Balanço de Inverno (4)


Sérgio de Almeida Correia,

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 (Paulete Matos/Divulgação)

4. O BE entra em 2016 a viver os seus cinco minutos de fama. Podem vir a tornar-se em quinze ou vinte se a sua liderança for capaz de se manter unida e consistente no apoio ao PS, sem alinhar num jogo do tipo daquele que entremeia as falinhas do avô Jerónimo com o estilo da camarada Ana Avoila “quando não lhe dão as batatas e o carcanhol à hora combinada”. A liderança do BE colou-se a uma imagem e a um discurso de mudança e modernidade, nem sempre correspondida, num enquadramento de amizade colorida em que dá a imagem de estar dentro estando fora, levando o açúcar e os bolinhos para o café mas sem se comprometer demasiado para no primeiro momento poder mandar o PS desamparar a loja porque o Verão está a chegar e é hora de se fazerem à vida. O arranjo serve enquanto der frutos. Na pior das hipóteses, se começar a correr mal, vai-se comer um peixinho ao Meco enquanto eles discutem. Para a maioria dos portugueses, incluindo dos seus eleitores, a incógnita permanece. Saber até que ponto o BE se tornou numa força com a qual se pode contar para uma solução de governo, capaz de se responsabilizar e de ser responsabilizado, continua a ser uma incógnita. Os temas fracturantes não são infinitos, as bandeiras expostas ao vento, ao sol e à chuva perdem cor, desfiam-se. A resistência da sua liderança à conjuntura e aos apelos mais radicais constituirá a sua prova de fogo e será interessante seguir os movimentos na sua base e as iniciativas parlamentares que irão tomar ao longo da presente sessão legislativa. A começar já pela próxima discussão do Orçamento de Estado. Aqui ir-se-á jogar a primeira carta do futuro deste Governo e do BE.

0 comentários em “Balanço de Inverno (4)”

  1. Meu caro, hoje mais que nunca têm de haver comentários construtivos e este não é. Se não acreditarmos no governo que tem como lema, aliviar, aqueles que foram até hoje, penalizamos e nos que o apoiam, não vale a pena continuarmos nesta UE que não constrói nada e nada faz pelos cidadãos, mas tudo faz a favor de grupos e agências de rating. Que nos interessa eleições se quando votamos Bruxelas não os deixa governar? Que nos interessa continuar nesta UE se vamos estar oprimidos e sem podermos decidir nada e cheios de austeridade? Se o nosso futuro na UE que nunca controlou, o dinheiro que mandava, nem nunca viu nem questionou se um dia poderíamos pagar, aquilo que vinha e que muitas vezes era imposto pela UE, é austeridade, então que tenhamos austeridade, mas soberanos.

        1. Olhe que não é de ortografia, é pior. E desculpe, eu pensava que a asneira importa. Acha mesmo que não? O que nos venha à cabeça serve?

  2. Os temas fracturantes não são infinitos

    Infinitos não são, mas ainda os há, e bastante morosos de tratar. Nomeadamente, as variadas formas de eutanásia e/ou suicício assistido e as variadas formas de legalização das variadas drogas.

    1. E é: quatro borrachinhos a mandarem em Portugal. Por estas e outras eu (homem) sou a favor de muitas mulheres na política. Sempre me senti e sinto bem com elas.

  3. Quando penso em fracturantes, imagino reaccionários e conservadores a serem sovados por um bando de quebra-ossos – até engolirem os ditos temas, pelas goelas abaixo.

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