De Homs, cidade-mártir, continuam a chegar dramáticos testemunhos sobre a acção homicida dos esbirros de Bachar el-Assad, o ditador sírio que não hesita em utilizar os mais repugnantes meios para atingir o seu fim: perpetuar-se no poder até à morte, como sucedeu ao pai, Hafez Assad. O filho limita-se a seguir o lamentável exemplo paterno: Hafez (1930-2000) foi o caudillo da Síria durante três décadas e autor moral do massacre de Hama, em 1982, justamente lembrado no portal da Amnistia Internacional. Há 30 anos, tal como acontece hoje, o regime esmagava todos quantos reclamavam liberdade, direitos humanos e justiça social. Nem nos hospitais os sírios escapam à tortura. E as crianças sofrem tantas represálias como os adultos, segundo denunciam prestigiadas organizações não-governamentais, como o Observatório de Direitos Humanos. Situações que podem ser classificadas como crimes contra a Humanidade enquanto os cadáveres se amontoam: segundo estimativas das Nações Unidas, já terão sido liquidadas cerca de 7500 pessoas em 11 meses de contestação aberta à tirania.
«Um massacre é um massacre. Seja onde for, independentemente de quem o pratique, qualquer que seja a justificação invocada, deve ser condenado por todos os que conservam um mínimo de empatia por outro ser humano», como justamente escreve Pedro Viana no Vias de Facto.«Os que encaram os seres humanos como peões de um jogo de guerra, moeda de troca ou simples matéria-prima a utilizar numa espécie de “lego” social e político, alistam-se e mobilizam-se ao serviço da desigualdade e da reprodução da opressão», assinala também – com uma frase certeira – Miguel Serras Pereira no mesmo blogue. «Matar um povo barricado numa cidade é genocídio, e qualquer insurreição popular democrática contra uma ditadura – independentemente das direcções políticas que estão à frente dessa insurreição – deve contar com o nosso apoio», sublinha por sua vez Raquel Varela no 5 Dias.
Todos de acordo, ao menos nisto? Claro que não. A ditadura síria encontra fervorosos apoiantes na extrema-esquerda blogosférica, que usa e abusa da palavra revolução mas entra imediatamente em êxtase cada vez que os torcionários disparam o gatilho. No próprio 5 Dias encontramos pessoas como o Renato Teixeira, que põe umas aspas medrosas na palavra ditadura para qualificar a Síria, demonstrando respeitinho pelos pides de Damasco. Ou o Bruno Carvalho, que celebra sem pudor as atrocidades cometidas em Homs pelos animais fardados às ordens de Assad.
Regresso às lúcidas palavras de Raquel Varela: «Não é esmagando um povo que se reforça a sua capacidade de resistência ao imperialismo.» Nada mais certo. Palavras que recomendaria ao Bruno e ao Renato se eles soubessem ler algo mais do que as folhas de propaganda da criminosa dinastia que há mais de 40 anos oprime o povo sírio.

O sacrifício dos mais elementares direitos às mãos da sanha ideológica e o esmagamento da existência individual pela cegueira colectivista está-lhes no sangue. E o sangue está-lhes nas mãos.
Cúmplices intelectuais, pelo sectarismo mais fanático, das maiores atrocidades cometidas hoje em dia no planeta, Rui.
A Síria é parte histórica dos correlegionários de Moscovo, a que se juntam os anti-semitas de vários graus.
Essa Esquerda defende um regime ainda pior que o de Assad para Portugal. Mais Totalitário.
Assad mata quando lhe querem tirar o poder.
A Extrema Esquerda Portuguesa mataria para nacionalizar tudo.
“A Extrema Esquerda Portuguesa mataria para nacionalizar tudo”
Lido numa T-shirt, aposto! 🙂
O seu último parágrafo toca num ponto muito sério e que nos conduz à reflexão. Não vamos permitir que a cegueira colectivista que os norteia e que lhes está no sangue, como comenta e bem RR, derrame o nosso sangue e estrangule os nossos mais elementares direitos de dignidade e cidadania. Sublinho do texto: “Hafez (1930-2000) foi o caudillo da Síria durante três décadas” … e só por curiosidade, questiono:
– Em que ano(s) tiveram lugar as eleições? E ainda:
– Como se posicionam os srs ditos de esquerda quanto às notícias que suportam este post?
Os extremos tocam-se, está mais que visto.
“Um massacre é um massacre”. (ponto)
“Uma ditadura é uma ditadura”. (ponto)
Mais um excelente e atempado post, sem côr/direcção ou afectividade senão a da humanidade, solidariedade e coerência ético/moral…o rigor que se exige nesta certeza, neste dogma insofismável sem redundância.
Muito bem.
David
Se há coisa que me indigna é a duplicidade moral, David. Daqueles que se afirmam contra umas ditaduras enquanto idolatram outras.
Mas das figurinhas citadas e do seu pequeno grupo de seguidores/comentaodres o que é que se podia esperar? Se há uma ditadura que não simpatize com o ocidente, quanto mais repressão melhor. E se alguém os contradiz, vêm logo com a “propaganda ocidental a soldo do capitalismo”. Mentes estalinistas que defendem métodos estalinistas, é o que são.
Quanto mais repressiva e sanguinária for uma ditadura, basta-lhe ser anti-Washington para contar com o apoio desses grupúsculos. Sempre indiferentes às pilhas de cadáveres. Para eles, o fim (combater os EUA) justifica todos os meios.
A Rquel também diz:
“Porém, se a Síria for invadida pelas tropas imperialistas dos EUA, da UE e outros, não faz qualquer sentido alinhar ao lado dos ‘democratas libertadores ocidentais’. Na hierarquia mundial das nações, a Síria é um país dominado, e os supostos ‘democratas’ norte-americanos e europeus são os dominadores. Não há, a não ser muito conjunturalmente, nenhuma ditadura no Mundo que não conte com a complacência ou o apoio directo dos ‘democratas’ imperialistas norte-americanos e europeus.
Se o regime sírio, ainda que tibiamente e apenas para salvar a própria pele, decidir enfrentar a invasão imperialista, o dever de qualquer revolucionário internacionalista continua a ser o de combater os invasores imperialistas – neste caso, e durante essa hipotética conjuntura, militarmente (não politicamente) poderíamos ver-nos a disparar para o mesmo lado que o ditador do país dominado.”
Eu li o seu texto integralmente e disponibilizei-o, através de ligação incluída no meu, a todos os leitores que pretendessem lê-lo também. Mas agradeço-lhe à mesma a achega que aqui nos trouxe, Raquel. Entretanto espero não lhe ter causado qualquer embaraço pelo elogio sincero que lhe fiz.