Numa prestação surreal (a que o João deu devido destaque), Maria de Belém inaugurou um novo argumentário sobre a questão das escutas-caso TVI-liberdade de expressão em Portugal, sintetizável em duas ideias. Sentem-se, por favor (e agarrem-se às cadeiras):
1. O mais grave não é terem existido pressões políticas sobre jornalistas, mas sim o facto de os jornalistas não terem sido capazes de lhes resistir.
2. Até pode ter havido pressões políticas sobre jornalistas, mas não é nada que outras pessoas e/ou partidos não tenham feito no passado.
Brilhante.

Entre o fantástico e o surreal, ainda não escolhi o adjectivo para este post.
De fantástico o post não tem nada. As declarações da senhora é que podem ser fantásticas ou surreais, consoante a perspectiva, caro Luís 🙂 Abraço!
Estou inteiramente de acordo com a Dr.ª Maria de Belém: o mal mais grave não é os governos tentarem pressionar os jornalistas, mas sim estes cederem a essas pressões.
Durante a minha vida profissional, tentaram pressionar-me de várias maneiras – ameaças, tentativas de suborno mais ou menos veladas, denúncias caluniosas, traições – e nunca cedi. Não são só os jornalistas que estão sujeitos a pressões.
Não sei se V. Excia, Doutor Sejeiro Velho, é conselheiro do Supremo Tribunal. Esse seu argumento faz-me lembrar umas certas considerações expandidas num douto acórdão do Supremo sobre a responsabilidade das vítimas de violação nestes censuráveis actos, na medida em que com as suas vestes e as suas poses atiçavam a líbido alheia em plena “coutada do macho latino”, sujeitando-se assim a infaustas consequências.
Se assim é, aceite desde já a expressão da minha respeitosa discordância, não isenta de consideração.
Obrigado pela sua consideração, que retribuo.
Excelente, Pedro, excelente.
Creio que o Pedro deu a resposta cabal a este comentário.
Pois é, José. Já estou como disse o Pedro: deve ser do periscópio. Há que aprofundar a política de submarinos. Afinal, um submarino quer-se aprofundado, não é verdade?
Os periscópios socialistas andam um bocadinho baços, ultimamente. Abraço!
@s caríssim@s irão com certeza perdoar-me a “comparação”, mas isso já faz lembrar aquilo que há quem pense relativamente às violações: “Ai foi violada? Pois, se calhar saiu com um vestido muito curtinho, ou ninguém a mandou andar toda pintada”. Não “resistiu à pressão”. Culpa dela, claro. O violador, coitado, não fez nada de mal.
Quer dizer, pressionar não tem mal nenhum, porreiro. O problema é “ceder” à pressão.
Então quem é torturado, também é culpado, claro, porque é que não “resistiu à pressão”?
Porque é que não se aplica este raciocínio à corrupção? Assim quem se lixa nunca é quem tenta corromper, é sempre o desgraçado que aceitou as luvas para fazer andar mais um papelito.
Realmente, a cara de pau de algumas pessoas é fantástica.
Ah e a parte do “mas os outros meninos também fizeram o mesmo no passado” é genial. Vou começar a utilizar essa desculpa relativamente aos pagamentos para com o Estado: “o menino Estado também demorou quase um ano a pagar-me”. Pode ser que cole.
Muito bem.