As taxa de juros irão regressar aos telediários


Paulo Sousa,

Os juros da dívida contratada a 30 anos da República Portuguesa, que estavam no início do ano pouco acima de 1%, chegaram ontem aos 3,413%.

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No passado, o governo socialista pressionou com sucesso toda a banca nacional a adquirir dívida publica portuguesa até a um nível que ultrapassou o que seria razoável. Quando já ninguém lhe queria pegar, foi a banca que ajudou a adiar o inadiável. Perderam os bancos, perderam os acionistas, perderam os contribuintes e perdeu o país. Vamos ver se alguém aprendeu a lição.

Já algum tempo que não se fala em rating da República, mas para quem já não se recorda continuamos no BBB, que é o nível imediatamente acima do nível especulativo.

Para quem gosta de antecipar tendências, e de estar na crista dos acontecimentos, recomendo o site World Governament Bonds onde pode acompanhar a evolução da frequência com que as taxa de juros da nossa dívida irão regressar aos telediários.

Felizmente António Costa tem maioria absoluta e pode tomar as medidas que entender necessárias sem necessitar de negociar PEC a PEC com a oposição.

37 comentários em “As taxa de juros irão regressar aos telediários”

  1. No passado, o governo socialista pressionou com sucesso toda a banca nacional a adquirir dívida publica portuguesa até a um nível que ultrapassou o que seria razoável.

    Tem alguma prova disto que afirma? Alguma prova das pressões que o(s) governo(s) socialista(s) fez?

    1. Se não soube disso, será mesmo o último a saber. Não queria ser eu a dar-lhe esse tipo de notícias… não google para manter a hipótese de ser mentira.

      1. Os fins de semana colados a feriados dão gás suplementar aos comentadores com emprego vitalício na função pública.
        Chegam à segunda-feira (neste caso à terça) com a força toda. E evitam gastar Net em casa.

  2. É verdade que as taxas de juro irão regressar aos telediários, mas não propriamente por causa das taxas de juro que a República paga, mas sim por causa das taxas de juro que os cidadãos pagam nos seus empréstimos hipotecários.

    1. Acho que não.
      As taxas de juro a aumentarem vão ser apresentadas como uma grande conquista socialista para quem tem aforro e que verá os juros das contas poupança passarem de 0.01% para 0.02%.
      “Duplicámos o valor da taxa de juro para quem tem dinheiro aplicado em poupança” gritará eufórico António Costa.

      1. Mais uma enorme conquista de Costa, não hajam dúvidas, de 0.01 para 0.02% que ganho meu Deus. Mas acredito mesmo que o bicho irá aparecer a propagandear essa conquista, a falta de vergonha do homem não tem limites e muito menos a sua capacidade de enganar os portugueses desatentos (infelizmente a maioria).

  3. Eu fico admirado é haver tanto economista inteligentíssimo na oposição e não haver um único que consiga evitar o prejuízo antes do facto consumado.

    1. Os economistas inteligentíssimos da oposição andam a castigar o governo por este estar a cobrar muito dinheiro em impostos e por não estar a retornar esse dinheiro à população. Em vez de elogiarem o governo por este estar a cobrar muito dinheiro em impostos e por estar a utilizar esse dinheiro para evitar pedir mais empréstimos.

      Por exemplo, apludiram o governo por ele ter descido o imposto sobre o gasóleo. Quando ele poderia ter mantido o imposto alto e ter utilizado o dinheiro resultante para evitar pedir emprestado.

      1. Bravo, Lavoura. Você ontem de facto cumpriu com beata devoção e zelo o seu feriadozinho de funcionário público.
        Mas ei-lo hoje de volta, em breve – até agora, enfim – mas grande estilo, com refinada bizarria, gélida desumanidade (nada de novo, é certo) e até, merece nota, um tudo nada de salazarismo financeiro.

          1. É bem verdade. E eu li-o e, desastradamente, esqueci-me de lhe fazer a devida referência. É no que dá a pressa de escrever em plena fila de caixa de hipermercado; que por uma vez andava depressa (e pergunto-me, com mal disfarçada ânsia, temendo a revelação de um relâmpago de sapiência de que sempre serei indigno, o que pensará a lavoural e balíaca figura destas rotinas pequeno-burguesas).
            Saberá o Pedro Correia, confio, perdoar-me a indelicadeza.

  4. A taxa de juro da dívida não depende do governo, qualquer que ele seja.
    Que eu saiba não houve não pagamento da divida portuguesa ou de juros. Quem a comprou desvalorizada fez um bom negócio. Não sei se continua a ser um bom negócio mas nunca deu prejuízo no passado.

    1. A taxa de juro não depende do governo, depende de vários factores conjugados, no fundo os alinhamentos planetários têm mais influência nas taxas de juro que os governos que nada podem fazer.

      1. O PS chamou a troika porque não pôde desvalorizar o euro como fez o economista maravilha quando desvalorizou o escudo.

          1. A crise económica levou à falência de quantos países? Ou só faliram aqueles que se puseram a jeito?
            Desejo-lhe as melhores.

          2. É como agora, até parece que só nós é que estamos com problemas, ou até parece que alguém fez melhor no passado.
            Teorias, tretas, balelas, no papel funciona que é uma maravilha na prática tá quieto, era como a folha de Excel do Gaspar no tal governo Irrevogável.
            Só não compreendo porque é que em 48 anos não haja um período qualquer ( um só)que sirva de exemplo de boa gestão para calar a boca aos ceguinhos que votam PS.

      2. Já aconteceu a vai tornar a acontecer. Quando os bancos nacionais, o BCE e o FMI não “emprestarem” (com taxas de juro) mais dinheiro e não houver possibilidade de pagar aos funcionários públicos, no fim do mês….

        Como está a cola da UE, o Euro, a Eurozona?. Os bárbaros à porta.
        Os Países do Euro são, estão, demasiado heterogênios.
        Os Países do Norte já não o escondem.
        A Alemanhã já tem internamente “sarna suficiente para se coçar”.
        A França entrem-se a tentar descutir quem é mais esquerda ou mais direita que o outro.
        Do outro lado do Atlântico estima-se, há muito tempo: quanto mais fraca UE, Eurozona (e Fed. Russa), melhor.
        O PM Costa, numa inspiração divína, dá um pulinho a Londres e tenta re-fazer atempadamente históricos acordos Portugal-UK. Afinal uma parceria extra-UE (e quiçá um seguro de vida extra-Eurozona?) necessária para ambos…se, como, possível. Agora, por cá, é só ler aquelas entrelinhas e com muita atenção.

        1. Demasiado tarde. A nossa última oportumidade foi o Brexit. Sair também, indexar o novo escudo à libra e aguardar o alargamento da NAFTA (a única associação comercial com excedentes energéticos e alimentares).

          1. Sim. Mas existe também uma possível reformulação da UE e da Eurozona.
            Basta o BCE ser obrigado a cortar o apoio aos défices acima dos 3%, sob pressão de uma crescente inflação, da opinião pública alemã e, consequentemente, dos orgãos estatais na Alemanhã.
            A realidade tem muita força.

          2. … uma possível reformulação da UE e da Eurozona.
            Sem esgotar os cenários, apenas algumas considerações.
            Os alemães ficaram perplexos com os efeitos da demasiado rápida e demasiado cedo subida dos juros feita por Trichet. Era a sua receita, a sua política e os resultados foram muito maus. Enquanto durou essa perplexidade, traduzida numa divisão interna de opiniões, Draghi seguido por Lagarde puderam no BCE seguir a política expansionista que, mesmo sem guerra na Ucrânia, levaria sempre ao despoletar da inflação. Na minha opinião, os alemães travarão algum excesso no BCE mas já não voltarão à rigidez anterior. Passaram-se já muitos anos e as novas gerações alemãs nem admitem nem imaginam um novo Hitler e por isso já não se sentem tão assustadas com a inflação. Não espero muito da opinião pública alemã neste campo.
            Outra coisa será a política de defesa da UE. Só a Alemanha, com algum apoio nórdico, sobretudo Suécia e Finlândia, tem capacidade para criar uma forças armadas credíveis que possam ser um sustentáculo de uma política externa europeia independente. Mas não acredito que a Alemanha desenvolva e pague umas forças armadas e as ponha sob um comando conjunto que não controle efectivamente. Por outro lado, após a saída da Grã-Bretanha, a “Force de Frappe” nuclear francesa com o porta-aviões nuclear “Charles de Gaulle” é imprescindível e, tal como aconteceu com De Gaulle e a NATO, não vejo os franceses a abdicar da sua independência nuclear.
            Juntando a equação económica os cenários só pioram. Ou Alemanha “et al” aceitam sustentar as economias do Sul ou questões de desigualdade e não convergência irão minar o futuro da UE. Note-se que subsídios “ad aeternum” isso sim, será combatido pelas opiniões públicas alemãs, holandesas, etc., etc.. O outro caminho possível, canalizar investimento para as economias débeis, apenas será possível num quadro em que a liberdade económica (chamem-lhe capitalismo ou liberalismo) será substituída por um dirigismo económico (chamem-lhe socialismo ou estatismo).
            Com possibilidades quase infinitas de variantes, vejo como principais cenários possíveis:
            1. A cisão da UE em dois blocos “grosso modo” norte e sul;
            2. A submissão “de facto” militar e diplomática da UE aos EUA;
            3. A continuação do “status quo” até à completa irrelevância da Europa no plano político mundial.
            Sendo a última a mais provável.
            Para Portugal, não se trataria de virar as costas à Europa mas apenas de conservar alguma esperança de futuro, o que só vejo suportado no mar. Mar esse que pediria uma política externa Atlântica e não uma competição, aliás condenada ao insucesso, com os países da Europa central. Mar esse, cuja administração nos será mais tarde ou mais cedo retirada por Bruxelas, dada a nossa pouca capacidade quer para o policiar quer para o explorar. Isto se Espanha não se impuser como se está a adivinhar nas pescas e na defesa da plataforma das Canárias (que nos retiraria logo mais de um terço da nossa zona marítima exclusiva).

  5. Como dizia a outra senhora, o socialismo acaba…
    Felizmente o actual governo tem maioria absoluta, ao contrário dos dois anteriores e poderá assim fazer as reformas necessárias sem bloqueios ou chantagens por parte da oposição sempre tão lesta em pedir mais e mais em favor das suas clientelas.

  6. Depois de um longo fim-de-semana acrescido de feriado em Lisboa, o comentador balio regressou cheio de energia ao seu posto na função pública.
    Só neste postal do Paulo, três comentários. Há que recuperar o tempo perdido. Pelo menos até às cinco da tarde, hora de desmanchar a tenda até ao dia seguinte, no mesmo local.
    Um retrato perfeito da administração pública portuguesa.

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