom de consumo que muito agradou ás economias em risco de estagnação dos países dessa outra Europa.
    Assim sendo, e foi, por um lado as economias inchavam (e quem incha rebenta) e por outro crescia-se. Para usar uma expressão mais consentânea com o que se passa atrevo-me a usar a figura do leitão: sendo que existia leitões para a engorda, a quem se fornecia farinha, e os proprietários dos mesmos que deles se alimentariam sempre (que é o que continua a suceder).

    Que tem isto que ver com a Esperança? – Tendencialmente, os liderzecos dos países como Portugal colhem sua actuação na árvore esperançosa, esperando sempre que as condições climatéricas sejam favoráveis sem que se criem mecanismos de defesa e preservação do fruto e da árvore.
    Todavia, a Esperança é simultaneamente a árvore e o fruto. A Esperança é um caminho que se faz, sabendo sempre que mesmo que esse caminho seja difícil é necessário percorre-lo com a certeza de se ter uma meta. É também um caminho de redenção onde uma fé espartana se cultiva diariamente.

    Por último,o caminho que se percorre é somente esperançoso, porque se percorrem vielas que nunca encontrarão metas.
    Quem tiver ouvidos escute.

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