Um comentário em “As canções do século (1341)”

  1. Há dias que não blogueio, vagueio apenas.
    Hoje vim até aqui e fico triste de não ter chegado mais cedo.

    Esta canção e esta mulher farão sempre parte da minha vida.Nunca resisto a falar dela.
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    Era uma tarde de Inverno.Um Janeiro como tantos outros.Ou não. Coisas estranham me aconteciam. Há muito tempo que não escrevia e uma inquietação um pouco azeda incomodava.
    Mais um dia de trabalho. Agora era apanhar o autocarro e rumar a casa, tudo de noite, as tarefas do costume à minha espera, enfim, o ritual de sempre.
    Já de saída, alguém me grita lá de dentro: Sabes quem morreu?

    Abafei um soluço. Sem olhar para trás, continuei. Atropelada? Uma mulher destas morre assim sem estilo, sem história como qualquer outra?
    A viagem não era longa. Talvez meia hora. O tempo de escrever mentalmente o meu Requiem. E deixei-o sempre assim. Em bruto.

    SARAVA ELIS

    Quanto te vi e te ouvi cantar assim
    como só tu cantavas
    percebi que nunca mais deixaria de gostar da música do teu País…

    O fogo do teu olhar
    aquele palco tão pequeno
    pra força de um ARRASTÃO
    Teu UPANEGUINHO ligeiro
    cabia todo ele inteiro
    dentro do meu coração

    FASCINAÇÃO nesse encanto
    que trazia até à gente
    outra gente tão igual
    Sabia a mar e a ternura
    e dava-nos essa loucura
    de viver para sonhar

    Contigo vai um pouco
    desta alma de mulher comum vulgar
    e o carinho por alguém
    que atingiu o mundo inteiro
    com esse tiro tão certeiro
    de dizer tudo a cantar

    Com Venicius e com Brel
    Com Lennon e contigo
    Parte um sonho e AQUELE ABRAÇO
    Fica também a certeza
    tão triste, escura e imensa
    nesse TREM que descarrila
    e a que a gente chama VIDA

    Que te tenha em bom lugar
    a SENHORA DA APARECIDA

    20 de Janeiro de 1982

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