Em tempos de crise – e de chuva e vento e frio, já agora -, do que este país precisa não é de políticos sérios (não os temos), nem de um "resgate" comunitário, nem de ambientador para disfarçar o mau cheiro que se instalou. Nada disso. Do que realmente precisamos é de uma boa refeição. De um almoço para dez milhões, assim ao género da célebre feijoada na ponte Vasco da Gama, mas em maior. E, de preferência, uma refeição que utilize produtos regionais portugueses. Deixo aqui a minha sugestão para alimentar Portugal, aproveitando a mais recente moda gastronómica:
Arroz de Polvo à Minhota
(quatro doses; para obter as dez milhões de doses necessárias, é só fazer regras de três simples e reduções – exercício a que me ia dedicar quando me lembrei de que sou péssimo nas reduções )
1 Kg de polvo
(para dez milhões de pessoas – esta conta eu fiz – são necessários 2500000 quilos de polvo – mas o nosso polvo pesa muito mais do que isso, como se sabe)
100 g de chouriço de carne
1 dl de azeite
2 cebolas
2 dentes de alho
1 ramo de salsa
1 folha de louro
1 dl de vinho branco
(vamos precisar de mais vinho para aguentar isto)
400 g de arroz agulha
Azeitonas pretas
Sal e pimenta q.b.
(leia-se "muito")
Como preparar em oito passos:
1. Começemos pelas coisas difíceis: há que limpar o polvo, e é muito importante retirar-lhe toda a viscosidade. De seguida, bater no polvo (quem preferir malhar no polvo, faça favor) com um maço de madeira, vigorosamente, para o amaciar.
2. Lavar muito bem o polvo em água corrente, e deitar numa panela com água já a ferver, juntamente com uma cebola.
3. Depois de cozido e macio, corta-se o polvo em bocados pequenos. Entretanto, reserva-se a água da cozedura (devidamente coada).
4. Fazer, num outro tacho, um refogado com azeite, alho picado e cebola picada. Quando a cebola começar a alourar, deitar louro e salsa.
5. De seguida, adiciona-se vinho, assim como três partes e meia de água por cada parte de arroz.
6. Quando começar a ferver, junta-se o arroz, tempera-se com sal e pimenta (a gosto), e adiciona-se o chouriço de carne, em rodelas. Mexe-se tudo, e deixa-se cozer em lume brando durante quinze minutos, até abrir.
7. Quando se retirar do lume, conserva-se o tacho fechado durante alguns minutos, para de seguida lhe retirar a salsa e o louro.
8. Junta-se então o polvo já cortado. Mistura-se bem, e serve-se, de preferência num recipiente previamente aquecido, e com pés de salsa e azeitonas a decorar.
Bom apetite!
Receita encontrada em www.petiscos.com

Polvo? Eu gostava, mas põe-me nervoso.
Aceito um convite para um arroz… de lampreia. Em Penacova, de preferência.
Não me fale de lampreia… que eu começo a babar-me para cima do teclado. É por arroz de lampreia e por açorda de sável… enfim, começa a ser época de me meter num comboio e ir à procura, é o que é.
Caro João: tenho de confessar, a contra-corrente, que sou adepto do polvo. Filetes de polvo com arroz do dito é um dos meus petiscos de eleição. Já marchava agora. Mas primeiro vou matar saudades de um arrozinho de lampreia. O polvo pode esperar.