Ana Bola: «Sou muito boa boca»


Pedro Correia,

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«Tenho muita pena de não ter feito Medicina. Leio muita coisa sobre temas médicos»

 

Soam gargalhadas do lado de lá do telefone. A actriz que se habituou a trabalhar nos mais diversos palcos – e a cantar bem, além de representar – sente-se à vontade na comunicação. Ou não fosse do signo Gémeos. Recordo que a conversa com ela foi particularmente bem-disposta. Mais a sério, confessou-me que sonhou ser médica.

 

Qual foi a maior decepção que sofreu até hoje?

Foi tão grande, tão grande, tão grande que não posso falar dela publicamente.

Gostaria de viver num hotel?

Neste momento, não. Mas gosto muito de hotéis, desde que tenha espaço para mim. Acho graça à ideia de imitar a Beatriz Costa, que viveu anos no Hotel Tivoli.

A sua bebida preferida?

Depende dos momentos. Pode ser água. Ou vinho. Ou chá. Ou sumo de laranja.

Que número calça?

38.

Que livro anda a ler?

Na Praia de Chesil, de Ian McEwan. 

Está a gostar?

Muito. Gosto muito da escrita dele.

A sua personagem de ficção preferida?

Neste momento estou muito presa ao Dr. House. Acho o actor [Hugh Laurie] magnífico. Além disso, interesso-me por tudo quanto seja ligado a hospitais e remédios e operações. Hoje tenho muita pena de não ter feito Medicina. Leio muita coisa sobre temas médicos. Interesso-me por diagnósticos, que sempre encarei como algo misterioso.

Considera-se uma pessoa saudável?

Sim. Tenho alguns cuidados com a saúde. Mas mantenho maus hábitos: fumo de vez em quando um cigarrinho, por exemplo. É um equilíbrio no desequilíbrio.

Qual é o seu prato favorito?

Sou muito boa boca. Gosto de tudo – até daquilo de que quase todas as pessoas não costumam gostar, como rins.

Diga lá um prato que aprecie mesmo muito…

Adoro uma coisa que é nojenta: língua de vaca. Com puré de batata, é do melhor que há.

Gosta de cozinhar?

Gosto muito. De repente, apetece-me fazer uma feijoada. Ou um prato leve. Ou um risotto. Ou comida indiana. Vou a todas…

Qual é o pecado capital que pratica com mais frequência?

Hoje em dia, se calhar, é a gula. Mas já tive tempos melhores.

A sua cor preferida

O azul, nas suas mais diversas tonalidades.

Costuma cantar no duche?

Não. Costumo cantar, mas não necessariamente no duche.

Sugere alguma alteração ao hino nacional?

Não. Deixem lá estar o hino como está. Já existe há tantos anos…

As aparências iludem?

Iludem. Cada vez mais. Hoje em dia, então, iludem tanto…

Qual é a sua peça de vestuário preferida no Verão?

Túnicas indianas, fininhas. Têm a vantagem de tapar a anca…

O que a irrita profundamente?

A estupidez e a burrice, mais do que a falta de cultura ou a ignorância. Imagine o que tenho de me irritar todos os dias!

Com quem gostaria de jantar?

Com a Madonna. Acho fascinante como é que uma mulher que não canta quase nada consegue manter uma carreira tão profissional durante tantos anos.

Qual o seu maior sonho?

Ter tempo para fazer apenas o que realmente me apetece.

E o maior pesadelo?

Ver partir à minha frente os meus familiares e amigos, sobretudo os que são mais novos do que eu.

O que faria se fosse milionária?

Faria certamente alguma filantropia. E compraria tempo só para mim.

Casamentos gay: de acordo?

O valor que mais prezo é a liberdade. Estou de acordo que façam o que pretendem, no pleno uso dessa liberdade.

Um homem bonito?

Zé Pedro, dos Xutos e Pontapés.

Acredita no paraíso?

Não.

Tem um lema?

A vida deu-te limões, faz limonadas.

 

Entrevista publicada no Diário de Notícias (11 de Agosto de 2007)

22 comentários em “Ana Bola: «Sou muito boa boca»”

      1. Somos quatro! 🙂
        Aprendi a comer ainda em miúda, era prato que minha mãe costumava fazer – língua de vaca estufada com cenouras e chalotas – o acompanhamento era, também, puré de batata! [arroz branco 2 – 2 puré de batata. empate técnico :)]

        Parabéns, Pedro Correia, por esta nova rubrica no DO “Quem fala assim…”
        👍

      2. Somos quatro! 🙂
        Aprendi a comer ainda em miúda, era prato que minha mãe costumava fazer – língua de vaca estufada com cenouras e chalotas – o acompanhamento era, também, puré de batata! [arroz branco 2 – 2 puré de batata. empate técnico :)]

        Parabéns, Pedro Correia, por esta nova rubrica no DO “Quem fala assim…”
        👍

      1. Pronto, Maria Dulce, lá vamos esgotar o stock de línguas nos talhos. E lembro agora que há mais de um ano não me passam pelo goto as iscas. Assunto a resolver rapidamente.

        Óptimo sentido de humor da entrevistada, especialmente ao recordar que cada um peca como pode.

  1. Nem sempre os guionistas estão à altura.Com o Herman sim.
    Os rins também se papam e então umas iscas com elas.

    1. Também gosto muito de iscas. Em miúdo, detestava. Hoje, para mim, é um excelente petisco. As iscas cortadas fininhas, acompanhadas com batata cozida.

      (É um prato típico de Lisboa, como as pataniscas e o bacalhau à Gomes de Sá, por exemplo.)

      1. Tenho que experimentar o restaurante do Museu do Bacalhau. Dos acepipes e dos pratos principais, diz que são do mais tradicional que há. Uma descoberta para as férias de Setembro. Não vou com grandes expectativas. Pode ser que fique agradavelmente surpreendida.

          1. Lembro-me bem de ser uma odiadora de bacalhau durante o primeiro terço da minha vida, até casar. Nem sabor, nem cheiro, nem textura… pastelinhos ou pataniscas, ainda vá, mas com muito esforço . Estranhamente, foi em Braga que comi o primeiro bacalhau-assado-maravilha da minha vida. A minha cunhada atirou com uma data de postas bem secas para dentro de uma saca de rede, atou a saca a uns ramos que bailavam ao sabor da água cristalina que corria na ribeira, e aí ficaram por umas horas até serem assadas nas brasas para o almoço com batatinas novas, azeite e muito alho. Ainda me derreto a essa lembrança.
            Irei experimentar sim. Posso dizer que sou oficialmente uma adoradora de bacalhau em todas as suas variantes culinárias.

          2. Para:Maria Dulce

            Também tem um belo restaurante no Toledo,(Vimeiro) com um excelente bacalhau com batatas a murro, que é simplesmente divinal, uma verdadeira especialidade.
            (Só pelas batatas já vale a pena……)
            Talvez um do melhores do país…

            Aqui garanto-lhe que vai gostar !!!

            Cumprimentos

  2. Gosto muito da Ana Bola. É muito ao natural e sempre divertida.
    O humor neste questionário é uma constante, mesmo se apenas subentendido. Parece uma pessoa de bem com a vida e principalmente com a idade, pois envelheceu naturalmente, também. Portou-se lindamente ! Next!!

  3. Também devo umas boas gargalhadas à Ana Bola. Gosto dela como artista e como pessoa, e esta entrevista só veio confirmar isso mesmo.
    Partilhamos o gosto pelo McEwan e pelo Zé Pedro; quanto à língua de vaca, eh… nunca consegui experimentar!
    Contudo, lembro-me de em miúda adorar dobrada com feijão branco e só muito mais tarde descobrir que aquilo eram as tripas… 😯
    🌻
    Maria

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