Ao contrário (e um conselho gratuito)


escafandro,
Pode ser a minha ingenuidade congénita, que montanhas de comprimidos azuis – não, de um tom de azul completamente diferente – têm sido incapazes de debelar, mas dá-me ideia que, de forma geral, uma carreira académica prestigiante precede uma carreira política. Afinal, os Kennedy andaram por Harvard e a classe política britânica está tão ligada a Eton e Oxford (ou Cambridge) que as acusações de elitismo são mais frequentes do que turistas olhando para a esquerda nas ruas de Londres, apesar da profusão de avisos para Look Right. Das duas, uma: ou eu estava enganado e estes são exemplos não representativos ou – e parece-me mais provável (vai-se a ver e os comprimidos começam a fazer efeito) – por cá resolvemos fazer ao contrário: primeiro entra-se num partido (onde deve ser preciso estudar menos do que numa universidade a sério) e faz-se a carreira política; depois leva-se o cartão partidário a uma universidade (e talvez um certificado de passagem pelo governo ou, pelo menos, de acesso directo a governantes) e obtém-se automaticamente a licenciatura. Não é caso único (fazemos muitas coisas ao contrário dos outros) e até podia constituir uma inovação simpática, não fosse o pormenor de, pelo vistos, a carreira partidária só dar direito a cursos em universidades de segunda ou mesmo terceira linha. Aliás, deve ser por isso que, quando os eleitores lhes propiciam uma merecida pausa, alguns destes licenciados vão para conceituadas universidades estrangeiras melhorar o currículo. Ao ministro Relvas aconselha-se Berkeley, na Califórnia, considerada das melhores nos campos da etologia, da antropologia e da sociologia.

18 comentários em “Ao contrário (e um conselho gratuito)”

    1. Eh, indeed . Se calhar não é a melhor opção para ele, que, ao contrário de tantos outros, se calhar nem chegou a ser Maoísta . É o que dá pesquisar na net e escolher a universidade que ainda não havia sido mencionada no texto (por outro lado, também não o queria mandar para perto – e muito menos para Paris, de modo a evitar as más companhias).

      Outra coisa: está cientificamente provado que ir passear à Califórnia duas vezes em dois anos é extremamente irritante para as outras pessoas.

      1. Ahahaha. Os meus amigos californianos já me perguntaram porque não vou este ano. Terá de ficar para 2013… Mas please não me mande o Relvas para lá. Ohmmmm

          1. Vou ser mázinha, muito mázinha: ir três vezes à Amazónia (a trabalho entenda-se) no mesmo ano (este) não viola os direitos humanos, pois não?

            Boas Férias!

          2. Como “boas férias”? Eu não estou de férias!

            Cuidado com as piranhas. E com as onças (pretas, pintadas e vermelhas). E com os jacarés. E com as anacondas. E com as jararacas. E com os escorpiões. E com as formigas tocandira. E com as aranhas armadeiras. E por aí fora.

            http://www.videosurf.com/video/animais-venenosos-da-amaz-nia-com-%27steve-brackshall%27-137620880

  1. Nos EUA os políticos não precisam de se enfeitar (com penas de pavão) com estes pacóvios títulos de “Dr.” ou “Eng.”, que são, como sabemos, a única razão porque estes profissionais da política os querem.
    Também duvido que Bolonha, que se limitou a copiar as licenciaturas de três anos dos americanos, tenha alguma responsabilidade neste forrobodó.
    Já agora, seria bem interessante ver um jornalista (um só que fosse…) investigar quantos políticos compraram licenciaturas destas, para além do Sócrates e do Relvas.
    Ele é o BPN, o Freeport, as PPP, os orçamentos pulverizados em todas as obras públicas, as escutas, as secretas, as pressões aos jornalistas, agora isto e o mais que está para vir…
    Não haverá fim para esta degradação moral?
    C’um caraças…

    1. O problema (não para mim, que o sou – assim o asseguram os meus amigos de direita; os de esquerda acham-me pouco esquerdista para o gosto deles) é que Berkeley é considerada um viveiro de esquerdistas. Mas, claro, o ministro Relvas adapta-se. Há pessoas que se adaptam a tudo.

    2. Haver fim, certamente haverá. Não sei é se está à vista…

      Quanto à importância dos títulos por cá, basta lembrar a forma como Santos Pereira foi ridicularizado quando, ainda antes de ter tempo para fazer o que quer que fosse, pediu para o tratarem por Álvaro.

  2. Se alguns anos de atividades partidárias dão equivalências a disciplinas de Ciência Política, será que alguns anos dedicados a curas de desintoxicação de álcool ou drogas darão equivalências a disciplinas de um curso de Psicologia?
    Quem se deve sentir muito frustrado com esta licenciatura do ministro Relvas são os falsos médicos, advogados ou padres que após anos de prática sem diploma foram expulsos dessas profissões. É que a Universidade Lusíada podia ter-lhes dado algumas equivalências…

  3. Creio qd Berkeley teve ou tem ainda um estrado em Mahjong. Parece-me adequado.
    Mude de pastilha, aliás a eficácia dos a.d. não está demonstrada – por incrível que pareça.

  4. Jaa, não fique muito impressionado com as “carreiras prestigiantes” dos governantes americanos e ingleses em universidades de topo. Um titulo, um nome, o dinheiro e a carreira politica dos paizinhos sempre abriram portas em Harvard, Yale, Oxford e Cambridge, e assim aconteceu com muitos dos governantes que você conhece ao longo dos tempos, se se quiser dar ao trabalho de investigar. Muitos desses ficam nos anais das universidades pelos feitos desportivos ou pela intensa atividade social nos clubes, ou, simplesmente, por nada. Não temos de ficar complexados e deslumbrados com o estrangeiro.

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