
A MINHA PRIMEIRA VEZ
(Reportagem em diferido)
Foi a minha primeira vez nestas andanças. Levava engatilhadas meia dúzia de perguntas, a pensar que aquilo funcionava como em algumas conferências de imprensa. Tudo ao molho e safa-se quem for mais rápido a disparar as perguntas. Enganei-me…
O Pedro Sales fez uns papelinhos, cada blog tirava um e assim se ficava a saber a ordem de entrada em cena. Sempre tive azar ao jogo. Resultado, saquei o 9, deixando apenas atrás de mim a Loja de Ideias.
Quando me fui sentar saiu-me a mesa coxa. Felizmente estava enganado. Aquela era para o João Gomes, do Risco Contínuo, que entraria em cena antes de mim.
O calor na sala está insuportável e ainda por cima apanho com um holofote de uns 500kwatts em cima. O BE não é amigo do ambiente?
Estão todos a comer queques e salgadinhos. Eu atiro-me à água. Servida em garrafas de vidro. Um ponto a favor do Ambiente.
O João Gonçalves entrou de “penetra”, mas não vai fazer perguntas.
Paulo Guinote (Educação do meu umbigo) abre as hostilidades. Fala-se de educação e de eduquês. Francisco Louçã rejeita o modelo de avaliação e lembra a necessidade de mobilizar os professores. Revela ser adepto da escola de Sérgio. Apetece-me aplaudir. Contenho-me. Fala dos horários escolares, lembra que muitas crianças passam mais horas na escola do que os pais nos seus locais de trabalho. Propostas concretas, não ouvi. A acústica da sala é má…
Fora de jogo
Entra o Software Livre no Sapo. Discute-se Microsoft na Administração Pública, bandas largas e outras coisas que não percebo. Louçã parece dominar a matéria e estar bem documentado. Estou fora de jogo. Passo.
Joana Mortágua (Les Canards Libertaires) ataca com as polémicas declarações do presidente do Instituto de Sangue e pergunta se não devia ser demitido. Louçã está no seu terreno, mas não cede à demagogia fácil. Começa por elogiar a reacção inicial de Sócrates, defende que deve ser assegurada a qualidade do sangue fornecido aos doentes, mas critica a estigmatização dos homossexuais feita por Gabriel Olim.
Joana Mortágua passa ao elogio dos iates de MFL. Louçã diz que tem dificuldade em comentar declarações da líder do PSD e aproveita para dar uma ferroada. "O secretismo do programa social-democrata demonstra que o segredo é a alma do negócio".
A nova pergunta dos Canards, sobre segurança social, afirma que o sistema não está em falência neste momento, mas é necessário tomar medidas. É contra a privatização do sistema e dá o exemplo do Chile. Com a crise mundial o sistema entrou em colapso e os trabalhadores chilenos têm em risco as suas reformas.
João Vasconcelos (Activismo de Sofá) faz uma pergunta sobre a auscultação da sociedade civil através da blogosfera. Louçã aproveita para falar do programa do BE, “discutido na Internet, linha a linha”.
Tiro no porta –aviões
A última pergunta de João Vasconcelos era minha. “Que vai fazer o BE com 10% dos votos? Que responsabilidades está pronto a assumir no apoio a um futuro governo?”
Louçã afirma que há em Portugal um problema de governabilidade: 2 milhões de pobres e, de acordo com previsões do Banco de Portugal, mais 200 mil desempregados no próximo ano. “Queremos uma maioria que mude radicalmente o país. Nenhum voto nosso falhará quando se discutirem medidas de esquerda”.
A sala agita-se. Palmira Silva (Jugular) faz duas perguntas, acerta dois tiros no meu porta-aviões. Nas respostas, Louçã reafirma que o Código do Trabalho é uma das questões fundamentais na divergência do BE com o PS. João Galamba insiste. Mas está disposto a ceder em alguma coisa? Antes de responder, Louçã anuncia a candidatura de Pacheco Pereira – cabeça de lista por Santarém. Sorrisos na sala. Ah g’anda Pacheco!
Louçã lembra que, na discussão sobre a corrupção, o BE “fez todas as concessões possíveis”. Entra-se num diálogo mole. Em pano de fundo vejo um futuro debate na AR.
João Villalobos (Corta-Fitas) entra ao ataque e anima o jogo: “Quais as empresas que o BE quer nacionalizar?” Louçã tenta sacudir para canto. JV insiste. Louçã lá acaba por falar na EDP e na Galp, mas joga à defesa.
Pausa para xi-xi (continua no post abaixo)

Excelente resumo, so far, Carlos 🙂 Mas a minha pergunta é quais as empresas que o BE quer nacionalizar e não privatizar, eh, eh Abraço
Desculpa lá, João! É o que dá escrever estas coisas de madrugada, ainda mal refeito da sauna…Obrigado, porque ainda não tinha dado pelo erro estúpido. Já está corrigido.
( Havia de ser engraçado, ver o BE a propôr uma onda de privatizações)
Abraço
Ainda bem que está desfeito o lapso Carlos:))). De repente quando li isto de manhã, fiquei a pensar que das duas uma, ou a pergunta do JV tinha sido uma ironia, ou então que tinha dado uma travadinha ao Louçã … cof cof cof )
Felizmente o João é um leitor atento , Ariel,e alertou-me para o erro. Peço desculpa a si e a todos a quem induzi neste lamentável erro!
Por quem é Carlos. Esqueci-me foi de dizer o que devia. É que a reportagem e a ilustração estão um must …:)))
O DO estve muitíssimo bem representado 🙂
O Carlos esperou esperou pela sua vez.
Bebeu toda a agua e correu a aliviar-se no WC.
Tornou a esperar e a suar em bica. Por fim lá chegou a sua vez, mais morto que vivo, mas não deixou os créditos por mãos alheias.
No final teve a sensação que Louça é mais do mesmo e correu para estampar aqui no Delito o relato da segunda meia final da nova versão do CCLP (contacto com os lideres políticos).
Mas que bem!
:)))