O XXI Governo Constitucional andou mal ao decretar normas de procedimento interno só quase dez meses após ter tomado posse: devia tê-las aprovado logo no primeiro dia. Andou ainda pior ao não incluir nesse código de conduta a proibição absoluta, sobretudo por parte do titular da pasta das Finanças, de aludir à expressão “segundo resgate”.
Se o tivesse feito em tempo útil, seguramente o título da entrevista que Mário Centeno concedeu à televisão norte-americana CNBC teria sido bem diferente do que foi.
Ao garantir que “fará tudo para evitar tal cenário”, o ministro admite afinal, implicitamente, que ele é equacionado pelo Governo de António Costa. Mandam as boas regras da comunicação política que uma negativa não deve ser demasiado enfática, sob pena de equivaler à afirmação subliminar daquilo que se pretende desmentir. Em 17 de Novembro de 1973, já acossado pelo escândalo Watergate, o Presidente norte-americano Richard Nixon fez uma alocução televisiva em que declarou categoricamente: “I’m not a crook” [“Não sou vigarista”] Ninguém tomou esta declaração pelo seu valor facial, mas pelo seu oposto. Nove meses depois, Nixon era forçado a demitir-se.
“Segundo resgate”, pelos vistos, não é tabu para Centeno. Mas devia ser. Sobretudo estando o nosso destino financeiro dependente da avaliação positiva de uma única agência de notação, a DBRS canadiana, e de o Banco Central Europeu continuar a proporcionar respiração assistida a Portugal com a compra de títulos de dívida – medida excepcional que terminará em 2017.
Ou seja, estamos presos por arames.
Com níveis de crescimento anémico, incapazes de fazer face ao montante da despesa pública, a balança de pagamentos a agravar-se e o investimento manifestamente incapaz de puxar pela nossa economia, além de pairar a expectativa de um aumento dos preços do petróleo no mercado internacional, Centeno faria melhor em mudar o discurso, sobretudo quando fala aos media norte-americanos. Apele aos investidores, acene-lhes com um sistema fiscal moderado e previsível, torne Portugal apetecível ao capital estrangeiro. Precisamos dele como de pão para a boca.
E, acima de tudo, demonstre que é exímio em operações aritméticas. Se houver um novo resgate internacional de emergência a Portugal, não será o segundo. Será o quarto. Como dizia o outro, professor Centeno: basta fazer as contas.


Quatro e todos Made IN PS!
Nota: Valha a verdade lembrar, que foi a entrevistadora que falou em 2º regaste!
Este ministro é uma permanente errata de si próprio: nteno-de-errata-em-errata-8226573
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/ce
Em matéria de falências este PS é um Ás!
Atenção aos valetes do baralho: não devem ser menosprezados.
Estará com medo que os 58% dos que pretendem votar neste governo, nas próximas eleições o venham a chamar de aldrabão ?
Não deve ter receio disso. Ele está habituado a desmentidos de todo o género. Incluindo aqueles com que o primeiro-ministro já o brindou: te-par-nao-sabe-dancar-o-tango-8211255
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/es
“um sistema fiscal moderado e previsível”
Hahah!
Um sistema fiscal mais opressivo e tirânico que o correspondente da Ditadura do Estado Novo.
E vêm aí mais impostos. Claro que só conseguirão afugentar ainda mais o investimento.