Aqui e noutro blogue, ando há vários dias a fazer súmulas dos programas eleitorais dos partidos políticos concorrentes às legislativas de domingo, como qualquer leitor um pouco mais atento terá reparado. Já tinha feito o mesmo na campanha de 2009: é uma tentativa de prestar serviço público aos leitores, que são também eleitores. O João Galamba, que por estas tardes tem sido acometido por frequentes sintomas de excesso de zelo, deparou com isto, em que me limitei – sem comentários – a enumerar 50 promessas eleitorais sociais-democratas e logo me imaginou “muito entusiasmado” com os objectivos deste partido.
Isto foi ontem: se tivesse esperado pela manhã de hoje, em que enumerei 50 promessas eleitorais do PS, lá me veria ele “muito entusiasmado” com os socialistas. Mas, neste seu trepidante afã de tresler o que os outros escrevem, é sempre possível esperar um cenário diferente: amanhã será capaz de supor que me converti ao MRPP, que sou compagnon de route do Partido Humanista ou que tenciono votar na Carmelinda Pereira. A tão poucos dias da eleição, enfim, consigo compreendê-lo: aquilo por lá não anda fácil.

Tens andado nas bocas de um certo mundo (aquele onde a coisa não está fácil).
Pois. Na câmara de eco do Governo e noutro lado também, quase em simultâneo. Em som estereofónico. Ao menos não precisam de pagar direitos de autor.
Pedro: Clap, clap, clap. E como diz o Povo: “Os cães ladram e a caravana passa”.
Um abraço!
Abraço, Fernando.
Parece que afinal também ficámos pelos “5 em acção”.
É isto a Democracia à Medida
http://utopiarealista.blogspot.com/2011/0 5/democracia-medida.html
O que resta para além dos cinco, Utópico? O MRPP, que fez todo aquele chavascal a exigir debates televisivos e hoje faltou, deixando jornalistas e representantes dos restantes partidos a ver navios? A professora Carmelinda que tem um partido em que só ela milita? Aquele cavalheiro que faz os ‘comícios mais pequenos do mundo’ conseguindo reportagens televisivas com um bate-papo com duas senhoras num apartamento qualquer?
Andamos a brincar à política com partidos destes. E a brincar ao jornalismo ao fazer cobertura de iniciativas como estas.
O facto do MRPP não ter comparecido nos debates tem a sua razão de ser, pois foi um protesto contra umas migalhitas de simular uns debates apenas com os pequenos partidos.
Faço já aqui um desclaimer que não pertenço nem ao MRPP, nem a qualquer outro partido pequeno.
Confesso que alguns desses pequenos partidos são uma “nódoa”, um vazio de ideias. No entanto a minha questão vai um pouco mais além.
Não estou aqui a falar daqueles partidos que apenas fazem palhaçadas, qual emplastro num debate.
Assumindo que para se criar um partido é necessário um número mínimo de assinaturas, e que o partido não será apenas uma pessoa, mas sim ou conjunto de pessoas que se revê em ideiais comuns, apenas que questiono porque razão as subvenções do estado para as campanhas não são iguais qualquer que seja o partido??
Porque razão não têm todos direito a ser ouvidos e a debater as suas ideias?
Não será isto um proteccionismo e um desvirtuar do conceito de democracia??
Talvez isto seja uma utopia, e talvez seja por isso que me considero um utópico, mas acredito que algumas das nossas utopias um dia possam ser realistas.
Abraço.
Não creio que seja utópico, mas para terem eco devem ter uma voz minimamente credível.
Não acho credível um partido que tem como ponto principal a defesa dos direitos dos animais (só falta defender a concessão do direito de voto aos ditos cujos). Nem um partido que apoiou Cavaco nas presidenciais e agora serve de barriga de aluguer ao candidato anti-Cavaco JM Coelho. Nem um partido que leva jornalistas a um apartamento de uma senhora anónima para aquilo que designa de ‘menor comício do mundo’. Nem um partido que move uma providência cautelar para haver debates televisivos e depois é o único a faltar a esses debates.
O nosso crivo crítico não deve limitar-se aos partidos maiores. Estes também merecem a nossa crítica.
Um abraço.
Confesso que tenho visto o seu trabalho nestas listagens de medidas e admiro o seu trabalho, que mostra que é possível fazer mensagens blogosféricas como peças jornalísticas com rigor e isenção sem ter em conta o que pensa o seu autor… infelizmente para alguns isenção e rigor é só quando se divulga as ideias de uns e se escondem as dos outros, eu respeito a sua pluralidade sem a criticar. Parabéns pela iniciativa!
Carlos: confesso que estou preparado para quase todo o género de críticas. Agora ser apontado como “entusiasta” do programa eleitoral do PSD só porque o resumi aqui, com a margem de subjectividade sempre existente nestas coisas, a par do que fiz com os restantes partidos parlamentares, é algo que escapa ao meu entendimento.
Obrigado pelas suas palavras.
Isto na melhor das hipóteses tem um nome: precipitação. Na pior tem outro…
Deve ter sido precipitação. Já na libertação de comentários não é nada precipitado: 24 horas depois de lá ter deixado um comentário ainda continuava por libertar.
Nada mal, para quem apela ao debate…
O Pedro conhece aquela anedota onde se pergunta a um jovem para onde vai e ele ‘todo entusiasmado’ responde “VOU PARA A FESTA” e que passado algum tempo, no regresso da festa lhe fazem a mesma pergunta e ele responde cabisbaixo: “venho da festa”?
O Galamba é igual, anda cabisbaixo pelo fim da festa!
Talvez, Carlos, mas eu não tenho culpa nenhuma disso.
PIMBA!!! Gostei
Um abraço aí para Macau, Pedro.
Esse Galamba é uma espécie de polícia de costumes socráticos destacado para a blogosfera, não?
Será?
Ai,ai, mais valia ao Galamba estar caladinho para fazer estas figuras. É impressionante porque o Pedro tinha publicado antes os programas do BE e do CDS se não me engano…enfim é o que temos.
Pois, Daniela. À luz do douto critério do deputado socialista, em cada dia torno-me suspeito de “entusiasmo” pelos programas eleitorais de sucessivos partidos. E eu a pensar que estava aqui apenas a tentar fazer serviço público…