Azeite muito gorduroso


Sérgio de Almeida Correia,

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Se eu fosse ministro das Finanças teria tido vergonha de receber uma carta de uma comissária europeia a recriminar-me em 2014, ter saído no final de 2015 sem nada ter feito para resolver a situação e ainda ser acusado por uma ex-ministra das Finanças do meu partido de varrer para debaixo do tapete e colocar o prestígio pessoal acima do interesse nacional. Se tivesse sido primeiro-ministro teria tido vergonha de dizer que me estava a lixar para as eleições e depois deixar um problema que eu sabia que tinha urgência em ser resolvido arrastar-se para não prejudicar o resultado eleitoral, sabendo que iria prejudicar o país e os contribuintes mais do que aquilo que seria exigível se o assunto ficasse para outros resolverem ao soar do gongo. Se fosse Presidente da República teria alertado para a situação descrita e não me teria empenhado numa solução de governo conivente com o arrastamento da situação. Se agora fosse oposição procuraria falar de tudo menos do que não fiz durante um anos e devia ter feito para não serem os socialistas a solucionarem e depois virem dizer que foram eles a resolver apesar dos custos financeiros acrescidos. E, finalmente, se agora fosse governo procuraria resolver tudo o que ficou pendente, sem fazer mais ondas, limpava o galheteiro para o azeite não continuar a escorrer e a sujar a toalha, com pouco falatório e evitando mais acusações, mas deixando tudo devidamente documentado e discriminado na factura que há-de ser remetida aos portugueses. De preferência num papel limpo e sem mais manchas de gordura.

Como não sou nada disso tenho que me limitar a ler e a tirar as minhas conclusões.

0 comentários em “Azeite muito gorduroso”

  1. E pensa que a partir de agora a dita classe política terá procedimento diverso ?.
    Para melhor ou para pior se possível) ?.

    É que a Lei que os seleciona (elege), e mantém no poder continua a mesma, não é?.

  2. Leio já muitas certezas quanto a um processo de venda executado enquanto o procedimento de avaliação da ajuda estatal ao BANIF por parte da DG Com ainda nem sequer terminou, isto é, ainda corremos o risco de estar a pagar (e bem!) por uma ação que afinal pode ainda vir a ser considerada legal.

    As ações que levaram ao levantamento em poucos dias de cerca de €1.000M em depósito e a pressa em resolver o assunto de forma extemporânea é que andam a passar pelos pingos da chuva.

    Sei que são textos algo longos mas também obrigatórios para quem pretende escrever e comentar o tema de forma mais informada e imparcial:
    http://blogues.publico.pt/tudomenoseconomia/2015/12/23/algumas-notas-soltas-sobre-o-banif/

    http://www.zerohedge.com/news/2015-12-21/cost-very-high-portugal-taxpayers-face-%E2%82%AC3-billion-loss-after-second-bank-bailout-2-y

    1. Tem razão: aquelas notícias sobre o Banif, postas a circular num domingo à noite, não deviam passar despercebidas; aquelas afirmações, do ex-presidente do Banif, de que as contas estavam auditadas e de que estava tudo clarinho e tudo certinho, não devem ser esquecidas; aquele negócio com o Santander, feito a correr e encerrado num domingo à tarde, tem muitas nuances esquisitas.
      Por isso e pelo muito mais que havemos de saber, parece aconselhável não ter certezas sobre esta desgraceira que nos caiu em cima da cabeça.

  3. Se não quer empurrar os problenas então está a favor de défice zero ou é só neste caso?

    “Se fosse Presidente da República teria alertado para a situação descrita e não me teria empenhado numa solução de governo conivente com o arrastamento da situação.”
    Muito bem. Mas disse o mesmo a quando do Governo Sócrates?
    Com Cavaco também silencioso e sem fazer nada?

    E onde está o texto sobre o recente decisão de aumento da Dívida em 11 milhões o que implica pagar mais juros? Não é empurrar também?

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