As carpideiras de Bin Laden


Pedro Correia,

Qualquer canalha, por mais abjecto que seja, encontra sempre umas carpideiras dispostas a envergar luto. Aqui proclama-se bem alto o nojo pela vitória da “barbárie”, entre lamentos pela “morte de um homem”. Aqui berra-se contra a “hipócrita supremacia moral do Ocidente”. Aqui chora-se pela aplicação da “pena de morte” justificada aqui para outros, só três posts mais abaixo. Aqui conclui-se sem dúvidas de espécie alguma: tratou-se do “embuste da década”.

No sítio do costume. Este local inimitável.

36 comentários em “As carpideiras de Bin Laden”

  1. Pedro, o seu comentário é completamente desonesto intelectualmente. As questões que eu levanto prendem-se com a forma e com as incoerencias do processo que levou à morte de Bin Laden. Até o recem eleito presidente da conferencia episcopal foi critico…

    Nao nutro a minima simpatia por Bin Laden, mas nao acha que justiça teria sido ele ser capturado e julgado? e se tivesse sido morto no processo (uma bala no olho parece demasiado com uma execução sumária) o corpo ter sido entregue à familia? Eu acho que sao questoes de bom senso, se o pedro acha que é chorar alguém, talvez o tenha julgado mal, talvez o Pedro seja um bárbaro também…

    1. Vocês são mais papistas que o Papa, Rafael. Nem a Al Qaida, que eu saiba, pôs em causa a versão norte-americana (caucionada por Barack Obama, Nobel da Paz) de que a figura nº 1 do terrorismo internacional foi abatida numa troca de tiros: era matar ou morrer. Tratando-se de quem se tratava, era de supor que não se entregaria sem luta. O que fazer? Deixar tal figura mais dez anos à solta, bafejada pelas evidentes cumplicidades com as forças armadas paquistanesas? Deixá-la matar mais uns milhares (ainda há poucos dias, em Marrocos, foram ‘despachados’ mais uns tantos?). Ser cúmplice de novos crimes por inacção?
      Há limites para a tolerância perante esse crime hediondo que é o terrorismo: até por motivos ideológicos, esperaria de vocês um repúdio total e sem ambiguidades deste crime, tenha o pretexto político que tiver. Não por acaso, o Conselho de Segurança da ONU – órgão máximo da jurisdição política internacional – elogiou por unanimidade a operação norte-americana.
      Gostaria, nesta ocasião, de encontrar no vosso blogue opiniões como esta que o ex-líder parlamentar do PCP, Octávio Teixeira, emitiu ontem na SIC: «Congratulo-me com esse facto [morte de Bin Laden]. Bin Laden foi o inspirador dos atentados mais mortíferos contra populações indefesas.» Ou esta, hoje pronunciada pelo deputado do BE João Semedo na RTP: «Ter desaparecido um símbolo [do terrorismo] é seguramente um passo no enfraquecimento dos meios e das organizações que se dedicam ao terrorismo.»
      Sendo outro o vosso trilho, não se surpreendam que isso vos leve a receber críticas. O contrário é que seria de espantar. E pode chamar-me bárbaro à vontade: garanto que não me ofendo.

      1. Exacto Pedro. Não pode haver tolerância para a intolerância. Deixemo-nos de pruridos politicamente correctos.
        O antiamericanismo atávico cega e tolda a razão mesmo de pessoas inteligentes.
        Acho que há muitos que ainda não perceberam o que o está em jogo é o “eles” -e uma ideologia totalitária que rejeita sociedades que não obedecem ao seu dogma de “pureza” – ou nós.

        Para desarticular as redes terroristas é preciso determinação e coragem. A forma de dominar a Medusa é decepá-la e usar a cabeça como arma.

        Lamento a falta de piedade. Mas por essa lógica piedosa também deveríamos permitir um enterro “humano” ou um memorialzito a Pol Pot ou a Hitler. Eles também tinham família…

        1. defende que se negue o direito à sepultura mediante os crimes cometidos? e qual é a ideia: a partir de 30 assassinatos tem um cemitério de 2ª, a partir dos 70 passa para um de 3ª, crimes contra a humanidade só dá direito a campa rasa, genocidio é deixar ao ar para os abutres comerem?

          1. E às vítimas que esses monstros e os monstros, como Bin Laden e os seus comparsas terroristas negaram nos cobardes ataques do 11 de Setembro, 11 de março e 7 de Julho, e os milhares de inocentes que ao longo do ano vão morrendo quase todos os dias, por ataques prepertados em terras longínquas, mas é isso são tão longe, não é? Afeganistão, Yemen, etc., onde é que isso fica, levam com uma bomba, ah, sim faz parte do dia a dia deles, coitados dos terrorista não lhes dão descanso. Marrocos é mais perto, oh uma Monarquia fascista.

      2. ò Pedro, parece que não foi assim. A noticia do jn de hoje citando fontes norte americanas diz que ele estava desarmado mas resistiu. parece que para os militares norte americanos era matar ou levar com um bibelot na cabeça…
        deixei-lhe a pergunta na tasca do costume. está convidado a debater lá.

          1. mas ainda anda a fugir à questao central: porque foi executado Bin Laden e nao foi capturado? Concorda com a acção? Não crê que se fosse capturado seria uma mais valia na luta contra o terrorismo? e por favor, não me dê uma resposta à Àlvaro…

          2. Não me diga que você também critica a violação do princípio da territorialidade e da ‘soberania nacional’ do Paquistão, como tenho lido por aí. Faço-lhe notar que nos termos jurídicos norte-americanos esta operação foi plenamente legal. Inseriu-se numa acção de guerra, conduzida pelo Presidente dos EUA como comandante-em-chefe com mandato do Congresso. Concordo consigo apenas num ponto, em que aliás você concorda com o porta-voz do Vaticano: é moralmente ilícito celebrarmos a morte seja de quem for, mesmo que seja o maior dos canalhas.

          3. isso é mesmo uma resposta à àlvaro…
            porque foi executado Bin Laden e nao foi capturado? Concorda com a acção? Não crê que se fosse capturado seria uma mais valia na luta contra o terrorismo?
            estas foram as perguntas que lhe deixei. nao me respondeu a nenhuma…

          4. Claro que concordei com a acção. Estou bem acompanhado: o Conselho de Segurança da ONU – por unanimidade – congratulou-se igualmente com a operação norte-americana.
            Também concordei com a operação da Mossad que em 1961 capturou Adolf Eichmann na Argentina, por mais que algumas santas almas clamassem contra a putativa violação do ‘direito de territorialidade’.
            Lembro-lhe que os EUA estão em guerra contra a Al Qaida. A guerra foi-lhes declarada da forma mais abjecta, cobarde e criminosa por Bin Laden em 2001. Recordo-lhe que ele assumiu a autoria dos atentados que provocaram três mil mortos. A operação de captura só pecou por ser tardia devido à óbvia cumplicidade dos paquistaneses em relação ao milionário saudita, que estava há pelo menos seis anos entrincheirado no seu ‘bunker’ de luxo, avaliado em mais de um milhão de dólares, a 800m da principal academia militar do Paquistão.
            Obama tinha mandato do Congresso para ordenar esta operação, que constituiu uma acção militar de legítima defesa. Como é óbvio, operações de elevadíssimo risco como esta podem provocar vítimas, de qualquer dos lados. Como é óbvio também, suscitam legítimas interrogações sobre os limites das democracias para se defender dos seus inimigos. Este debate, por natureza, é interminável. O problema é que os criminosos prosseguem as acções – como ainda há dias vimos em Marrocos – enquanto o debate segue o seu curso…
            A propósito: é a primeira vez que vejo alguns de vocês, no 5 Dias, tão preocupados com o destino de um milionário. Quantos milhares de cadáveres necessita esse milionário de ter no seu cadastro para justificar tanto desvelo da vossa parte?

            Espero ter sido suficientemente claro.

          5. caro Pedro, em 1º lugar, pelo menos no 5 dias, cada um pensa pela sua cabeça e emite os seus razonamentos sobre o que entende, por isso não percebo a alusão ao vocês…mas seguindo, o Pedro fala de captura, mas eu não coloco nunca em causa a tentativa de captura de Bin Laden (recomendo que releia os textos e comentários que fiz) mas sim a sua execução, como já foi admitido pelas autoridades norte americanas. as questões que lhe coloquei foram simples:
            porque foi executado Bin Laden e nao foi capturado? Concorda com a acção (de matar em vez de capturar e julgar)?
            Não crê que se fosse capturado seria uma mais valia na luta contra o terrorismo?
            A nenhuma delas deu resposta e preferiu entreter-se (ou entreter-me) com questões que nem sequer abordei…

    2. Parece-me que se esquece que, hoje em dia, a guerra não é feita da maneira convencional.
      Já agora que me tem a dizer das vítimas do terrorismo, já que me parece tão tolerante com os seus assassinos.

      1. lamento todas as vitimas de todos os terrorismos.e se lê nas minhas palavras tolerância face a terroristas por querer que sejam julgados, suponho que ache aceitavel todo o tipo de execuções extra judiciais…
        Se tolerancia face ao terrorismo é a exigência de um julgamento, muitos talibans andam neste mundo, graças a Deus…

  2. Pedro agora espero que quando houver uma vitória que não lhe convenha muito, não se ponha como eles, de modo hipócrita.
    Os melhores cumprimentos

    1. Os Comunas só querem uma coisa , que o Ocidente renuncie ás Armas, à Guerra e à Violência para poderem assaltar o Poder.
      Ou seja querem o fim da Civilização pois nenhuma Civilização consegue existir sem Armas.
      Na Europa estão a conseguir.

      “Nao nutro a minima simpatia por Bin Laden, mas nao acha que justiça teria sido ele ser capturado e julgado? “

      Não. Guerra. Não sabe o que significa?

          1. o que nos separa dos barbaros é exactamente a capacidade de destrinça do bem e do mal, é travar a guerra com um minimo de conjuntos éticos.

  3. Rafael ele foi sepultado. E nao nego o direito a sepultura. Reconheco e respeito porem a legitima preocupacao norteamericana em evitar que a campa de um monstro se transformasse em local de culto.

      1. Oh, Pedro, os russos ficaram com os despojos, fotografias, etc., só depois da queda do comunismo é que mostraram ao mundo o crâneo de Hitler. Há pouco temo também saiu um livro mandado escrever por Estaline, sobre Hitler, e que esteve guardado durante estes anos todos no cofre do Kremelin que pertenceu a ao camarada, que tinha uma fascinação e verdadeira admiração pelo monstro nazi, por isso, esteve tão deprimido e quase uma semana sem sair da sua casa, quando os alemães atacaram a Rússia, ele sempre pensou que os alemães nunca o fariam.

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