
(Depois da) pausa para xi-xi
Tiago M. Ramalho recebe o passe de JV e dispara: “O que é um juro especulativo?”
Louçâ explica com clareza. (Nem era preciso. O actual governo já fez essa definição). TMR insiste. Já bebi a água toda e ainda um reforço. A minha bexiga não aguenta. Vou fazer xi-xi. Percorro corredores subo e desço escadas, encontro a Loja de Ideias, cuja bexiga era mais impaciente do que a minha. Indica-me o caminho desejado.
Quando regresso à sala já está o 31 da Armada a disparar os primeiros tiros. Não ouvi a pergunta mas, pela resposta de Louçã (“A tragédia da sociedade portuguesa é a tragédia da mediocridade das elites”), percebi logo que o meu porta-aviões levara mais um tiro.
Rodrigo Moita de Deus traz à baila os casos JAD e Vale de Almeida. Louçã faz votos que VA contribua para ajudar o PS a cumprir a sua palavra, ao menos uma vez. Não está zangado com a deserção. Em relação a JAD, parece-me que ainda não percebeu o filme todo…
Porta aviões ao fundo
João Gomes procurou explorar as “dissidências internas” do BE. Ia bem documentado, mas Louçã foi previsível nas respostas. “No pasa nada”. Depois, JG atirou o meu porta-aviões ao fundo. A minha pergunta de ouro: “BE também tentou pescar no PS?”
Louçã é peremptório. Mentira, diz ele. Rosário Gama foi convidada por um grupo de independentes para encabeçar a lista à Câmara de Coimbra, não para integrar uma lista do BE.
Já passaram mais de duas horas. Chegou finalmente a minha vez. Tem a palavra o Delito de Opinião. Vou aos submarinos de reserva. Perguntas sectoriais. Negociações pós Quioto? Sustentabilidade das cidades? Energias renováveis? Que medidas tem o BE para apresentar?
Louçã concorda com a política do PS em matéria de renováveis, mas não com o modelo de exploração. Reconhece as dificuldades das negociações pós-Quioto, já em Outubro, em Copenhague, mostra-se frontalmente contra a comercialização das emissões (Mercado do Carbono) que permite aos países ricos continuarem a explorar os recursos dos países pobres. Dá o exemplo de Portugal e Moçambique. É a favor das portagens nas cidades e de medidas que tornem as cidades mais limpas.
Regulação? Frontalmente contra as empresas, nas entidades reguladores. Defende a regulação pública e diz que houve um retrocesso na regulação durante este governo. Dá o exemplo da recente decisão da ERC.
É possível mais celeridade na Justiça? Louçã diz que nenhum partido pode fazer essa promessa.
Administração Pública: o que devia mudar? Acabar com as quotas na avaliação, os contratos individuais de trabalho e alterar o modelo de avaliação.
Finalmente, a Loja de Ideias. Teve o mesmo problema que eu, mas conseguiu ir ao baú buscar mais algumas perguntas. Confesso que já prestei pouca atenção, mas ainda deu para perceber que Louçã é contra as primárias nos partidos e está preocupado com o desequilíbrio na captação de competências. “Muitos dos melhores alunos das Faculdades vão lá para fora.”
Eu também. A Blog Conf chega ao fim cerca das 21. A minha primeira vez durou quase 3 horas. Suo em bica. Se bem me lembro, aconteceu-me isso na outra primeira vez.
A “performance”, na altura, também não foi lá grande coisa, mas com a prática talvez melhore…

Comento aqui depois de ler a sua “síntese” da “Blog Conf do BE ” as 2 partes – para além do conteúdo/informação , muito pertinente, foi a forma que me seduziu pelo seu humor e, Carlos, para ” primeira vez” não fez má figura, não senhor! :)))
A ilustração/fotografia é muito boa, elucidativa !
Muito bem, Carlos. Grande prestação, grande reportagem. Bem mereces a foto ali mais acima.