Já nem vou falar da aberração que é criar sete prédios com 18 andares à beira do rio. Não. Prefiro chamar a atenção para a parte a negrito desta notícia:
"A Câmara de Lisboa decidiu ontem pôr à discussão pública a possibilidade de nascerem na zona da Matinha, junto à linha férrea e nas imediações do rio, sete torres de 18 ou 19 andares cada uma. O plano de pormenor em que se insere esta urbanização […] foi encomendado pela autarquia ao gabinete de arquitectura Risco, que pertenceu até há pouco mais de dois anos ao actual vereador do Urbanismo de Lisboa, Manuel Salgado.
Em 2005, a autarquia estabeleceu para aquela zona, situada perto da Expo, um índice de construção hoje considerado por muitos excessivo. […] A opção do gabinete de arquitectura, que é hoje dirigido pelo filho de Manuel Salgado, passou por fazer crescer em altura sete dos prédios da urbanização, de forma a permitir alguma área livre ao nível do solo."
Uma Câmara. Um vereador que chefiou um gabinete de arquitectura. Uma encomenda feita pela Câmara ao dito gabinete. Um gabinete chefiado pelo filho do actual vereador. O mais curioso? Todos acharam normalíssimo.

«Uma Câmara. Um vereador que chefiou um gabinete de arquitectura. Uma encomenda feita pela Câmara ao dito gabinete. Um gabinete chefiado pelo filho do actual vereador.» Portanto, tudo isto se sabe. Logo, nada pode ser mais claro…
Tudo claro. Tudo normal.
As pessoas que receiam que o casamento gay ameace a instituição familiar estão enganadas. A Família está de boa saúde. E a Sicília aqui tão perto…
A Família está bem e recomenda-se, é um facto!
Bem mais preocupante do que a corrupção com impacto financeiro directo – ganhos indevidos -, é a corrupção intelectual, que este post bem retrata.
Sem dúvida, Salcedo. Só uma mente retorcida desconfiaria do caso apenas por encontrar uma teia impressionante de coincidências.
Este Salcedo deve trabalhar na Risco. Ou então acordou um nadinha mal-disposto.
Eu não acho normal, muito menos normalíssimo, por isso mesmo aguardo os esclarecimentos que se impõem.
Espero que esteja sentado, meu caro. A explicação deve demorar…
Isto é revoltante!!!
Um bocadinho.
«Todos acharam normalíssimo»? É claro que sim, José, não se esqueça que isto se chama Portugal, o país onde os sucateiros são amigos dos banqueiros, onde os ministros são amigos dos construtores civis, os ex-ministros são administradores de grandes construtoras e onde tudo funciona na base das grandes amizades, dos conhecimentos e até de relações familiares, como se vê por aqui. Mas estejamos descansados que nada disto é promíscuo, não senhor!
Uma série de coincidências, é o que é!
Nada que o PSD não tenha ensaiado noutros contextos, donde se prova que no essencial são partidos gémeos. Pior do que isso é o facto de o restante leque parlamentar ser constituído por dinossauros, filhos de dinossauros e um outro partido cuja única mais valia é o seu líder e o seu afã de visibilidade (se o homem tiver um enfarte o partido cai para os 3-4 %). Bem servidos, portanto.
«Nada que o PSD não tenha ensaiado» e executado. O que não serve para não sermos cada vez mais exigentes, certo? À degradação, promiscuidade, compadrio e falta de ética devemos contrapor a exigência, ou tudo isto continuará no rumo “de mal a pior”.
E o que é o PSD tem a ver com isto? O caso é grave, fosse a CML governada pelo PS ou pelo PNR. Simples.
Mais do mesmo. Sempre. Será que temos de carregar eternamente esta cruz? Este executivo camarário está a decepcionar cada vez mais os seus apoiantes.
Eu não fui apoiante, mas pensei, pelo menos, que António Costa tinha a seriedade suficiente para não se vender a estes nepotismos. Pelos vistos, enganei-me.
José
Sem querer ser mazinha… mas os lisboetas não votaram nele? Nessa estranha amálgama PS+Cidadãos por Lisboa(?)+BE+já não me lembro…?
Então…?
O voto não legitima todos os comportamentos…
José
Tem razão.
O que eu queria dizer é: os cidadãos lisboetas não tinham já elementos suficientes para não apostar nessa proposta? A sua ingenuidade é que me surpreende.
De um executivo camarário que fez do Zé a sua figura emblemática tudo é de esperar. O pior, quero eu dizer. Que diferença em relação ao primeiro mandato de António Costa. Mas o mais chocante é a indiferença geral com que tudo isto é acolhido. Como se já não sobrasse capacidade de indignação aos portugueses – e aos munícipes lisboetas em particular.