Because the night


escafandro,

 

Porque é um momento fantástico, ocorrido no Madison Square Garden em Outubro de 2009, e porque acabei de ler Apenas Miúdos, de Patti Smith (o preâmbulo pode ser lido aqui), a história dos anos nova-iorquinos em que ela e Robert Mapplethorpe partilharam, entre outras coisas, o pouco dinheiro que iam arranjando (mais ela do que ele), quartos (incluindo dois no famoso Hotel Chelsea), comida (e fome), roupa, acessórios, música, amigos e sonhos. Os anos em que gravitaram em torno do círculo de Andy Warhol sem verdadeiramente nele entrar, em que conheceram e choraram a morte de Janis Joplin, Jimi Hendrix e Jim Morrison, em que ele tentou perceber se era homossexual, em que ambos tentaram descobrir o que podiam fazer na vida, sendo certo que apenas a arte era opção. Smith queria escrever mais do que cantar e acabou a cantar o que escrevia. Mapplethorpe dedicou-se à fotografia, tendo causado polémica com nus masculinos e incursões no mundo do sadomasoquismo (e um dos pontos mais interessantes do livro é constatar a inocência com que mergulhou nele). Morreu de SIDA em 1989. O livro resulta de uma promessa que Patti lhe fez e é muito bom.

 

Adenda: E estes ainda estão todos vivos, Pedro.

18 comentários em “Because the night”

    1. Pois eu até a descobri tarde. E quase não tenho discos de vinil – dela ou de outra pessoa qualquer. A verdade é que só acordei para o mundo em meados dos anos oitenta… (E, er, isto não tem nada a ver com idade mas com o facto de, antes, eu ser um pacóvio de aldeia; depois deixei a aldeia e o meu gosto tornou-se instantaneamente mais refinado.)

        1. É verdade. Aliás, já começo a ficar farto da cidade – ainda por cima agora que a net chega a todo o lado. E era uma aldeia mas ficava pertinho de uma vila que nos anos oitenta (ou terá sido no final dos setenta?) até passou a cidade.

          E obrigado pelo elogio. Teremos tempo para te arrependeres dele. 😉

    1. Fazes bem, Ana. Se os livros não fossem para ser empilhados Deus não os tinha feito com um formato que torna o empilhamento tão natural.

      E ‘Apenas Miúdos’ até é um bom livro para ir lendo devagar, no intervalo de outros – afinal, já se sabe como acaba. 🙂

  1. A Patti Smith ainda está viva, mas é de facto impressionante a lista de músicos que morrem prematuramente, em sucessivos impulsos de autodestruição. Ao contrário do que sucede com pintores ou arquitectos, por exemplo. Hei-de voltar ao assunto, meu caro.

    1. Pedro, não gosto da expressão “sucessivos impulsos de autodestruição”. De qualquer forma vou tê-la em conta, amanhã, quando estiver a conduzir para o meu local de trabalho.

    1. Faz muito bem, João.

      Obrigado pelo link. Eu conhecia essa versão, até porque a minha primeira ideia era pôr um vídeo dos anos setenta a ilustrar o post. Mas depois, ao pesquisar no YouTube, vi este e achei que, não tendo a “pureza” do que você indica, tem uma alegria fantástica.

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