As vitórias efémeras de Santana


João Pedro Pimenta,

 

Não sou militante do PSD, mas quero sempre que para a liderança dos partidos vençam os melhores e, sinceramente, já tarda uma oposição eficaz ao actual (esquema de) Governo, e o CDS não basta, por mais que Assunção Cristas se esforce – com algum êxito. Por vezes Catarina e Jerónimo tentam preencher a vaga, mas é raro aventurarem-se em grandes indignações.

 

Vivi bastantes anos sob os mandatos de Rui Rio e pude ver os seus sucessos e os seus fracassos. É um homem rigoroso, minucioso com as contas, pouco influenciado por grupos de pressão e ameaças (lembram-se da manif dos Super Dragões?) e teimoso, para o bem e para o mal. Como pontos negativos é autoritário, tem uma visão limitada e demasiado genérica sobre diversos assuntos, como a justiça, e uma péssima relação com a comunicação social. Não parece ser a escolha ideal para líder da oposição e para primeiro-ministro, embora pudesse fazer um papel competente como ministro das finanças ou da administração interna. Ainda assim, prefiro alguém com as suas limitações mas com rigor e organização do que um viciado nas disputas políticas como Santana Lopes, que por onde passou deixou as finanças em pantanas, e que nem quando já tinha atingido finalmente uma aura de credibilidade “senatorial” resiste a vir disputar pela enésima vez a liderança do partido – que já teve, com o êxito que se viu – com uma leviandade que já se pensava ser coisa do passado.

 

E neste combate pela presidência do PSD, nestas tricas, acusações várias e respectivos desmentidos, tenho ouvido por mais do que uma vez que Santana é um “vencedor”. Os únicos triunfos que lhe conheço são os das vitórias autárquicas na Figueira e em Lisboa. É sobretudo esta que os seus apoiantes recordam, com razão, porque vencer uma coligação entre o PS e o PCP com um presidente no cargo cujo mandato não tinha desagradado à população, e apenas com o PSD (e simbolicamente o PPM), era uma tarefa hercúlea. Mas as vitórias de Santana acabaram aí. E vale a pena lembrar que já depois de ter oferecido a maioria absoluta a Sócrates seria de novo candidato em 2009 à câmara de Lisboa, desta vez à frente de uma coligação que juntava PSD e CDS, e perdeu com o PS de António Costa apoiado pelo grupo de Helena Roseta.

É este o pormenor que merece ser apontado: caso ganhe a presidência do PSD, Santana terá pela frente não João Soares mas António Costa, o que significa que a conquista de 2001 perdeu a validade. Já agora, é bom lembrar que Rui Rio cometeu uma proeza semelhante, ao conquistar o Porto nessas mesmas eleições (que ditaram a demissão de Guterres) a um PS de Fernando Gomes considerado absolutamente imbatível. Rio manteve-se na câmara por três mandatos, crescendo sempre nas sucessivas eleições que disputou, sempre com uma coligação PSD/CDS. Fica a nota para quem se apoia demasiado em actos eleitorais que já lá vão. Até porque os votos não são dos candidatos, são dos eleitores, e eles podem mudar o seu sentido sempre que tiverem oportunidade.

16 comentários em “As vitórias efémeras de Santana”

  1. “Santana rejeita ser PS-2 e diz que Costa está a “acender uma velinha” para Rio ganhar”.
    Acha que sobrou uma quando Costa esgotou a cera em velinhas para Santana.

  2. Creio que um dos erros que os comentadores cometem em torno desta campanha interna do PSD é sobrevalorizarem a importância de Costa. António Costa não é a nação nem a nação é Costa.
    Estou em crer que o aspecto substantivo a realçar nesta campanha do PSD, e que deverá influenciar a postura nacional, consiste no facto de serem dois sessentões a mostrar que a renovação é possível ser feita nestas idades. É precisamente a experiência de ambos e a capacidade de se auto-regenararem que deve ser colocada na mouche.

    O PSD, juntamente com o CDS, ao longo destes últimos anos deu provas de ser um movimento de meninos e meninas. E muitas vezes causador de ódios e ressentimentos que congregaram a nação a aceitar uma solução que, não sendo a melhor, era a necessária para imprimir uma viragem no statu quo.
    Neste aspecto a nação deve a Costa a capacidade de imprimir esta mudança. Agora é a vez de Santana; e espero que Rio seja capaz de aceitar um cargo no futuro governo de Santana.

    1. Um recado para o trambolho do rato.
      Você não prefere coisa nenhuma em casa alheia.
      Devia ter-se inscrito para poder ir votar.
      Deixe-me rir, quanto a blocos enquanto lhe amparar a loja vá espreitando na sombra da sua mão esquerda.

      1. Na sua casa não prefiro nada. Governe-se.
        Pode rir-se à vontade. Pois não vai ser o seu riso que me fará chorar. A minha mão esquerda nunca sabe o que faz a direita. Mas sei bem o que fez essa dita direita que tem andado muita torta. A minha capacidade de voto é natural. Ela não me foi atribuída por inscrições. Os clubes são para os que não sabem nadar em mar aberto.

        1. Convém esclarecer que o meu escrito não se dirigia em tom critico ao De Vento mas a António Costa (trambolho do rato).
          As minhas desculpas pela pouca clareza que utilizei na identificação do destinatário a que pretendi referir-me.

    2. Agora que Rio ganhou a Santana, podemos observar que a sua lista não era propriamente de “meninos e meninas” (até a JSD apoiava mais Santana, o que não espanta). Mas a maior crítica feita nesta eleição era precisamente a de que não havia malta mais nova a apresentar-se a votos.

      1. Os meninos e meninas mantenho. Pois eram eles e elas que passavam a vida com o papão da troika na boca. Quem não é capaz de governar sem ser “bom aluno” vai para um banco de escola e não para um governo ou parlamento. Não se representa um povo ao sabor de caprichos de terceiros.

        Quanto à vitória de Rio, está aberto o crescimento do CDS; e o PSD mirrará com a volta do suposto baronato.

        O PS tem alternativas: António José Seguro. O PSD ficou sem elas.

        Mais ainda, Rio fez campanha por Costa e a favor de Costa. O PSD passou a ser um não sei quê.

    1. Então agora imagine Rui Rio: teve contra ele as outras forças políticas da cidade, Luís Filipe Menezes e parte da distrital do PSD (a que tem mais militantes a nível nacional), clubes de futebol (e respectivas claques a manifestar-se em frente à câmara), os “agentes culturais”, etc. Curiosamente os eleitores deram-lhe sempre mais votos a cada eleição.

      1. Não conheço o Porto, aliás mal conheço Portugal, mas ouço dizer que Rio ganhou porque do outro lado estava o Homem do Capachinho a quem nunca perdoaram ter-se vendido a Lisboa.
        Parece que as francesinhas têm muita força.

        1. Sim, pode-se considerar mais uma derrota de Fernando Gomes. Não é tanto por “vender-se a Lisboa” (depois disso vendeu-se à Galp, por exemplo), mas de querer voltar como se o Porto fosse uma coutada própria. Descobriu que não era da pior maneira possível.

  3. Assim é que é bonito, amor total a Costa.Nem a palavra cumpriu saindo da Câmara. Mais, no último ano a conta da água aumentou 50%. E assim irá fazer. Basta olhar apenas para os combustíveis.
    Pois, com tanto amor até se esquecem de 110 mortos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *