Caro Pedro: O montante da nossa dívida é, porventura, o indicador económico-financeiro com projecção para o exterior mais preocupante. Agora e desde há muito tempo. É pena que os sucessivos governos – e as sucessivas oposições – nunca tenham posto este tópico nas suas preocupações e no debate público com suficiente destaque: a não ser pontualmente por razões da, normalmente estéril, refrega político-partidária. Ultimamente, as altas taxas no mercado secundário devem-se, essencialmente, a dois factores: – à debilidade da nosso sistema bancário, nem o período da Troica serviu para consolidar a banca, apesar dos 12 mil milhões a isso destinados (foi usado apenas cerca de metade do montante para resgatar os bancos em última instância); – aos dois inoportunos (e vou ser meigo nas palavras) avisos do nosso «amigo» Schäuble. De imediato, a seguir a esses avisos as taxas subiram. Agora, bastou a entrada da FOsun no BCP para baixarem. Que faria se não houvesse a vozearia e a tontice na nomeação da Administração da CGD? Espanha recusou o resgate geral, como o nosso, apesar de pressionada, na altura, pela UE, mas aceitou-o para os bancos. Tem o sistema consolidado e as mais baixas taxas de juros dos países com problemas na Europa. Portugal e a Itália não o fizeram e vê-se os resultados. Tudo o resto que se diga ignorando estes dois aspectos que refiro, e independentemente de quem o fizer, não passa de conversa para entreter o pagode ou de instrumento de arremesso da luta político-partidária. Inútil, a não ser para os limitados de inteligência e de espírito que encontram nessa estratégia utilidade.
Continua muito perigosa a nossa situação. Enquanto continuar a haver deficit (maior que o crescimento) nunca mais nos safamos.
Tem de vir outro “Salazar” para abater a dívida. Claro que também existe a hipótese de não pagar :D. Ou sair do euro e só aceitar a dívida que se decida converter na nova moeda. Bem existe uma série de soluções umas mais drásticas que outras, outras melhores para nós e outras piores para quem nos emprestou dinheiro.
Deste modo (últimos 42 anos, sim desde o 25 de Abril), não me parece que vá resultar. (Viver à custa dos outros foi sempre o lema da “democracia” Portuguesa, quer nesta república quer na primeira.)
A solução de nova moeda não é viável, pois 2 dos bens de primeira necessidade são importações (comida e energia) e não exportações (água, por enquanto ainda temos).
FACTO #2: dívida bruta desceu dos 130.6% em 2014 para os 129% em 2015 e prevê-se que aumente para 129.7% em 2016, apesar de estar nos 133.1% em Outubro de 2015
FACTO #3: dívida líquida subiu dos 120.4% em 2014 para os 121.6% em 2015 e até Outubro de 2016 estava a descer para 121.5%
FACTO #4: depósitos desceram dos 10.2% em 2014 para os 7.4% em 2015 e na variação intra-anual até Outubro de 2016 tinham subido para 11.6%
FACTO #5: variação da dívida = juros – crescimento nominal – saldo primário +/- outros
FACTO #6: variação da dívida em 2015 = 4.6 – 3.7 – 1 + 1.3 (Banif) = MAIS 1.2 p.p. de dívida
FACTO #7: variação da dívida em 2016 = 4.6 – 3.1 – 1.9 = MENOS 0.4 p.p. de dívida
CONCLUSÃO #1: dívida aumentou em 2015 em 1.2% por causa do Banif, caso contrário teria descido 0.1%. A grande diminuição dos depósitos (usados no Banif e no reembolso ao FMI) são a razão pela qual a dívida bruta passou de 130.6 para 129%.
CONCLUSÃO #2: dívida diminui mais em 2016 em condições normais (a não ser que hajam custos com a banca por contabilizar, Caixa e outras operações). O grande aumento dos depósitos (para compensar quebra em 2015) é a razão pela qual a dívida bruta pode passar de 129 para 129.7%.
Deixem de ser ignorantes e deixem-se de partidarites agudas. INFORMEM-SE!!!
E a “ajuda de Estado” à recapitalização da Caixa Geral de Depósitos fica fora do perímetro da dívida pública, senão lá se tornaria esta ainda mais estratosférica. Temos hoje apenas a quinta dívida pública mais elevada do planeta. Mas com um pouco mais de esforço havemos de chegar ao pódio. Estamos no bom caminho.
Caro Pedro:
O montante da nossa dívida é, porventura, o indicador económico-financeiro com projecção para o exterior mais preocupante.
Agora e desde há muito tempo.
É pena que os sucessivos governos – e as sucessivas oposições – nunca tenham posto este tópico nas suas preocupações e no debate público com suficiente destaque: a não ser pontualmente por razões da, normalmente estéril, refrega político-partidária.
Ultimamente, as altas taxas no mercado secundário devem-se, essencialmente, a dois factores:
– à debilidade da nosso sistema bancário, nem o período da Troica serviu para consolidar a banca, apesar dos 12 mil milhões a isso destinados (foi usado apenas cerca de metade do montante para resgatar os bancos em última instância);
– aos dois inoportunos (e vou ser meigo nas palavras) avisos do nosso «amigo» Schäuble. De imediato, a seguir a esses avisos as taxas subiram.
Agora, bastou a entrada da FOsun no BCP para baixarem. Que faria se não houvesse a vozearia e a tontice na nomeação da Administração da CGD?
Espanha recusou o resgate geral, como o nosso, apesar de pressionada, na altura, pela UE, mas aceitou-o para os bancos.
Tem o sistema consolidado e as mais baixas taxas de juros dos países com problemas na Europa.
Portugal e a Itália não o fizeram e vê-se os resultados.
Tudo o resto que se diga ignorando estes dois aspectos que refiro, e independentemente de quem o fizer, não passa de conversa para entreter o pagode ou de instrumento de arremesso da luta político-partidária.
Inútil, a não ser para os limitados de inteligência e de espírito que encontram nessa estratégia utilidade.
Costa & Companhia tem solução na manga:
Com a dinheirama das multas de estacionamento ;uso telemóvel no carro, excesso de álcool na condução e assucar na Coca-Cola, pagamos a divida!
….
Então, se o nosso Maior der uma ajudinha, cobrando uma taxa por cada self! ainda sobra muita guita.
https://en.wikipedia.org/wiki/Net_intern ational_investment_position (2014)
Continua muito perigosa a nossa situação. Enquanto continuar a haver deficit (maior que o crescimento) nunca mais nos safamos.
Tem de vir outro “Salazar” para abater a dívida. Claro que também existe a hipótese de não pagar :D. Ou sair do euro e só aceitar a dívida que se decida converter na nova moeda. Bem existe uma série de soluções umas mais drásticas que outras, outras melhores para nós e outras piores para quem nos emprestou dinheiro.
Deste modo (últimos 42 anos, sim desde o 25 de Abril), não me parece que vá resultar. (Viver à custa dos outros foi sempre o lema da “democracia” Portuguesa, quer nesta república quer na primeira.)
https://oinsurgente.files.wordpress.com/2 012/07/publicdebtgdp.png
A solução de nova moeda não é viável, pois 2 dos bens de primeira necessidade são importações (comida e energia) e não exportações (água, por enquanto ainda temos).
Exactamente.
e continuam os anormais que nos governam a se vangloriar pelos seus feitos.
anonima
FACTO #1:
dívida bruta = dívida líquida + depósitos (almofada financeira)
FACTO #2:
dívida bruta desceu dos 130.6% em 2014 para os 129% em 2015 e prevê-se que aumente para 129.7% em 2016, apesar de estar nos 133.1% em Outubro de 2015
FACTO #3:
dívida líquida subiu dos 120.4% em 2014 para os 121.6% em 2015 e até Outubro de 2016 estava a descer para 121.5%
FACTO #4:
depósitos desceram dos 10.2% em 2014 para os 7.4% em 2015 e na variação intra-anual até Outubro de 2016 tinham subido para 11.6%
FACTO #5:
variação da dívida = juros – crescimento nominal – saldo primário +/- outros
FACTO #6:
variação da dívida em 2015 = 4.6 – 3.7 – 1 + 1.3 (Banif) = MAIS 1.2 p.p. de dívida
FACTO #7:
variação da dívida em 2016 = 4.6 – 3.1 – 1.9 = MENOS 0.4 p.p. de dívida
CONCLUSÃO #1: dívida aumentou em 2015 em 1.2% por causa do Banif, caso contrário teria descido 0.1%. A grande diminuição dos depósitos (usados no Banif e no reembolso ao FMI) são a razão pela qual a dívida bruta passou de 130.6 para 129%.
CONCLUSÃO #2: dívida diminui mais em 2016 em condições normais (a não ser que hajam custos com a banca por contabilizar, Caixa e outras operações). O grande aumento dos depósitos (para compensar quebra em 2015) é a razão pela qual a dívida bruta pode passar de 129 para 129.7%.
Deixem de ser ignorantes e deixem-se de partidarites agudas. INFORMEM-SE!!!
E a “ajuda de Estado” à recapitalização da Caixa Geral de Depósitos fica fora do perímetro da dívida pública, senão lá se tornaria esta ainda mais estratosférica.
Temos hoje apenas a quinta dívida pública mais elevada do planeta. Mas com um pouco mais de esforço havemos de chegar ao pódio.
Estamos no bom caminho.