Se eu fosse ministro das Finanças teria tido vergonha de receber uma carta de uma comissária europeia a recriminar-me em 2014, ter saído no final de 2015 sem nada ter feito para resolver a situação e ainda ser acusado por uma ex-ministra das Finanças do meu partido de varrer para debaixo do tapete e colocar o prestígio pessoal acima do interesse nacional. Se tivesse sido primeiro-ministro teria tido vergonha de dizer que me estava a lixar para as eleições e depois deixar um problema que eu sabia que tinha urgência em ser resolvido arrastar-se para não prejudicar o resultado eleitoral, sabendo que iria prejudicar o país e os contribuintes mais do que aquilo que seria exigível se o assunto ficasse para outros resolverem ao soar do gongo. Se fosse Presidente da República teria alertado para a situação descrita e não me teria empenhado numa solução de governo conivente com o arrastamento da situação. Se agora fosse oposição procuraria falar de tudo menos do que não fiz durante um anos e devia ter feito para não serem os socialistas a solucionarem e depois virem dizer que foram eles a resolver apesar dos custos financeiros acrescidos. E, finalmente, se agora fosse governo procuraria resolver tudo o que ficou pendente, sem fazer mais ondas, limpava o galheteiro para o azeite não continuar a escorrer e a sujar a toalha, com pouco falatório e evitando mais acusações, mas deixando tudo devidamente documentado e discriminado na factura que há-de ser remetida aos portugueses. De preferência num papel limpo e sem mais manchas de gordura.
Como não sou nada disso tenho que me limitar a ler e a tirar as minhas conclusões.


E pensa que a partir de agora a dita classe política terá procedimento diverso ?.
Para melhor ou para pior se possível) ?.
É que a Lei que os seleciona (elege), e mantém no poder continua a mesma, não é?.
Leio já muitas certezas quanto a um processo de venda executado enquanto o procedimento de avaliação da ajuda estatal ao BANIF por parte da DG Com ainda nem sequer terminou, isto é, ainda corremos o risco de estar a pagar (e bem!) por uma ação que afinal pode ainda vir a ser considerada legal.
As ações que levaram ao levantamento em poucos dias de cerca de €1.000M em depósito e a pressa em resolver o assunto de forma extemporânea é que andam a passar pelos pingos da chuva.
Sei que são textos algo longos mas também obrigatórios para quem pretende escrever e comentar o tema de forma mais informada e imparcial: mia/2015/12/23/algumas-notas-soltas-sobr e-o-banif/
http://blogues.publico.pt/tudomenosecono
http://www.zerohedge.com/news/2015-12-21/c ost-very-high-portugal-taxpayers-face-%E 2%82%AC3-billion-loss-after-second-bank-b ailout-2-y
Tem razão: aquelas notícias sobre o Banif, postas a circular num domingo à noite, não deviam passar despercebidas; aquelas afirmações, do ex-presidente do Banif, de que as contas estavam auditadas e de que estava tudo clarinho e tudo certinho, não devem ser esquecidas; aquele negócio com o Santander, feito a correr e encerrado num domingo à tarde, tem muitas nuances esquisitas.
Por isso e pelo muito mais que havemos de saber, parece aconselhável não ter certezas sobre esta desgraceira que nos caiu em cima da cabeça.
Se não quer empurrar os problenas então está a favor de défice zero ou é só neste caso?
“Se fosse Presidente da República teria alertado para a situação descrita e não me teria empenhado numa solução de governo conivente com o arrastamento da situação.”
Muito bem. Mas disse o mesmo a quando do Governo Sócrates?
Com Cavaco também silencioso e sem fazer nada?
E onde está o texto sobre o recente decisão de aumento da Dívida em 11 milhões o que implica pagar mais juros? Não é empurrar também?