Pensamento da semana


João de Teste,

Não me recordo quem disse que, em vez de se retirarem pês e cês a Egiptos e actos porque algumas pessoas deixaram de os ler, seria melhor simplesmente voltar-se a ensinar a leitura e expressão correctas das palavras tal como elas são. Não penso ser uma ideia isenta de mérito. É que a continuar por este caminho que vamos seguindo, um destes dias há-de vir um outro qualquer Malaca Casteleiro propor que o Ó de passeios passe a ser facultativo – pois cada vez mais ouço pessoas dizerem “os passeis” em vez de “os passeios”.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

Dia mundial do livro


João de Teste,

«Fargas meteu as mãos nos bolsos das calças e passeou junto dos livros, oscilando sobre a perna inválida, olhando-os um a um. Parecia um magro e desastrado Montgomery que passasse revista às suas tropas em El Alamein.

– Às vezes nem lhes toco nem os abro. – Detivera-se, inclinando-se para reajustar um volume na sua fila, sobre a velha alcatifa. – Limito-me a limpar-lhes o pó e a contemplá-los durante horas. Conheço em pormenor o que há sob cada encadernação (…)

Corso folheou um livro. Era um exemplar magnífico, também com margens muito largas. Devolveu-o ao seu lugar com cuidado antes de se erguer, limpando os óculos com o lenço. Aquilo era capaz de provocar suores ao mais frio.

– O senhor não está bom da cabeça. Se vendesse isto tudo, não teria problemas económicos.

– Eu sei. – Fargas inclinou-se para rectificar imperceptivelmente a posição do livro. – Mas se vendesse isto tudo, já não teria razão para continuar a viver e portanto ser-me-ia indiferente deixar de ter problemas.»

Arturo Pérez-Reverte, O Clube Dumas

Expats


João de Teste,

Descobri ontem à noite, pela intensidade dos festejos audíveis em todo o bairro, algo que desconhecia por completo: que vive aqui uma numerosa comunidade de expats oriundos de Manchester.