ASPIC DE TOMATE
Instado pela Helena Sacadura Cabral sou compelido a revelar um dos mais ciosos segredos da minha cozinha, tão refinado que até tem um nome estrangeiro.
1- Despejar duas latas grandes de tomate pelado numa tigela. Escarafunchar na massa vermelha à procura do pé para o cortar. Boa sorte e muita paciência para quem quiser expurgar as sementes.
2- Deitar lá dentro 3 dentes de alho (ou quantos desejar, conforme o gosto), meia dúzia de folhas de manjericão, um fiozinho de azeite para ligar, sal e pimenta. Por mim podem-se acrescentar uns pingos de Tabasco.
3 – Moer tudo com a varinha mágica até formar uma polpa uniforme.
4 – Retirar duas conchas da polpa para outro vasilhame e partir à tesourada lá para dentro três pacotes de folhas de gelatina. Os puristas preferirão gelatina vegetal. Aguardar 10 minutos, mais ou menos o tempo de fumar um cigarro e beber um copo de vinho branco.
5 – Retirar outras duas conchas da polpa original e deitar num tacho que vai ao lume. Quando levantar fervura:
6 – …Despejar na vasilha em que a gelatina esteve a ser embebida. Mexer, mexer, mexer (só interromper para ir beberricando outro copo de vinho branco) até derreter totalmente a gelatina na polpa, sem grumos. Se falhar neste passo arruinou a receita.
7 – Quando atingir um líquido homogéneo e espesso misturar com o resto da polpa que ficou para trás. Mexer outra vez para incorporar bem.
8 – Deitar numa forma de pudim previamente comprada na loja do chinês. Talvez seja prudente que não seja daquelas com buraco no meio. Levar ao frigorífico.
9 – Horas depois, melhor ainda se for no dia seguinte, desenformar (passo traiçoeiro: é melhor pedir a quem tenha dedos de fada) o pudim resultante e partilhar com os amigos. Se ficou bem faz um figuraço.
10 – Acabar com o resto da garrafa de vinho branco enquanto serve o aspic às fatias. Acompanha tudo que dê vontade de comer no Verão.

É de homem.
Não, Rui. É do diabo, tão bom que é!
Para a próxima apresento uma receita com ovos…
Ideia interessante. Será que funciona com gaspacho? humm…
Cumprimentos,
Aqui está algo que nunca cozinhei. Vou experimentar como manda a bula ( mas sem o vinho branco, para ficar comestível) :):):)
O vinho branco é prerrogativa do cozinheiro não é atributo do cozinhado. Mas a receita é tão simples que até um cozinheiro canhestro como eu pode executá-la um pouco toldado.
Eu e os vinhos temos uma relação um tanto ou quanto às avessas, por isso a prerrogativa do cozinheiro, por muito apelativa que seja, não é funcional.
A meter colherada em receita alheia: se o vinho ferver, o álcool desaparece e, com ele, muitos do problemas. Talvez se juntar no momento 5, com prévio assentimento do A. do posto.
Convém é ser um bom vinho. O vinho usado para cozinhar tem de ser um bom vinho.
O vinho não é para estragar metendo-o na receita, é para o cozinheiro ir bebendo.
Eheh. O bom vinho não se estraga em boas receitas. E o mau vinho é indiferente que se estrague.
Mas aqui a minha cozinheira diz que 3 pacotes de gelatina lhe parece muito.
Ela lá saberá…
Era um clássico acompanhamento de Verão cá em casa, quando eu era pequeno, o pudim de tomate frio. Caiu no esquecimento, mas vou pedir que façam para o almoço de amanhã! – Acho que o cá de casa, mete molho inglês, em vez de Tabasco, mas ainda não fui ver a receita.
A forma em que se fazia, tinha buraco ao meio, que era cheio com um molho de tomate – ignoro se do pudim – e pickles.
Em tempo: de lado havia manteiga de tomate que se punha nalguns peixes.