As lapas são mais asseadas


Sérgio de Almeida Correia,

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No dia 15/02/2016 foram as notícias sobre a Parque Expo, os cambalachos cristãos e mais uma salganhada em que o CDS-PP se envolveu à custa da sua presença no Governo de Passos Coelho. No dia seguinte, no Público, José António Cerejo pôs-nos ao corrente das contratações republicanas na Câmara de Lisboa. Logo a seguir vem mais um episódio da novela da TAP, por causa dos chineses da Hainan Airlines. Como não chegava a vergonha que foi o processo de privatização, agora cai-nos na sopa mais uma mosca, desta vez “patrocinada” pelo Governo de António Costa, fazendo-se de conta que ninguém sabia da existência de um acordo desde Setembro de 2015 entre os chineses e os que ficaram com a companha aérea nacional. Como se toda a gente, em Novembro de 2015, não soubesse já o que se estava a passar entre chineses e brasileiros. Até em Macau se sabia.

Não há um dia que os portugueses não sejam confrontados com estas surpresas, que de tão rotineiras se tornaram numa banalidade. Não há nada que seja claro, que seja realizado de forma limpa, transparente, explicado numa linguagem acessível a qualquer leigo, em termos tais que todos possam desde logo compreender e julgar os caminhos que o interese público e os governantes percorrem sem necessidade de esclarecimentos adicionais. Continua-se a “queimar etapas” e a “agilizar processos”, mas fazêmo-lo seguindo por becos mal iluminados, por estreitas veredas, através de caminhos pantanosos, deixando que o lodo salpique os contratos que nunca vimos e que se entranhe no calçado com que marchamos. E o pior de tudo isto é que depois queremos que o lodo saia batendo com os contratos no tampo da secretária, esfregando os pés na calçada ou com uma condecoração do Presidente da República do tipo “Torre e Espada lava tudo”.

As lapas podem ser arrancadas e, pelo menos, são limpas, autênticas e saborosas. O lodo pesa no calçado. E como não se descalçam à entrada de S. Bento ou de Belém, para não ficarem com os pés frios, deixam tudo patinhado.

 

(fica aqui mais um link para acerto de contas)

0 comentários em “As lapas são mais asseadas”

  1. Não é o que é de esperar num regime socialista em que o Estado tem como consequência poder excessivo?

    Mérito haha.

  2. Até dá para entender a atitude de alguns desesperados que deixaram de acreditar nestes políticos e que começam a aceitar um qualquer D. Sebastião.

  3. Tudo farinha do mesmo saco.
    Acerca dos chineses, o bloco de esquerda lá fez a crítica do costume para disfarçar, e no fim calou-se, continuando a ignorar as promessas eleitorais.

  4. O Sérgio explique-me, por favor, qual é o mal de a companhia brasileira Azul ter um acordo com a companhia chinesa Hainan Airlines e qual é o mal de ambas elas entrarem no capital da TAP. É que eu não vejo mal absolutamente nenhum. Não tenho absolutamente nada contra companhias brasileiras e/ou chinesas investirem em companhias portuguesas.

    1. Com todo o gosto, Luís:

      1) Nenhum;

      2) Nenhum;

      3) Então estamos de acordo quanto a esses pontos.

      P.S. O meu desacordo, como devia ter ficado claro e pelo que vejo não ficou, não é contra a privatização da TAP. É contra os processos usados, contra a maneira pouco séria, às vezes, ou “trapalhona” e/ou “aldrabona”, noutros casos, como as coisas são feitas.

  5. Nada disto me surpreende.
    Nem muito mais do que isto.
    O que me surpreende mesmo é que ainda haja quem se surpreenda!
    Urge encetar o caminho da democracia direta.
    Se bem repararmos, todo o progresso humano assenta na eliminação sucessiva de barreiras intermédias.
    Acresce que os partidos políticos são intermediários comprovadamente corruptos.
    Corruptos por natureza, porque não sobrevivem sem clientelas.
    Afinal, as novas tecnologias da comunicação servem para tudo menos para a política?!
    Porquê?!

  6. Mosca?
    Não me diga que também é daqueles que defende as exportações nacionais (exportar significa vender a outro país, estrangeiro, ok?), mas depois não gosta que os outros exportem para cá (a chamada importação implica que venha de fora, ok?)?
    Secalhar apoia a expansão das empresas portuguesas lá fora, mas não gosta quando outras fazem o mesmo cá dentro.
    Muito moderno.

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