Em rigor não há muitas diferenças a esperar, no actual contexto europeu, entre um governo PS e um governo PSD. Quem diz o contrário é porque prefere deixar-se levar, sobretudo em tempo de eleições, pelo discurso partidário que, noblesse oblige, põe a tónica nas divergências para criar no eleitorado a percepção de que existem alternativas bem demarcadas para a governação.
Em teoria esta situação seria facilitadora de consensos entre PS-PSD e até da constituição de uma coligação pós-eleitoral. Mas, como frisou António Costa, tal cenário é impensável. Porquê? Porque o que está em questão não é – nunca foi – o governo do país, mas a partilha do poder, que quando é feita pelos antagonistas dominantes é muito mais comprometedora para o normal funcionamento da partidocracia e a conversa de trincheira que a suporta.
Seria politicamente sustentável esvaziar o discurso de ódio que há anos opõe PSD e PS? Como sobreviveria um governo PS-PSD ao arrepio da cultura do passa culpas que sustenta a propaganda dos partidos do arco governativo? De que forma poderia o executivo desvalorizar os seus “inconseguimentos” se estivesse inibido de os justificar com erros do passado?
Isto é que conta. Para a política o País é só a paisagem.

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De pleno acordo! Se o PS tal como a coligação disseram não, à reestruturação da dívida, está tudo dito. Ânsia pelo poder, com uns retoques aqui e ali, do PS, para que pareça que tudo vai mudar. De resto, vai dar tudo ao mesmo, pagar a dívida, custe o que custar nem que para isso, se viva à míngua e o país deixe de ter identidade.
“O que pusemos em causa em todas as sociedades autoritárias centralizadas(quer se trate do sistema soviético ou dos sistemas capitalistas nos quais o monopólio de facto das decisões nas mãos de algumas grandes forças económicas e políticas é camuflado por ilusões parlamentares e eleitorais),não foi o facto de certas opções fundamentais serem tomadas ao nível da sociedade global;também não foi o princípio da delegação do poder,que é uma necessidade.
O que pusemos em causa foram os mecanismos pelos quais as decisões de “cima” não foram elaboradas a partir de uma participação efectiva e sob um controlo real da base.Foi também o carácter global,permanente e profissionalizado da delegação do poder.”
Roger Garaudy in O Projecto Esperança (livro de 1976)
De acordo. É por essas e por outras que defendo um sistema eleitoral baseado em círculos uninominais. Não resolveria tudo, mas aproximaria os eleitores dos eleitos, o que é um bom ponto de partida.