As memórias de Jorge Dezcallar


Diogo Novo,

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Este post de Francisco Seixas da Costa recordou-me que também eu tenho o livro de memórias de Jorge Dezcallar vergonhosamente a ganhar pó. Veio de Madrid acompanhado pelo “História mínima de Catalunha”, de Jordi Canal, e pelo excepcional “Populismo”, de José Luis Villacañas (merecedor de todos os prémios de ensaio possíveis e imaginários).

Voltando às memórias, Jorge Dezcallar é um dos mais notáveis diplomatas espanhóis. Trabalhou com seis Presidentes de Governo e foi embaixador em vários países com elevada relevância para a política externa espanhola, como Marrocos e os Estados Unidos. Foi ainda o homem-forte das informações nos três anos em que esteve à frente do Centro Nacional de Inteligencia. Dezcallar não tem um entendimento político-administrativo da diplomacia. Para ele, a missão requer visão estratégica e uma cabal compreensão das dinâmicas de poder que movem o mundo. É, por isso, na minha modesta opinião, um dos mais interessantes analistas europeus de política internacional.

Como bem adverte Seixas da Costa, este tipo de prosa resvala com frequência para exercícios ensimesmados de recordação. Se for o caso, ficarei decepcionado. Mas creio que o risco de que tal aconteça é reduzido. Quem escreve que “un diplomático que se divierte es menos peligroso que uno que trabaja” não será uma criatura pretensiosa.

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