Apontamentos sobre um mundo paralelo


Diogo Novo,

casas lisboa.png

Retirado do Facebook

Embora não seja especialista no mercado imobiliário, creio que o preço do metro quadrado em Lisboa é formado pela conjugação de dois factores: (i) o normal funcionamento da lei da oferta e da procura; (ii) a sofreguidão do Zé Tuga que, sem a mais pequena noção do país onde vive, e vendo o mercado do imobiliário em alta, decidiu que ficará rico do dia para a noite, custe o que custar. Caso não concorde com este ponto (ii), caro leitor, atente no anúncio que ilustra este post: o arrendamento de uma maravilhosa cave com 25m2 está ao seu alcance pelo módico valor de 800€ por mês. Top!

18 comentários em “Apontamentos sobre um mundo paralelo”

  1. Não vejo o que tenha a ver com Zé-tuga em particular.

    É a lei da oferta e da procura. Se ninguém aceitar baixa-se o preço.

    Não é válida só para “os mercados”, aquela identidade omnisciente, omnipotente e omnipresente que determina os valores da dívida pública e outras coisas muito sérias.

      1. O que é irónico é que se defenda o mercado para tudo, desde que não fique mais caro para eles e que o pobre seja regulado.

        Se fosse uma casa de luxo com um aluguer de 10000€, era lei do mercado.
        Se as grandes imobiliárias andam a comprar edifícios antigos por grosso no centro das cidades fazendo subir os preços, o mercado dá-lhes esse direito.

        O mesmo com os salários: Quando se fala em salário mínimo, rasga-se as vestes, porque estão a condicionar o mercado, quando não aparece ninguém para trabalhar pelo salário proposto diz-se que o povo não quer trabalhar.

        Os nossos zé-tugas liberais são uns deslumbrados, querem ser modernos, desde que isso não lhes atrapalhe a vidinha e haja respeito do povinho.

    1. Tem a ver com a ganância tugo-lisboeta, pode crer. E tem a ver com o facto de haver empresas de imobiliário (cujo âmbito de actividade está normalmente concentrado num certo tipo de actividade predatória que altera a natureza simples do mercado) a vender apartamentos lá fora por atacado para investimento — o que desequilibra profundamente a lei da oferta e da procura.

      Ou melhor dizendo, da procura e da oferta.

  2. Concordo com o comentário anterior de Jo. Isto nada tem a ver com o Zé Tuga: a sofreguidão é uma parte integrante da Lei da Oferta e da Procura. Ou seja, qualquer vendedor, seja ele Zé Tuga ou outro, procurará em geral, sofregamente, vender o seu produto pelo maior preço que um comprador esteja disposto a pagar.
    Ora, pelos vistos, deve haver quem esteja disposto a pagar 800 euros de renda por 25 metros quadrados no centro de Lisboa (apesar de a classe energética D sugerir que a construção deva ser de fraquíssima qualidade). Logo, o vendedor, sôfrego, irá pedir esse preço.

    1. Porque é que é “pelos vistos”?

      A lei da oferta e da procura funciona com os falhanços de venda e as faltas de oferta.

  3. Acho que esta estratégia de arrendamento – pedir um valor muito elevado – é arriscada, porque pode levar a que o inquilino se vá embora na primeira oportunidade (e, de caminho, cause alguns danos escusados no apartamento). Parece-me mais acertado pedir uma renda um bocado abaixo do máximo do mercado, na esperança de que assim o inquilino fique muito tempo na casa arrendada (e a trate bem).

  4. “ficará rico do dia para a noite, custe o que custar”

    Parece que a EDP pensa o mesmo.

    https://24.sapo.pt/jornais/nacional/4063/2018-03-21#utm_source=hp&utm_medium=Web&utm_campaign=topBSU&gid=1&pid=2

    O Diogo parece dar razão à proposta do BE:

    Medidas urgentes, alega o Bloco, “porque a desregulação do AL, juntamente (…) com movimentos especulativos estimulados por situações como a dos residentes não habituais, estão a criar uma crise habitacional que já chega a setores da população com rendimentos médios”.

    https://www.esquerda.net/artigo/bloco-quer-regular-o-alojamento-local-para-garantir-o-direito-habitacao/51658

    1. Ao contrário dos militantes do BE, não me custa nada dar razão a quem se situa em lugares políticos longínquos do meu. Embora, no caso em apreço, fazer do Estado senhorio ou suprimir actividade económica não me pareçam grandes ideias.

      1. “suprimir actividade económica”

        Lei da Oferta e Procura..

        Embora concorde consigo que é um abuso…Lisboa é mais cara que Amsterdão!

    2. Temos que compreender que, cada vez mais, Lisboa é um parque de diversão para turistas. É isso atualmente e cada vez o será mais.
      A solução não passa por impedir os turistas de se virem divertir ao seu parque, mas sim por irmos viver para outro lado.
      Tal como no passado as fábricas deixaram de estar em Lisboa e se deslocaram para sítios longínquos, é altura de o setor governamental e de serviços também se afastar de Lisboa em direção a cidades pelas quais os turistas tenham pouco interesse.

    3. Não é o AL — são as casas vendidas no estrangeiro (sobretudo em França) como investimento e habitação sazonal. E à medida que a França vai ficando islamizada e o governo deles sobe os imposto para pagar subsídios àquela gente toda que não faz a ponta de um corno — mais Franceses se vão pirar de lá para cá.

      Aposto o meu testículo direito em como tenho razão.

  5. E eu que sou velha, pergunto?
    Lei do mercado com Zé Tuga a empobrecer e com rendimento cada vez mais baixo?
    Globalização e responsáveis politicos a permitirem aquisição de património com facilidades e isenções que não são dadas aos naturais?
    Qualquer dia somos todos servos no nosso próprio País!

  6. Ainda ontem na TV esplicava o autarca que o “mercado” não conseguiu nem pode jamais conseguir resolver o problema da habitação em Lisboa.
    Só a intrevenção pública da Câmara Municipal e/ou do Estado.

    Sendo que essa intervenção pública, do Estado e/ou da Câmara Municipal, está em vigor desde os tempos de Salazar PM, ininterruptamente, desde o século passado, e os problemas do aluguer de alojamento presiste, a pergunta é:

    Será que esta gente pensa que as mesmas políticas públicas, com mais impostos para cima dos problemas, alguma vez provocarão outro efeito que não os usuais?.
    Ou, caracteristicamente, apenas estão continuando com o seu típico jogo de aprendiz de feiticeiro, ao atirar jangadas verbais para cima de um (a naufragar) eleitorado que acredita em tudo o que quer acreditar ?.

  7. Sim . O Estado que fez meio país se deslocar para Lisboa e arredores.

    Depois queixam-se e querem mais Estado.

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