Tem algo de infantil esta melodia e no entanto não é uma canção para crianças, muito menos uma cantiga sobre a infância para consumo de adultos nostálgicos. Esta veste-nos de bibe e equipa-nos com material escolar logo que avança com a letra, numa simbiose perfeita, própria das canções de génio. Comovente sem ser lamechas, Aquarela (Toquinho/ Vinicius de Moraes) explica-nos a vida em poucos versos, apoiada no fraseado cristalino do violão de Toquinho:
“E o futuro é uma astronave
que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade
nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
muda a nossa vida
e depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe
conhecer ou ver
o que virá
o fim dela ninguém sabe
bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
de uma aquarela
que um dia em fim…descolorirá”
Em cinco ou seis rectas Toquinho e Vinicius fazem-nos o desenho. Se nos remetem para a infância é para que nos possamos ver em perspectiva e acrescentar doses generosas de amor-próprio à consciência das nossas limitações. Aquarela é um tema que nos desampara e dá colo ao mesmo tempo, que vai até ao nervo mas com uma candura que nos desarma. Acordei hoje com ela. Bom dia!

Deliciosa de facto. Embala-nos e abala-nos. Bom dia!
Maravilha…
Não é preciso dizer mais nada, só ouvir.
Um encanto. Bom dia também para ti.
Gosto muito.