O governo veio recentemente a público com o plano de atrair emigrantes através de um corte de 50% no IRS (se o entendi bem). Não pretendo falar da bondade, benefícios ou eficácia da medida para o país. Prefiro referir-me antes do ponto de vista dos emigrantes, sem nunca pretender falar por mais niguém que por mim.
A realidade é que, antes de mais, não é muito provável que eu venha a beneficiar desta medida. Independentemente das vantagens que eu pudesse obter dela, há razões pessoais que me prendem a onde estou. Há no entanto uma questão prática que gostaria de abordar: qual o benefício, em dinheiro, da medida.
Vejamos os números em termos genéricos: O salário médio em 2016 era de 1.108 €. O salário médio para profissionais qualificados: 901 €. O salário médio para profissionais altamente qualificados, 1.407 €. O valor de IRS pago para cada grupo era, respectivamente, 147 €, 97 € e 232 € por mês (usando um simulador do Montepio que obtive da net). Mensalmente isso daria em poupanças de 74 €, 48 € e 116 €. Assumindo que ambos os membros de um casal voltariam, beneficiariam do regime, e receberiam o mesmo (improvável), as poupanças seriam a dobrar.
Olhando simplesmente para o meu caso, decidi comparar o custo de vida entre Maastricht. Pelo que se vê neste calculador, eu precisaria de perto de 2.850 € por mês (líquidos) para ter o mesmo nível de vida que 3.600 € ofereceriam em Maastricht (o valor não é particularmente alto para um casal). Mesmo para o valor médio de profissionais altamente qualificados, não chegaria lá nem em valores brutos. Uma poupança de 232 € por mês não beliscariam isto.
Isto é só um exemplo e o simulador vale o que vale. Poder-se-ia olhar antes para Amesterdão ou Düsseldorf ou Londres (tudo com base de 3.600 € por mês para um casal na cidade), locais onde seria mais provável ver os portugueses. O resultado acaba sempre semelhante: se levarmos os prováveis salários líquidos (brutos menos IRS reduzido menos contribuições sociais), o emigrante perdera qualidade de vida (do ponto de vista financeiro) ao regressar.
Haverá certamente outras vantagens, mas a verdade é que será difícil atrair muitos portugueses à custa desta medida. Isto sem entrar pelo lado dos hábitos do trabalho ou outras vantagens. Haverá quem regresse, mas arrisco dizer que já o considerariam antes. Dos outros, não espero regressos à custa disto.

Conhecendo o mundo de fora sempre me interroguei sobre, não a razão de se querer sair, mas sim a de por cá se querer ficar. Quem sobrevive em Portugal, pois por aqui não se vive, vinga em qualquer outro lado do chamado mundo ocidental
Em tempos escrevi algo sobre isso. Há muits e boas razões para se querer ficar, sendo que muitas delas rodam em torno do facto de Portugal ser o país onde crescemos, que conhecemos, onde temos amigos e família, e onde acabamos por ter o nosso coração.
Profissionalmente é fácil sair, mas em termos privados há sempre a tentação de voltar.
Os portugueses qualificados que estão no estrangeiro não vão voltar, já passaram as passas do Algarve para poderem orientar a sua vida lá fora e sabem que lá lhes dão valor.
Uma medida tipica dos politicos actuais e dos anteriores da paf que também se lembrou do mesmo.
WW
Todos os políticos procuram medidas para atrair os emigrantes. Só que, pelo menos no que diz respeito aos qualificados e que não foram necessariamente por não terem emprego, o problema está mais nas condições de trabalho em Portugal que são do tipo que não gostam (hierarquização mais evidente, orbigação de obedecer a chefes que têm poucas qualificações, burocracia estonteante de tudo e mais alguma coisa, ser olhados de soslaio se saem mais cedo, etc, etc, etc).
Argumentação imbatível. Que demonstra a ingenuidade com que o PM, em exercício, se deixa levar pela ala folclórica no seu partido.
Outra interpretação, óbvia, na origem de tão insólita, tão “ad hominem law”. Fácil. Com está pejada de especificidades semelhante aberração legislativa permite, fácilmente, percebr do que se trata.
Jotinhas PS que não conseguiram lugarzinhos no estado por serem da cor errada, ao tempo, conseguiram pressuadir, agora, o PM, PS, e o seu famoso gabinete que voltaram para salvar Portugal !!!. Naõdeixam a coisa por menos.
Mas sim, desde que com as referidas benesses e para uns lugarzinhos no estado, que estão à espera.
Realmente aprenderam lá fora que sim, a vida real não é o erasmo.
E que há horários e tarefas, por vezes desagradáveis, a cumprir. Quantos serão (seriam) empregues pelo Estado socialista/comunista?. Aguardemos.
“Se non e vero e ben trovato”.
Enquanto os patrões (incompetentes como tudo) em Portugal continuarem a pagar salários da treta os emigrantes nunca regressarão.
Mais ainda que os salários, aquilo que afasta os emigrantes é a atitude.
Estes são os chamados truques de retórica para procurar demonstrar que alguma coisa se fez, mas que os alvos não aceitaram. Vieira da Silva já tinha afirmado que a proposta não resolveria nada.
Esta geringonça não sabe o que fazer. Fez uns truques, reverteu medidas. Mas é incapaz de dizer que essa reversão está a ser feita à conta das cativações na saúde, nos transportes e até mesmo nos investimentos. Embala na especulação imobiliária para ver se aumenta a colecta. Porém, nada fez e nada melhorou que não governar para as clientela eleitorais habituais, em particular a função e/ou administração pública.
Pedro Santana Lopes entrou no momento certo. E se ninguém aparecer para continuar a obra de Seguro, Santana tem uma oportunidade de ouro para chamar a si a ala do PS, que é vasta, que não se revê na esquerda coitadinha. Tudo isto vem a propósito das contas que devem ser feitas.
“Haverá quem regresse, mas arrisco dizer que já o considerariam antes”
Este é que é o verdadeiro problema. O País vai estar a dar um bónus àqueles que viriam de qualquer maneira, com custos orçamentais significativos e com vantagens marginais…
Isos não é um problema. Se já voltaram antes, não beneficiam. Se voltariam na mesma, o orçamento perde. Se alguns acabam por se decidir a voltar devido a isto (imagino que poucos, mas haverá certmente alguns), pelo menos o estado arrecadará algum dinheiro (50% é menos que 100% mas mais que 0%), entre o IRS e o IVA.
Ninguém volta para ganhar metade do ordenado ou menos. E para cobrir essa diferença não há desconto do IRS que resista. Isto é tão óbvio que a proposta de baixar o IRS para metade não pode ser séria. É apenas show off.
Já há uns 5 anos tive uma discussão para voltar para uma posiçãoq ue, em termos de responsabilidades e tarefas, estava bem acima da que tinha na altura. Quando me perguntaram o valor que eu queria dei um valor de 60% daquilo que ganhava na altura. Disseram-me que estava uns 40% acima daquilo que podiam pagar. Desejei-lhes boa sorte na busca de alguém com “pelo menos 5 anos de experiência internacional”.
50% no IRS não mudariam nada. Especialmente se algumas empresas decidirem reduzir os salários oferecidos à custa disso.