As flores de estufa


Pedro Correia,

«Frio em Abril… Neve na Primavera…»

Às vezes questiono-me em que país – e em que planeta – vivem estes editores e difusores de informação, que nos telediários lisboetas apregoam como flores de estufa as frases que citei acima, todas proferidas em tom dramático.

Como se fossem notícia. Neste mês de Abril ou no de outro ano qualquer.

0 comentários em “As flores de estufa”

  1. A uns faz muita falta o “memofante”, a outros o “kit” de juízo e bom senso, a outros uns litros de chá, e a outros que lhes digam onde podem ir comprar espelhos para poderem observar o fácies em casa.
    António Cabral

  2. A juntar a isso temos a declaração de “avisos amarelos, laranjas e vermelhos” por dá cá aquela palha.
    Não sei se é uma perceção só minha mas tenho a impressão que já nunca se diz simplesmente que vai haver chuva moderada ou forte, ou descida de temperatura, anuncia-se um “aviso amarelo”, e dá-se uma quantidade de conselhos óbvios: se não quiser ficar molhado não saia de casa, se tiver frio vista um casaco.

    O resultado disto é que não se consegue distinguir um aviso de furacão dos conselhos da avozinha.

    A nossa Proteção Civil à força de não querer ser responsabilizada por não ter avisado, transformou-se no rapazinho que grita LOBO.

    1. Tem razão, com frequência não se entende a razão de tantos avisos e tão coloridos.
      Além disso, os avisos têm custos (ou proveitos para os membros da protecção civil…) não negligenciáveis.
      Eu também estranho o grande número de especialistas que nos aparecem na TV a fazer previsões meteorológicas. Noutros tempos só conhecíamos duas ou três caras, agora… é o que se vê, sobretudo na TV. Até rima.

      1. Eu continuo a confiar mais no meu ex-professor Costa Alves do que nestes mabecos que agora falam o tempo todo em “bom tempo” e “mau tempo”, como se fosse informação rigorosa.

          1. Há muita treta por detrás desse alarmismo baseado em amostras temporais demasiado curtas.
            Meter medo às pessoas é o que está a dar. A propósito dos mais diversos temas.

        1. Boa noite Pedro Correia.
          No seguimento da sua justíssima referência ao professor Costa Alves, permita-me também prestar a devida homenagem ao meteorologista Anthímio de Azevedo.
          Um abraço.
          A. Oliveira

  3. Não estou a compreender muito bem, Pedro Correia: ou pelo menos a miolar em pleno.
    Questiona-se sobre a irrelevância do mês, ou sobre a entoação dramática difusora da informação?
    🙂

    1. O dramatismo e a falta de memória.
      Há um ano, por exemplo, o clima estava exactamente como tem estado: temperaturas baixas, períodos de chuva forte, neve acima dos 800 metros em zonas do interior.

      Mas isso hoje é pedir de mais a um certo “jornalismo” lisboeta: um ano equivale a uma eternidade.

      1. Sim, e esse desfasamento com os equinócios e solstícios mostra que é a temperatura dos oceanos que manda. E também mostra que quando acabar o efeito moderador do degelo das calotes há razão para o tal dramatismo.

  4. O tempo é aquilo de que se fala quando não há nada para dizer.
    Pior é ouvir as previsões meteorológicas na rádio.
    Um exemplo acabado de como se baralham as frases e as ideias.
    Uma autêntica seca.
    Quem será responsável por tal linguagem?!
    João de Brito

    1. O mais ridículo é ouvirmos nas rádios e nas televisões alguns papagaios de turno repetirem que “está frio” com temperaturas de 14 graus.
      São mesmo flores de estufa.

        1. Então deve ser isso. Tudo gente friorenta. Talvez por esse motivo, quando a temperatura ultrapassa 35 graus em dias de Verão, os mesmos digam que está “bom tempo”.

  5. Já no tempo da outra senhora, e para caricaturar o slogan do SNI, Abril Em Portugal, para atrair turistas, havia um poster com um guarda chuva fechado e com o título ABRI-LO EM PORTUGAL.
    Os jornalistas urbanos, noticiam sempre com base no “para quem é bacalhau basta”

  6. Este problema de falar do tempo por não haver notícias, não será como o do Governo só convidar malta de família, malta “chegada”, porque , como diz o Rui Zink, “Os portugueses saem pouco”?…

  7. Se o primeiro nevão de Inverno ou o primeiro dia de praia em Junho são notícia de abertura, porque não destacar chuva em Abril?
    Bom tempo, está sempre. Nem que seja para regar as plantas. Aliás, “bom” tempo no Inverno é chuva e frio.

    PS: é sempre hilariante ver aquelas reportagens na Guarda, com o/a jornalista a perguntar se não sentem o frio, e os indígenas a encolherem os ombros e a responderem que está apenas fresquito

    1. Tem toda a razão no seu P. S.
      Simplesmente hilariante.
      E continua a acontecer, uma vez e outra e outra.
      Para encher chouriços à falta de notícias dignas desse nome.

    1. Até por isso estas “notícias” são absurdas.
      E chuva em Julho?
      E em Agosto?
      E noutro mês qualquer?
      E o granizo, coitado, não merece destaque?
      E o nevoeiro?
      E a geada?

      Caramba, o melhor mesmo é comprar o Borda d’ Água. Dá notícias dessas, logo em Janeiro, para o ano inteiro.

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