Balanço da entrevista


Pedro Correia,

José Sócrates não sabe de nada. Desconhecia que a PT – onde o Governo possui uma golden share – queria comprar a TVI, em Junho de 2009, três meses após ele mesmo ter eleito esta estação televisiva como alvo principal de críticas na abertura do congresso socialista. Desconhecia que o seu amigo Armando Vara esteve pessoalmente envolvido nessa operação de venda, abortada pelas notícias saídas na imprensa "hostil". Ignorava que Luís Figo assinou um contrato milionário com a Tagus Park – em cuja administração estava o seu amigo Rui Pedro Soares, simultaneamente um operacional da campanha eleitoral do PS – no próprio dia em que entendeu apelar ao voto no partido do Governo. Alega que Rui Pedro Soares, ex-responsável pelo site da sua candidatura à liderança do PS, não entrou pela sua mão para a administração da PT. Reconhece ter jantado várias vezes com Rui Pedro Soares mas jura que nunca falaram de nada disto.

Quando o vento sopra de feição, ele soube de tudo e foi responsável por tudo. À mínima brisa contrária, torna-se a pessoa mais ignorante do País, como ficou patente na entrevista de ontem à SIC – a primeira em que permaneceu à defesa durante o tempo todo. É um estilo de governação que o define. E que caracteriza um ciclo político que está prestes a esgotar-se.

16 comentários em “Balanço da entrevista”

  1. Um primeiro-ministro que está (como esteve) à defesa do princípio ao fim daquela entrevista, só pode mesmo estar a marcar o fim do ciclo político que criou ou quis criar e que é o seu próprio ciclo.

  2. Que “ciclo político” é que “está prestes a esgotar-se”, por quê e como?

    É que, iniciou-se um novo ciclo político ainda há pouco tempo, em Setembro do ano passado, e não vejo como é que ele possa acabar tão cedo. Nesse ciclo político que se iniciou o PS, sob a liderança de José Sócrates, saiu vencedor.

    Não vejo como é que esse ciclo político possa acabar agora, e aliás não vejo ninguém que esteja de facto com muita pressa de que ele acabe.

    Eu aconselharia o Pedro Correia a ter calma. Nenhum ciclo político vai acabar tão cedo, a não ser que haja um golpe de Estado. No nosso sistema constitucional os ciclos políticos só mudam quando há eleições legislativas. E parece-me muito improvável que as vá haver tão cedo. É que, sabe, as sondagens indicam que, se voltasse a havê-las, os resultados seriam muito idênticos aos ainda recentemente obtidos…

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