Aterrar na Portela


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Mia Couto aterrou agora no aeroporto da Portela. E narra aqui, com “Indignação“, a inaceitável experiência, horas de espera no controlo fronteiriço.

 

Desta situação eu retiro dois pontos. O primeiro é paliativo: se os serviços do SEF estão ali em colapso é óbvio que alguma instituição deveria estar em campo, ajudando os passageiros, minorando o desconforto, informando, distribuindo víveres, cadeiras, etc. A inexistência desse apoio é mesmo o pior. Pois crises há em todo o lado mas o desprezo pelos outros, “vientes”, nem sempre vigora.

 

O segundo ponto é um desejo, mais estrutural. Este governo é recente e tem de arcar com o legado das incapacidades dos anteriores governantes. Tenhamos esperança, mas exigente, que a nova liderança resolva a contento esta grave incapacidade deste serviço público, que se arrasta já há anos.

45 comentários em “Aterrar na Portela”

  1. Alguém definiu quantos passageiros devem ser processados por funcionários, nos diversos cenários possíveis?
    Alguém estabeleceu as regras que devem colocar as situações críticas fora do fluxo das situações normais e a cargo de pessoal a isso destinado.

    A cambada leva tudo de letra, sem regras, nem controlo, sem premiar nem punir, na fresca ribeira da tolerância abrilesca… e o país que se f*!

      1. Por amor à verdade, há 7 anos que o Dr. António Costa rege a sua cartilha . E sempre recuando. Devagarinho vai ser tentado a gastar todo o cheque que recebeu de Bruxelas – a tal bazuca – . Que grande chatice.

  2. O problema é que o governo anterior queria fazer uma reforma, neste caso a extinção do SEF e o actual decidiu congelar essa reforma e agora aí estão os resultados.

    1. Aviões vazios? Eu sei que é de bom tom zurzir na TAP. E haverá boas razões para isso. Mas não essa. Experimente falar (escrever) do que sabe. Não teria escrito essa imbecilidade. Provavelmente não escreveria de todo.

      1. Para não perder os slots era o que as concorrentes diziam que a TAP fazia.
        Nada tenho contra a TAP, aliás nunca deveria ter sido privatizada assim como a Groundforce porque no meio dessas negociatas é que se somem boa parte dos milhões.

  3. Nacionalizem a ANA e privatizem o SEF e ponham um observatório a analisar o problema e ONG a cuidar de quem espera na fila.

  4. O que é que esperava se andamos há décadas a discutir a localização do novo aeroporto? e é melhor contar com mais 10 a 15 anos, no mínimo, até estar resolvido. Até lá, de ano para ano será pior. O melhor mesmo é não viajar para fora do espaço Schengen e evitar fins de semana.

    Quanto os turistas, já devem estar a tomar em consideração a travessia do aeroporto de Lisboa antes de se lançarem ao ar.

        1. Nós podemos até sorrir, e avançar estas hipóteses, mais ou menos sarcásticas. Mas, de facto, é terrível ver o contexto internacional e termos um governo exaurido e sem uma real perspectiva desenvolvimentista. E um eleitorado que o apoia (o que é muito pior do que haver punhados de defensores a construir opinião pública)

          1. O que vem aí não vai ser bonito e vai ser o diabo para aguentar o coice. A lista do que foi mal feito é demasiado extensa.

  5. A TAP sempre foi um monstro sorvedor de dinheiros públicos. É vender e despachar a TAP o mais depressa possível e acabar com esta mama descomunal e imoral.
    Pilotos e hospedeiros, técnicos de manutenção etc… ganham acima das nossas possibilidades.

    Júlio Magalhães

  6. Distribuir víveres? Eles são mais do género de distribuir porrada.

    Por falar em víveres… agora marchava mesmo uma chamuça e, fónix, uma bruta imperial.

  7. Infelizmente a minha mãe não quer viver aqui comigo
    nestas latitudes, senão não iria com tanta frequência
    para esse desassossego. Situações inadmissíveis e
    sem qualquer respeito pelos passageiros , e nem me
    refiro ao preço cada vez mais elevado dos bilhetes.
    Um bando de incompetentes e esperem pelas greves
    que tenho a certeza estão já á espreita.
    Vão todos dar banho ao cágado.

    1. O que se passa no aeroporto é, como diz, inadmissível, mas se está por cá e até deseja que a sua mãe venha viver consigo, é porque também há por cá muita coisa boa que noutro lado não teria.
      Concentre-se no que de bom há, enquanto o aeroporto não melhora.

      1. Eu não vivo em Portugal e sim existem coisas boas
        e só nossas. Gastronomia, clima , cultura e etc.
        Que saiba cara/caro Anónimo que eu já esperei
        mais tempo na recolha da bagagem que o tempo de voo
        ou seja 2h:30m . Difícil de acreditar mas verdadeiro.
        Aconteceu o seguinte: nos ecrãs que nos indicam o número
        do tapete da proveniência do voo estava errado,trocado.
        2 chegadas ao mesmo tempo uma de Amesterdão e outra de Genebra.
        Não imagina o desespero e a indignação que todos nós sentimos.
        Penso que estes episódios são bem portugueses e cada vez mais difíceis
        de suportar.

  8. Todo o país (isto é, todo Portugal) sofre com um problema fundamental: falta de mão de obra. A solução seria a imigração, mas nenhum governo tem coragem política para a incentivar e organizar.
    (No caso vertente, falta de trabalhadores no SEF.)

    1. balio, poupe-se: então vem dizer que a trapalhada com o SEF (que se arrasta há anos) se resolve com imigrantes? deixe-se de coisas…

    2. Veio picar o ponto depois do feriado aí no observatório e pronto para a justa.
      É o que eu digo privatize-se o SEF…

  9. Bom dia
    A situação é, infelizmente, recorrente. Já acontecia em 2019, último ano de máximos de tráfego atingidos no aeroporto, 31.173.000 passageiros, o que nos colocou no 16º lugar dos aeroportos europeus, nesse ano.
    É evidente que a ANA devia disponibilizar apoio acrescido(algum já é dado)em termos de água, alguma alimentação básica individualizada, cadeiras, etc. aí tem responsabilidades e não devia falhar.
    O SEF tem, normalmente, falta de capacidade para preencher as 16 posições de que dispõe, às quais acrescem mais 4, situadas junto à zona da porta 126, mas essas só servem para passageiros chegados de origens N/Schengen consideradas “limpas” em termos de segurança, como o Reino Unido, a Irlanda ou, até há pouco – julgo que se mantém – os EUA, dado que estão no mesmo piso do que o dos passageiros que vão embarcar para destinos também N/Schengen, enquanto todos os outros desembarcam, por manga ou vindos de autocarro, para o piso acima, de onde descem depois para a zona principal do SEF.

    O aeroporto é uma estrutura velha, remendada sucessivamente durante décadas, com poucas posições de estacionamento de aviões , umas 64 e picos, Heathrow tem 115, 66 para wide-bodies e 24 até para os Aibus 380, isto para comparar com outro aeroporto principal.
    O SEF, cuja situação de instabilidade é a que sabemos, lida também, devido à situação Covid, com burocracia e verificações que anteriormente não existiam, para além do trabalho extra controle de passaportes que também já se verificava.

    Passei à reforma,em Março último, depois de 42 anos e alguns meses, precisamente a trabalhar na gestão operacional do aeroporto, na ANA, num serviço que funciona em modo H24, 365/6 dias por ano ; gostaria de pensar que ainda verei a construção do eternamente discutido e adiado novo aeroporto de Lisboa, mas não vou apostar…

    Abraço
    Fernando Antolin

    1. “Outra iniciativa importante do meu governo […] (decreto-lei de 8 de março de 1969), […] foi a da construção do novo aeroporto de Lisboa.”
      “Uma comissão, já antes de 1968, estudara nos arredores de Lisboa as várias localizações possíveis para o novo aeroporto e pronunciou-se pela Herdade de Rio frio, perto do Montijo, a segunda propriedade rústica do país em área.”
      “O programa previa o início da exploração do novo aeroporto em 1978, o qual ficaria ligado a Lisboa pela auto-estrada de Setúbal, além da via férrea que passaria no segundo tabuleiro previsto para a Ponte Salazar. A 40 km da capital, na margem esquerda do Tejo, o novo aeroporto teria excelentes perspectivas de futuro sem incómodo para os centros urbanos existentes.”

      Fragmentos, acima, de “Depoimento”, de Marcello Caetano, Rio de Janeiro, 1974 (pp.106 e 107). Não faz mal procurar conhecer também a história dos vencidos.

      A coisa vem então – pelo menos com dignidade oficial – desde 1969 e fundada em dados de 1968, determinando a localização no famoso “deserto”. E para iniciar a operação em 1978. Há quarenta e quatro anos.
      Mas não se esqueça que não foi o (actual) aeroporto de Lisboa que invadiu a cidade, foi esta que cresceu imparável sobre o aeroporto e por terrenos destinados a servidão aeroportuária: sufoca-se o aeroporto em décadas e décadas de insaciável especulação imobiliária, pública e privada, e depois berra-se que aquele é potencialmente assassino, inaceitavelmente poluidor e o mais que ocorra. Porque assim aconteceu é coisa que nem ocorre perguntar.
      Venha ele a ser construído onde venha a ser, duas coisas (pelo menos) serão certas para quem cá estiver nessa altura:

      – o que interessará na verdade será a orgia de cimento, tijolo e alcatrão, de construção civil, de negócio para as eternas empresas do regime, de “derrapagens” orçamentais (e de calendário) impunes, de emprego não qualificado e perfeitamente limitado no tempo; ou seja, aquilo que de facto importa nessa ideia de progresso e desenvolvimento que é consagradamente portuguesa. Depois, na sua operação, se se mantiverem os critérios que presidem à operação do actual aeroporto (há mais, bem mais, e limitando-nos ao imediato âmbito do postal, nesta história, do que a questão da estrita capacidade física, teórica, “meramente” de pilotagem e controlo de tráfego aéreo, de acolher X ou Y voos por hora), apenas será legítimo esperar mais do mesmo. Embora num prédio novo;

      – concretizar-se-á um gigantesco sonho ou pesadelo – depende do lado em que se esteja – de especulação sobre os terrenos do actual aeroporto (se este de facto encerrar integralmente, como sem dúvida será há muito fervorosamente desejado). Um negócio colossal que desde a descontaminação de terrenos até à metódica e impenitente violação do que vier a ser legislado e regulamentado sobre o que aí se possa vir a construir, já estará decerto e há muito a fazer salivar abundantemente governantes, “patos-bravos”, advogados, autarcas e tantos mais.

      Terei lido, em tempos, que os terrenos onde o aeroporto foi construído foram cedidos para esse efeito, em doação modal. Mas não o posso afirmar e fundamentar. E se por acaso assim foi, haja gabinetes de advogados…

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