Podia ser pior


eventhorizon,

Como é evidente, não faço a mais pequena ideia a que propósito vem este "PS" de Emídio Rangel (que li neste post de Helena Matos, no Blasfémias). Quando o li, ocorreu-me um pensamento engraçado: antigamente alguns jornalistas começavam como "paquetes" – diz-me o dicionário que o termo, no contexto, traduz-se por "moço de recados" (não me parece que os significados aqui sejam "navio de comércio" ou "menstruação"). Não vejo qual é o problema, sobretudo se compararmos com o nosso tempo. Os jornalistas de amanhã são (quase sempre) estagiários não remunerados hoje. Se calhar os "paquetes" de outros tempos ainda ganhavam ao "recado" – o que me faz pensar que a profissão andou para trás, e não para a frente.

Morrer na praia?


eventhorizon,

Hoje, na apresentação do estudo da Deloitte sobre o impacto da "alta velocidade" no sector do Turismo, o ministro das Obras Públicas disse que, com o TGV, Lisboa pode passar a ser "a praia de Madrid". E disse-o sem se rir, o que me pareceu uma proeza.

Delirante


eventhorizon,

Será talvez um bom adjectivo para classificar isto.

 

Na verdade, nos dias que correm coisas destas já nem surpreendem. Argumentar que "as personagens brancas constatam que são cúmplices de um sistema que destrói alienígenas, pessoas de cor, e então decidem tornar-se líderes desse povo que oprimem" requer delírio, sim, e perder três horas de filme a arranjar maneira de o encaixar nos seus próprios complexos de inferioridade. Ou nem ver o filme de todo, claro.

 

Já a segunda crítica, por outro lado serve de aviso, e de aviso duplo: argumentistas de todo o mundo, incluam personagens LGBT nos vossos guiões, ou serão rotulados de "homofóbicos"; e o futuro será "transgénero e não heterossexual", com "a evolução da espécie humana – e das alienígenas – vai conduzir ao fim da divisão entre homem e mulher". Isto seria cómico se não fosse trágico.

A “caixa de Pandora” de Cameron


eventhorizon,

Diz a crítica e o público que o ponto fraco de Avatar, a mais recente odisseia cinematográfica de James Cameron, é o argumento – pouco original, desinspirado, com influências óbvias (há quem fale mesmo em cópia) de filmes como Danças com Lobos, Mononoke-hime ou Pocahontas, e uma grande dose de "ambientalismo". A verdade é que também o mais premiado filme de Cameron, Titanic (ganhou onze Óscares, feito só igualado por Ben Hur e O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei), tinha um argumento tudo menos original: combinava o cliché boy meets girl com um toque de "luta de classes" (rapaz pobre conhece rapariga rica), e colocava ambos os clichés na tragédia do transatlântico Titanic – que, tragicamente, passa para segundo plano (é preciso esperar duas horas para o barco começar a afundar). O argumento de que o argumento – passe a redundância – é pobre, para mim, não convence. É importante, claro, mas creio que, acima de tudo, importa que um filme tenha uma história bem contada. E se há coisa que Cameron faz bem é precisamente isso – contar histórias, e contá-las bem.

A meu ver, Avatar é precisamente isso: uma história relativamente simples, visualmente sólida e muito bem contada. Sim, já foi contada antes (de outras formas). E tornou a sê-lo agora, numa excelente adaptação ao género de ficção científica – e se é verdade que, enquanto filme, não chega ao patamar de 2001: A Space Odyssey ou Star Wars, não creio que seja isso que o tornará menos influente no seu tempo do que aqueles foram. Visualmente, o filme é deslumbrante, e impressiona como poucos – pelos cenários, pela atenção ao detalhe, pelo realismo das cenas de batalha. Mas o realismo de Avatar vai mais longe, e pela primeira vez foi possível conceber personagens em animação 3D com rostos e gestos verosímeis, capazes de transmitir emoções (compare-se com a curta The Last Flight of the Osiris ou mesmo com o filme Final Fantasy: The Spirits Within). Está ainda para saber se Cameron abriu ou não uma "caixa de Pandora" no que diz respeito às potencialidades visuais do cinema. Veremos.

De resto, e voltando ao argumento, Avatar fez-me pensar mais noutras influências, mais próximas do género fantasia que ficção científica, que não aquelas mencionadas à exaustão. O suposto "ambientalismo militante" do filme passou-me ao lado – o que leva os Na’vi a defenderem a sua floresta não é ambientalismo, é muito mais do que isso, mas esse é um tópico que para já não irei aprofundar por não querer incluir aqui spoilers.

A verdade é que o género ficção científica não teve, ao longo da década, o brilho de outros tempos – apesar de terem saído alguns excelentes filmes, como as duas sequelas de Matrix – Reloaded e Revolutions, ou Serenity. É por isso bom voltar a ter, em Avatar, um excelente épico de ficção científica. Daqueles que realmente justificam a ida a uma boa sala de cinema – com ou sem 3D. O que, nos dias (e nos torrents) que correm, vai sendo cada vez mais raro.

 

Apresentação


eventhorizon,

Escrevi uma vez que o primeiro post num blogue é sempre o mais difícil. Tinha realmente razão, e este texto é a prova disso. Talvez por isso deva começar por agradecer ao Pedro Correia o convite para escrever aqui no Delito de Opinião, blogue que acompanho desde o primeiro dia. De seguida, creio ser boa ideia apresentar-me: o meu nome é João Campos, alentejano de gema, blogger por gosto, benfiquista desatento. Poderia dizer mais coisas, mas o resto certamente aparecerá ao longo dos meus delitos. Por fim, deixo a todos os autores e leitores do Delito de Opinião as minhas saudações. É já um prazer estar aqui.

Apresentação.


eventhorizon,

Disse uma vez que o post mais difícil de escrever num blogue é o primeiro, e tinha razão. Quase tão difícil como escrever títulos (para mim, claro). Por isso, começo pelo mais elementar, que é agradecer ao Pedro Correia o convite para escrever aqui no Delito de Opinião, blogue que acompanho desde o início. E apresento-me: o meu nome é João Campos, e sou alentejano de gema, apesar de viver em Lisboa. Até ao presente, tenho comentado por aqui como "john" – por nada de especial, João é um nome comum e a maior parte dos meus amigos evita confusões com a tradução possível para o inglês. Enfim, hábitos. Para os delitos diários fica mesmo o meu nome.

 

Sei que é uma apresentação breve, mas sobre o resto conto escrever por aqui, em forma de delito. A todos os autores e leitores do Delito de Opinião, deixo desde já as minhas saudações.