
Creio que tudo começou com a glorificação das chamadas soft skills. Em teoria, um profissional vale mais se, além de conhecimento técnico, revelar qualidades como empatia, iniciativa e dedicação, entre outras tantas características fofinhas. O pior é quando, cientes dessa sobrevalorização, emergem no mercado de trabalho pessoas cujo maior talento é o da capacidade de autopromoção. Conheço gente que faz voluntariado não porque tenha qualquer vocação para tal, mas porque pode fazer a diferença num currículo. Fazer MBAs e pós-graduações tornou-se, por este motivo, um desporto de alta competição, em que a suposta sede de conhecimento não passa de um engodo para potenciais empregadores.
A indústria do “parecer” está pujante, as fake skills em alta. É por isso que a pouco e pouco, em todos os sectores, encontramos os melhores performers em lugares de topo. Há pessoas destas, com funções executivas, que saltam de área em área de actividade, sem possuir os mais elementares conhecimentos relativos às matérias sobre as quais tomam decisões. Por mais hábeis e inteligentes que muitas sejam, é claro que nestas circunstâncias os erros tornam-se inevitáveis.
Há uma incompetência larvar que tem a ver com isto e está a minar todos os sectores e a destruir os mais vulneráveis.

Antigamente se queríamos aprender a realidade era obrigatório o Príncipe, de Maquiavel. Hoje a realidade manda-nos ler as instruções da Gelatina Royal (nota: a que não engorda, não a outra)
num país com tanto desempregado, o ‘voluntariado’ irrita-me, há décadas.
acho que começou, a irritação, com uma senhora que fazia disso partout, também por conta de estar integrada nos Rotários (isso!) e ter o “dever de”. Esse trabalho, para o qual não possuía competências específicas, mas “tanto amor para dar”, sempre me pareceu uma mentira piedosa, uma promoção em modo auto, nada mais. De resto, os filhinhos, por mor dos contactos dela e de papai, “descobriram” belos empregos, uma espécie de Brasil, à séc. XVIII, enveredando, carregados de esforços, pelo sertão adentro.
se há coisa que abomino, é esta piedadezinha, travestida de solicitude, etc.
e jamais pagou o que levou da miha loja de móveis…tão boazinha 🙂
Não desfazendo nos que se dedicam pro bono e com verticalidade a causas justas, o voluntariado anda a lavar cada vez mais branco o coração dos que têm muito amor para dar, sobretudo a si próprios. Só pode ser irritante, pois.
gente que faz voluntariado não porque tenha qualquer vocação para tal
Como é que se define a vocação para fazer voluntariado? Essa vocação pode ser descoberta ou confirmada através de testes psicotécnicos?
É que eu julgava que se fizesse volutariado por se querer ajudar, não por se ter vocação.
Quando olhamos para um estupido reconhecemo-lo facilmente. Não lhe precisamos de ler a biografia.
Existem uns que ajudam outros para se ajudarem….eis não ter vocação para umas coisas mas jeito para outras
Existem uns que ajudam outros para se ajudarem….
Claro que pode haver motivações egoístas para determinadas boas ações. Mas, se as ações forem boas e bem feitas, isso é que interessa.
Depende de quem recebe a boa acção. Há uns que preferiam morrer do que estarem em dívida com alguém mal intencionado. Mas concedo. A dignidade não está ao alcance de todos.
Há uns que preferiam morrer do que estarem em dívida
O voluntariado não dá origem a nenhuma dívida.
Se uma pessoa faz voluntariado numa associação, a associação não fica em dívida para com ela.
Lamento, Lavoura, mas esta é mesmo muito fácil: sei de gente que assume, sem qualquer embaraço, que foi ou vai fazer voluntariado para constar no currículo. Quer mais clarinho do que isto?
gente que assume, sem qualquer embaraço, que foi ou vai fazer voluntariado para constar no currículo
Está bem, mas o voluntariado fica feito, a ajuda voluntária fica feita e (esperemos) bem feita. Isso é que interessa.
“Há uma incompetência larvar que tem a ver com isto e está a minar todos os sectores e a destruir os mais vulneráveis.”
Todos… menos a câmara municipal de Santa Maria da Feira e o seu presidente.
O BE diz que o vai pôr em sentido, porque essa empresa que gere o estacionamento e fo#e o contribuinte com ultas de 30,00 €, já deve um balúrdio em centenas de milhares de euros à dita Câmara.
Todavia o presidente arremata que os seus advogados é que dirão se se deve punir os Patrícios… que são uns grandes amigalhaços…
Ou seja, os advogados da Câmara, que são uma grande merda, é que mandam nisto tudo, da Feira. Bem faz Milheirós de Poiares em não querer estar subjugada a estes desalmados.
Eu não compreendo como num mundo cada vez mais estúpido e materialista, dão valor ao voluntariado. Há aqui qualquer coisa que não está bem!
Mas é um facto que há “mentes brilhantes” a mais neste país!
E esta é uma grande frase que se aplica a quase tudo, mas mesmo quase tudo, e acho grave pouco se falar nisto:
A indústria do “parecer” está pujante.
Varios pontos a indicar.
Primeiro – O que soft skills, voluntariado e MBA têm haver?
É a mesma coisa que comparar tuli-creme, feijão e sabão azul e branco.
Soft skills basicamente prendem-se com o facto de como geres o dia-a-dia tendo em conta as pessoas em teu redor, e devia ser uma das principais caracteristicas para a contratação. Porque por mais excelente que sejas a fazer a tua função, se causas mau ambiente em teu redor, certamente não és uma grande valia para a empresa alem que ninguem é insubstituivel.
Além que autopromoção é precisamente o oposto das pessoas que possuem as tais soft skills.
Segundo – Que raio de mercado é o que uma pessoa se destaca a fazer voluntariado? Caixa no pingo doce? Vigilante? Engº Florestal? Gestor do Banco Alimentar?
Terceiro – O facto de saltar de area em area não tem haver com soft skills nem know-how tecnico. Basicamente tem haver com networking ou como se diz aqui em portugal, cunhas.
Quarto – Isto parece um post de revolta com uma situação pessoal, contudo com um pouco de soft skills (ou como eu chamo, jogo de cintura) podes aproveitar o jogo para ficar a teu favor.
quero me candidatar ao MBA XPTO da universidade raio que o parta… O que e que embeleza o meu CV para além das notas e da experiência? Voluntariado, aí posso dizer que aprendi imeeeeeeenso sobre gerir as minhas pripridades, organizar o meu tempo e também trabalhei a minha empatia com os outros e a gerir conflitos. E vou dizer que foi uma experiência suuuuuuuper interessante e enriquecedora no plano pessoal. Aprendi imeeeeeeenso.
Versão 2018 do “vamos brincar a caridade minha”.
Para um MBA só precisas de uma coisa… dinheiro.
Há muito tempo que ser de esquerda e ser voluntário e ser activista se tornou numa espécie de “tramp skill”: algo que permite passar por cima de uma fila para aceder a um benefício mais rapidamente. Muita da própria actividade LGBT destina-se principalmente a criar um círculo de regalias que depois é distribuído com enormes benefícios entre os seus membros (tal como nas religiões brasileiras) — para não falar da tentativa óbvia de criar gente mais igual do que outra que usurpa o código da sociedade para o transformar numa linguagem própria e blindar o discurso em torno daquilo que se pode dizer sobre essas coisas, para usar a terminologia de Wittgenstein.
Tantos analistas a analisar tanta coisa, a escrever tanta treta e tanta patetice — analisem as coisas pelos resultados e não pelas intenções e vão ver como é tudo simples e merdoso e altamente filho da puta.
Eu não li o Príncipe, mas li a Arte da Guerra.
É mercado de trabalho, ou de colaboração?
O voluntariado é o factor diferenciador, e no fundo dá jeito a certos patrões ter “colaboradores” dispostos a trabalhar a troco de nada.
Se é certo que o peso excessivo das qualidades emocionais estão a distanciar-nos do essencial no campo profissional, i. é, do saber fazer bem, tão só, é falso que seja daí que decorra a autopromoção Ela existe desde que sou gente e já lá vai quase meio século. O fazer de conta e o ‘parecer’ pouco tem a ver com dictomia razão/emoção. Aliás a razão (ou as razões) é pródiga em fazer ‘parecer’. Decorre sim, da distinção entre verdade e mentira, conceitos fora de moda e sem fronteiras nítidas nos últimos 50 anos, pelo menos (salvo aqueles a quem dá jeito acreditar que as fakes nasceram agora).
Usando a lógica do professor do beijinho na avozinha… começam por dizer que não há bons nem maus, que tudo é relativo, depois admiram-se que ‘os que fazem querer ser bons, sejam mesmo os considerados bons e os que riscam’.
Bem vindos ao admirável mundo. Um mundo a pedido.
Aqui está uma explicação do fenómeno, o “management” moderno.
La comédie humaine du travail:
https://www.youtube.com/watch?v=nIGsTcEm qfI
Depende das pessoas, mas não acho que fazer voluntariado ou ter formação seja negativo nem comparável.
Mesmo que seja para pôr no CV, não vejo qq problema em fazer voluntariado? É preciso ter ” vocação”? Na minha opinião não! São pessoas que abidcam do seu tempo livre a investir na sociedade e no seu CV. Não vejo mal nisso, sinceramente.
Quanto à formação, depende do que cada um aproveita, mas existem as notas finais que permitem graduar o empenho dos alunos.
As pessoas têm que se diferenciar umas das outras, mas porque é um “engodo”. Pela nota final, a instituição e numa entrevista logo se vê o que vale.
Percebo e conheço casos em que a autopromoção não passa de fogo de artificio. Pessoas que têm um bom CV mas não sabem nada, vivem da imagem e se aproveitam do trabalho e ingenuidade dos outros e presumo que o texto se refira a uma pessoa dessas com quem a autora se deparou. Mas isso é das sortes – há de tudo.
Mas não podemos tomar o todo pela (má) parte.
É dessas pessoas que tem CV e não sabem nada, a que alude, de que eu falo também. “Não podemos tomar o todo pela parte”, diz. Claro. Haverá sempre gente séria e decente. Mas o que eu comento é o “l’air du temps” e esse está cada vez mais contaminado por gente que apenas se empenha em parecer.
O voluntariado em si, claro que nada tem de mal. Este post não critica o voluntariado, mas sim as pessoas que o praticam sem alma, apenas para constar no currículo. Pura hipocrisia disfarçada de generosidade. É disto que falo.
Ainda assim e percebendo o teu ponto, prefiro uma “pura hipocrisia” do que nada.
Mas pior que isso é falsificar o CV e colocar algo que não se fez.