Banho de ética – enésimo episódio


Diogo Novo,

Carlos Eduardo Reis anunciou hoje ao país que votará favoravelmente a moção de confiança que Rui Rio apresentará ao Conselho Nacional do PSD. Reis lidera a segunda lista mais representada no referido Conselho, composta por 13 pessoas. É um apoio de grande importância para Rio. Pode mesmo ser decisivo.

Além de escrever artigos pouco ponderados e quase ininteligíveis, Reis é um dos principais suspeitos na Operação Tutti Frutti, a investigação policial que, entre outras coisas, contempla uma alegada rede de favorecimento das empresas de Reis por parte de autarquias lideradas pelo PSD.

Carlos Eduardo Reis é, evidentemente, inocente até prova em contrário. Não pode nem deve ser de outra forma. Acontece, porém, que estamos a falar de política e da ambição de gerir a coisa pública. Como explicou de forma exemplar Miguel Macedo em 2014, o exercício de cargos públicos – e a intenção de os ocupar, acrescento eu – requer autoridade e exige respeito pelas instituições. Reis não o deve compreender, mas Rio está obrigado a isso. O banho de ética, até ao momento adiado, pode aproveitar este Conselho Nacional para dar sinais de vida.

0 comentários em “Banho de ética – enésimo episódio”

  1. Quem poderia fazer alguma coisa com um Kosta a prometer um Mundo! Rio fez muito bem em reservar-se porque começam a a parecer as mentirolas.
    Montenegro não tem saber para discutir números é só blá blá. Autoconvencido e preocupação de lugares.

  2. o exercício de cargos públicos – e a intenção de os ocupar, acrescento eu

    Mas, que eu saiba, C.E.Reis nem exerce cargos públicos, nem é candidato a ocupar qualquer cargo público.

    Ademais, cabe aos eleitores, e não ao sistema judicial, julgar quem se candidata a cargos públicos. Ou seja, se C.E.Reis alguma vez se candidatar a algum cargo público, terá toda a legitimidade para o fazer – caberá somente aos eleitores decidir se o devem eleger ou não.

    1. ” caberá somente aos eleitores decidir se o devem eleger ou não.”

      Com um sistema eleitoral assente em listas fechadas, quem elege são os partidos, ao colocarem alguém num lugar eligível. Os eleitores apenas votam em listas, não em pessoas.

    1. Exatamente. Este é um país muito falho de ética, mas sempre pronto a exigir ética aos políticos.

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