Beja


escafandro,

Tenho uma dúvida: por uma qualquer razão que escapa à minha – reconhecidamente mui limitada – capacidade de entendimento, Beja apostou num determinado tipo de especialização (transformar-se num «centro de estruturas sem utilizadores», digamos) ou o governo anterior decidiu fazer dela um concentrado exemplar das suas políticas de investimento – as tais que a esquerda continua a defender?

17 comentários em “Beja”

  1. Por acaso acho piada que no meio do despesismo nacional, se aponte o aeroporto de Beja, que custou 30 milhões do euros, dos quais 22 comparticipados pela UE, e uma escola que, ao contrário do que é explicito, está em pleno funcionamento, como exemplo. Tudo junto, não chega sequer a uma décima parte do prejuízo anual que dá o metro de Lisboa, entre outras dezenas de exemplos sobre os quais me aborrece falar agora.

    Só lhes falta dizer que a troika está Portugal por causa de Beja…

    1. Bom, apesar dos custos não se limitarem aos de construção, é verdade: houve gastos inúteis maiores. Mas, como sucede no caso do corte de despesas, a relevância está no simbolismo – e no humor da situação (aeroporto sem passageiros / edifício escolar sem alunos).

      1. Possivelmente não leu tudo o que escrevi há pouco. Informe-se um pouco melhor sobre o actual número de alunos da Escola Superior de Gestão de Beja.
        Para um blog tão “recomendável”, falar sem conhecimento de causa não abona nada em seu favor. O mesmo se aplica ao jornalista que escreveu o texto, algum recém-licenciado que tirou o curso na mesma universidade do sr Relvas, pois…

        1. O que escreveu sobre o politécnico foi que a escola existe. Isso ninguém disputa. As palavras do presidente do politécnico, citadas no artigo, também parecem claras. Mas talvez o João possa explicar-nos em que é que ele está a mentir ou de que forma é que as suas palavras foram mal reproduzidas.

          E permito-me reforçar: a menção a Beja é circunstancial. Há politécnicos em muitas cidades com alas recentes destinadas a ficar vazias – isto se, em alguns casos, não ficar vazio todo o politécnico.

          1. A história do presidente do IPBeja é uma outra história. Com motivações claramente políticas. Não esquecer que a construção da ESTIG foi uma longa batalha, que envolveu personalidades de todos os quadrantes. Depois de estar a funcionar em antigas oficinas alugadas à REFER, mesmo ao lado da linha ferroviária de Beja, e longe do restante “campus” do IPB, conseguiu-se construir uma escola de raiz. Com a dignidade que se exige ao ensino Politécnico. A analogia relatada no Público é um disparate. Mas com o caminho que isto leva, qualquer dia é a própria cidade que fica às moscas. Enfim.

          2. Lamento mas esse argumento da “dignidade que se exige” não serve: foi usado um pouco por todo o país e levou-nos à falta de dignidade actual. Por outro lado, atacar alguém pelas “motivações políticas” em vez de contestar o que ele disse com dados objectivos também não me parece merecer grande discussão. E não é só Beja: há muitas cidades do interior às moscas (estive há pouco tempo em Castelo Branco – que também tem um politécnico – e fiquei impressionado). Parece que estes empreendimentos tão “dignos” não têm ajudado muito e talvez um país com contas equilibradas tivesse ajudado mais.

          3. O João Espinho adiantou-se enquanto jantava 🙂 O IPB luta há mais de 20 anos por uma escola com instalações dignas, tendo sido leccionado durante vários anos aulas em barracões de madeira e posteriormente num edifício alugado. Hoje, temos uma escola digna desse nome. Tendo em conta que no total, após a 2a e 3a fase, a escola terá 2/3 das vagas preenchidas, não é o desejável mas o possível tendo o conta a actual conjuntura.

            Se se poderia enaltecer o facto? Podia, mas a motivações políticas falam mais alto.

            Para finalizar: à malta de cá já aborrece um bocado o tom jocoso e arrogante que advém da malta da capital. Estamos habituados, até. Porventura v/Ex.as lembrou-se falar de outros assuntos igualmente actuais como o adiamento interminável da conclusão do Alqueva e as suas consequências? Ou da interrupção das obras do IP2 e do IP8 que deixaram obras a meio e estradas esburacadas afectando a população? Não. A piada fácil e manifestamente ignorante de gente com complexo de superioridade crónico é bem mais interessante.

            Caro jaa: espero mais de si. E sei que é capaz! Continue.

          4. Nasci junto à Serra da Estrela e não vivo na capital.

            Que os exageros foram ainda maiores no litoral não tenho dúvidas. Mas algo que tenho muita dificuldade em encaixar hoje em dia é que se tentem defender investimentos desnecessários e/ou inconvenientes apenas porque foram realizado por perto. Afinal, não há um único túnel na Madeira que não seja essencial para Alberto João Jardim e seus amigos. Todas as regiões(/autarquias queriam tudo (estradas, universidades, pavilhões, piscinas, cineteatros, etc) e aquelas que o conseguiram acham que foi apenas justo. Entretanto, temos instalações muito dignas mas estamos muito pouco dignamente falidos.

            E de novo, para que fique bem claro: nada tenho contra Beja. Admito que o politécnico merecesse obras – mas se calhar mais baratas ou noutra altura. Como em milhares de outros casos por todo o país.

            Incluindo na zona onde vivo, claro. Critico há muito gastos excessivos na zona de Gaia. Por exemplo:
            http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4687115.html
            (Segundo parágrafo)

            A minha opinião o ‘meu’ presidente da câmara:
            http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4771109.html

            Um post sobre fusão de autarquias na zona do Porto:
            http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3548038.html

            E, considerando o dinheiro público que custou e que recebe, se alguém hoje me perguntar se a Casa da Música (que frequento assiduamente e é um elemento importante no turismo da cidade do Porto) foi um bom investimento, eu terei muita dificuldade em dizer que sim.

  2. O problema, visto daqui, do Alentejo profundo, parece ser apenas ignorância e preguiça. Andamos há séculos a queixar-nos da interioridade, de desfavorecimento relativamente a outras regiões e para nos contentarem, deram-nos uns rebuçadinhos.

    Um aeroporto e plim! tornámo-nos importantes e relevantes para o país. Um edifíco escolar sem alunos e plim! esquecemo-nos das centenas de crianças que saem de casa às 5 e 6 da manhã para chegarem à escola às 9, porque a escola onde eles andavam foi fechada. Depois, chegam a casa lá para as 7 ou 8 da noite e mortos de cansaço, não fazem os trabalhos de casa. Com apenas 6 anos, são praticamente condenados ao insucesso escolar.

    E a quantidade enorme de viadutos que não levam para lado nenhum que foram construídos nos últimos 3 anos ao longo do IP2? Uma obra visionária, no verdadeiro sentido da palavra, só é pena é que o resto da estrada não seja visível ao cidadão comum.

    Mas não nos podemos queixar. Já viram bem o dinheiro que a administração central tem gasto connosco? Em parvoíces, mas gastou!

    1. “Em parvoíces, mas gastou!”

      Mas este é o meu ponto. Se bem que, diga-se de passagem, muitas populações (não sei se em Beja mas certamente noutras zonas: por exemplo, na Beira Interior, que conheço melhor) bateram palmas ao investimento em infra-estruturas (estradas, politécnicos, piscinas, auditórios, casas da cultura, cineteatros , pavilhões gimnodesportivos, etc , etc ) que, dizia-se, iam acabar com a interioridade. Vê-se.

      E com isto não estou a dizer que não era importante fazer algumas obras. Claro que era. Certamente o IP2 tinha mais lógica do que a segunda (já para não falar da terceira) auto-estrada Lisboa-Porto (o fantasmagórico troço da A17 entre Leiria e a Figueira podia constituir um símbolo das opções erradas que se tomaram). Mas não vale a pena pretender que, seja lá onde for no país (que – apercebemo-nos agora – é pobre), todos os investimentos fizeram sentido – mesmo quando parecem ser resultado de boas intenções.

      1. Caro jaa
        Obviamente, estava a ser irónica, como se percebe pela leitura do comentário. Acha que ficamos satisfeitos com estes “critérios de investimento”?
        Para acabar com a interioridade, precisamos de condições de vida: hospitais, escolas, correios, etc. E a reactivação da linha de comboio também seria interessante, em vez de tanto quilómetro megalómano de alcatrão.

        1. De acordo. Mas muitos presidentes de câmara (não sei se em Beja mas certamente noutros sítios) reclamaram ardentemente o investimento em alcatrão – quando uma boa rede ferroviária que, no caso do Alentejo, permitisse o acesso fácil de mercadorias a Sines e à Europa e, ao mesmo tempo, facilitasse o turismo e as deslocações a Lisboa teria provavelmente feito muito mais sentido (as estradas viriam depois de captar investimento). Quanto a escolas, hospitais e correios, o problema é que só funcionamos num de dois modos:
          – Quando há dinheiro gastamos demasiado onde ainda não se justifica, convencidos de que se irá justificar no futuro;
          – Quando não há dinheiro começamos a cortar e, especialmente no interior, entramos num círculo vicioso: há pouca gente para que se mantenham serviços e depois não há serviços para fixar as pessoas.

          O investimento público tem de ser centrado no que realmente importa e executado a um ritmo que não coloque a economia em risco – de que serve ter bonitas escolas superiores em todas as cidades se estão às moscas ou a funcionar a 60% da capacidade? E as pessoas têm de perceber que não pode haver auto-estradas para todo o lado (há um par de anos ainda o presidente da câmara de Mortágua reclamava a construção da tal terceira auto-estrada Lisboa-Porto, porque aparentemente ter de fazer 20 km através da serra do Buçaco ou 40 pelo IP3 até à A1 é uma terrível desvantagem para a região) nem escolas superiores em todo o lado nem piscinas nem pavilhões gimnodesportivos nem casas da cultura nem sequer hospitais em todo o lado.
          E também não vale a pena defender isto e depois recusar todos os cortes previstos para a zona. (Por exemplo: a junta de freguesia onde resido era uma das que se previa – não sei se ainda prevê – ser extinta; houve quem organizasse protestos e andou a correr um abaixo-assinado – que, obviamente, não assinei.)

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