Apesar de se terem mantido à venda em algumas mercearias das nossas cidades e vilas, só no último par de anos vi as famosas garrafas de xarope de capilé regressarem em força à vizinhança das de groselha, sobretudo nos grandes supermercados. Chegado de chapa o calor, a quem nunca provou o centenário refresco português feito com base em extracto de avenca deixo um capilé fresquinho por sugestão. É mais suave que chá gelado, não tão acre quanto limonada, menos insípido que ginger ale, mais inocente que cerveja e menos caro que qualquer sumo de pacote. Não consta que cure nada, mas dispõe bem – e haja boa disposição para enfrentar os trabalhos e os dias por vir.
[Foto: João Tito, via Amnésia]


Fizeste-me transportar a remotas memórias de infância, Cláudia. Refrescos de Verão em copos altos, com muito gelo – capilé e salsaparrilha. De groselha nunca gostei, mas dos outros dois sim. Nunca mais bebi, desde miúdo. Gostei de saber que ainda há.
Pedro, também nunca gostei de groselha (de tão doce que é), mas deve ser bem popular; não me lembro de outro xarope não-alcoólico que se tenha aguentado comercialmente ao longo das décadas. E sei que ainda há quem faça salsaparrilha artesanalmente, mas nunca provei. Pode ser que regresse também 🙂
Não fazia ideia de que ainda se fazia capilé engarrafado! Tem piada que se recuperem estes clássicos. Já não sou do tempo do pirolito, mas a Canada Dry, naquela garrafa elegante, fez parte da minha infância. Da salsaparrilha de que fala o Pedro é que não me lembro.
Ana, Chloé, da Canada Dry só me lembro de beber a (Spur?) Cola, a meio dos anos oitenta, nas vendas de aldeia onde a Pepsi e a Coca-Cola tardavam em chegar.
Spur Cola? Claro, lembro-me dessa também…
Anos 80? Eheh… aí eu já bebia coisas mais bravas… Não, a Canada Dry de que eu me lembro em miúda é pré-invasão americana.
Do mesmíssimo tempo de uma laranjada mítica que o Sul desconhece em absoluto, mas que o Centro consumia patrioticamente nos meus anos de escola: a Buçaco 🙂
O Sul desconhece, mas eu – que em miúdo vivi no Norte – conheço e já trouxe aqui, ao Passado Presente, Chloé. Buçaco laranjada e Buçaco gasosa.
Perdi essa, vergonhoso.
A Canada Dry, claro… que bebida de sabor “ousado”, eheh. Confesso que adorava. O capilé nunca provei. Fiquei curiosa. Mas… quanto é o teor de açúcar?
Canada Cry? Vou trazê-la aqui não tarda nada.
Chloé, não sei de cor, mas aposto que é muito (da receita tradicional, para além dos outros ingredientes, aprox. 0,5 kg açúcar para cada garrafa – 7,5dl – do xarope/concentrado); mas como para cada dose do dito devem ser misturadas quatro ou cinco de água, dá para moderar a coisa:)
Letal! 🙂 Mas porque é que tudo o que é bom ou é pecado, ou… ou…?