Alinhados com a ditadura castrista


Pedro Correia,

 

 

Um indivíduo isolado, disposto a levar uma greve de fome às últimas consequências, conseguiu o maior sinal de abertura da ditadura cubana do último meio século, levando à libertação de algumas dezenas de presos políticos. Esse indivíduo, o cubano Guillermo Fariñas, acaba de ser justamente distinguido com o Prémio Sakharov, anualmente atribuído pelo Parlamento Europeu. Na Assembleia da República, os grupos parlamentares aprovaram hoje um voto de congratulação por esta escolha. Todos? Todos não: o PCP e o seu apêndice verde estiveram não ao lado do resistente Fariñas mas da ditadura castrista. Espantosa justificação invocada num partido que se diz internacionalista: o Prémio Sakharov é um “instrumento político de intervenção e ingerência”.

Como se um prémio com estas características não tivesse precisamente a obrigação de consumar o direito à justa ingerência da comunidade internacional em regimes que escravizam os seus povos. Como se na galeria de vencedores deste prémio não figurassem personalidades e organizações que justificam, só por si, este direito. Refiro-me a Nelson Mandela, Aleksandr Dubček, Aung San Suu Kyi, as Mães da Praça de Maio, Taslima Nasrin, Ibrahim Rugova, Xanana Gusmão, os Repórteres Sem Fronteiras e a própria Organização das Nações Unidas. Por vontade do PCP e do seu apêndice, o prémio iria antes para a família Castro.

 

Imagem: alguns dos galardoados, desde 1988, com o Prémio Sakharov.

47 comentários em “Alinhados com a ditadura castrista”

  1. Falta um prémio a Farinas.
    “Os nacionalistas irlandeses assinalaram ontem os 25 anos da morte de Bobby Sands, a 5 de Maio de 1981, após 66 dias de greve de fome na prisão de Maze.”

    Este nacionalista irlandês faleceu ao fim de 66 dias de greve de fome, e ao que me consta não recebeu qualquer prémio pela luta para a liberdade do seu povo, este outro cubano que conseguiu estar 135 dias em greve da fome, foi agora agraciado com o prémio Sakharov pelo Parlamento Europeu.

    Uma duvida me fica como é que um país de amplas liberdades como a Inglaterra deixou morrer um dissidente em 66 dias e a ditadura cubana não deixou morrer este dissidente agora premiado?
    Estes cubanos são uns criminosos.
    Já agora constato que no Livro Guiness dos recordes. consta que um irlandês da (Irlanda do Norte) que morreu após ficar 66 dias em greve de fome. … mas Jesus Cristo ficou 40 dias sem comer, andando pelo deserto. …
    A Guillermo Farinas ainda não lhe foi atribuído o record do Guiness, mais uma injustiça.

    1. No ‘Guinness’ lá está Fidel Castro, como o ditador que permaneceu mais tempo no poder no século XX, já com prolongamento no século XXI. Agrada-lhe este reconhecimento público de tão eminente estadista?
      Entretanto, não se faça esquecido: Fariñas não morreu, felizmente, mas em Fevereiro deste ano morreu outro preso político cubano, Orlando Zapata. Basta um homem morrer nestas circunstâncias para já ser de mais.

    2. Simplesmente… porque à data da morte de Bobby Sands , não existia essse prémio… e l e m e n t a r .. e e de lamentar o seu descabido comentário!!!

  2. O PCP é um caso perdido, Pedro.
    Não vale a pena.
    Os meus familiares, e amigos, que são militantes do partido, “porque sempre foram e sempre serão”, já me fizeram perceber há muito tempo que os comunistas portugueses, e os sucedâneos, constituem um grupo que anda muito perto do irracional.

    1. Felizmente que existem pessoas como tu cúmplices da situação actual, extremamente racionais e lúcidas, mas que o seu horizonte visual não vai além do seu umbigo.

      1. Há dias li uma declaração do candidato presidencial ‘Chico’ Lopes em que diz esperar que a China não se torne capitalista. Os camaradas andam mesmo de olhos fechados. A China é hoje o paraíso de todos os ‘Chicago boys’ que fizeram o tirocínio no Chile do Pinochet: capitalismo com ditadura, grande ‘cocktail’.

  3. Sr. jojo ratasana:

    Fique V. Ecia a saber que : – Boby Sands faleceu em 1981… e o Premio Sakhorov foi instituido em 1985… logo… V.Excia meteu a “rata” na poça!!!

    1. The Sakharov Prize for Freedom of Thought, named after Soviet scientist and dissident Andrei Sakharov, was established in December 1988 by the European Parliament as a means to honour individuals or organizations who had dedicated their lives to the defence of human rights and freedom of thought.[1]

      http://en.wikipedia.org/wiki/Sakharov_Prize

      Não custa muito informar-se antes…

    2. O meu comentário anterior pretende apenas reforçar o seu, corrigindo a data de 1985 para 1988. A resposta naturalmente era ao sr. jojoratasana.

  4. O Farinas não morreu porque não fez greve de fome.
    Tudo o resto são mentiras.
    Pergunte a qualquer médico se isto não é verdade.
    Tudo o resto é propaganda barata.
    É isto que eu pretendo realçar no meu post.

  5. Não vale a pena perder tempo com certas pessoas. Estão ainda no século XIX, e daí não sairão nunca por mais evidente que seja a realidade actual.

  6. É engraçado que uma pessoa como o senhor sofra do mesmo mal da grande maioria do povo português, a sua linha ideológica não lhe permite admitir que Guilhermo Farinas não fez uma greve de fome?
    Ou então assistimos a outra afronta a Farinas além de não estar no guiness, o papa também está em falta pois só um milagre podia permitir que ele estivesse tanto tempo sem comer, e nesse caso é um santo.

  7. Sr. João Carvalho realmente o senhor tem uma inteligência muito elaborada.
    Peço desculpa pelo trabalho dado aos seus neurónios.
    Passe bem não gosto de incomodar convencidos, que nunca tem duvidas e raramente se enganam.
    jojoratazana por viver no meio de tantos ratos.

      1. Guillermo Farinas realmente não deve ter feito greve de fome. Aquele ar super saudável que apresentava nas fotos deveu-se,certamente, à mais recente dieta herbalife ou coisa no género…

        1. Caro Jojo ratazana:

          A questão que deve pôr é bem simples:
          Com greve de fome ou empatorrado de sopa da pedra…NÂO HÀ LIBERDADE EM CUBA… COMO NÃO HÁ NA CHINA e E MUITO MENOS NA COREIA DO NORTE!
          Portanto… voces “comunas”, não têm moral para falarem dos tarrafais e peniches…!- pequenissimas “estancias balneares” comparadas com esses imensos “gulagues”.. O resto é coinversa…

          1. considerar tarrafal ou peniche como estancias balneares é insultuoso para a memoria de todos aqueles que lá morreram ou foram torturados em nome da liberdade, independendemente do seu quadrante ideologico

          2. Concordo consigo, Rafael. Certamente também achará obsceno que alguém qualifique da mesma forma as prisões de Boniato e Piñar del Rio, em Cuba.

          3. claro que acho, desde que me aporte os relatos independentes que denunciem a tortura, trato humilhatorio ou assassinato. (já agora, a amnistia internacional nao faz alusao aos presidios cubanos no relatorio de 2009, mas critica os EUA e Espanha por tratamento humilhante e degrdante dos seus prisioneiros. E Espanha ainda por tortura de prisioneiros bascos…)

          4. Se bem entendo o seu raciocínio, Rafael, você dá como provada a existência de tortura na democracia espanhola, mas não na ditadura cubana. É um critério algo insólito, mas terei de o aceitar.
            Se quer testemunhos idóneos, isentos e credíveis, basta a Amnistia Internacional. Há dezenas de anos que esta prestigiada organização produz relatórios sobre Cuba, em relação aos quais em 2009 comprovou a existência de pelo menos 55 presos de consciência. Espero que lhe baste. A menos que prefira, para o efeito, os relatórios do Governo cubano.

  8. Comentário desenhado.

    “Este nacionalista irlandês faleceu ao fim de 66 dias de greve de fome, e ao que me consta não recebeu qualquer prémio pela luta para a liberdade do seu povo, este outro cubano que conseguiu estar 135 dias em greve da fome, foi agora agraciado com o prémio Sakharov pelo Parlamento Europeu.”

    Em que parte desta frase eu reivindico o prémio Sakharov para Bobby Sands?
    Critico sim não lhe terem dado qualquer um dos prémios, dados a quem defende a liberdade do seu povo.

    “Uma duvida me fica como é que um país de amplas liberdades como a Inglaterra deixou morrer um dissidente em 66 dias e a ditadura cubana não deixou amorrer este dissidente agora premiado?
    Estes cubanos são uns criminosos.”

    A democracia Inglesa deixa morrer um grevista da fome em 66 dias.
    Os criminosos cubanos não deixam morrer um grevista da fome que esteve 135 dias sem comer.
    Nas democracias o grevista da fome é livre de morrer.
    Nas ditaduras nem esse direito lhe dão.

    “Já agora constato que no Livro Guiness dos recordes. consta que um irlandês da (Irlanda do Norte) que morreu após ficar 66 dias em greve de fome. … mas Jesus Cristo ficou 40 dias sem comer, andando pelo deserto. …
    A Guillermo Farinas ainda não lhe foi atribuído o record do Guiness, mais uma injustiça”

    135 dias em greve da fome e está vivo?
    É recorde do guiness e mais do que isso é milagre.

    E agora digam-me o que é que o PCP tem a ver por ainda não terem dado o Recorde e santificado Farinas?

    135 dias sem comer?
    Só contaram para você.

    PS: não tenho grande jeito para o desenho.

    1. Ao gozar com a morte de Orlando Zapata, na sequência de uma greve de fome, e com a greve de fome quase fatal de Fariñas você goza também com as greves de fome ocorridas em Portugal, antes do 25 de Abril, em prisões como Peniche e Caxias, de presos políticos encarcerados pela PIDE. Alinhar com os carcereiros, contra os encarcerados, é de uma insensibilidade brutal. Só porque são da sua cartilha ideológica.

      1. Onde está o gozo com a morte de Orlando Zapata no meu texto?
        E onde está o gozo com a greve de fome de Farinas, se ela não existiu.
        E outra coisa não distingo regimes criminosos, tanto critico um criminoso cubano, como um americano ou inglês.
        Não há criminosos bons ou maus, são simplesmente criminosos.
        São como os hipócritas, são só hipócritas.

        1. Vou tentar condensar o seu pensamento político neste silogismo lógico:

          Ditadura = democracia.
          Jerónimo de Sousa = democracia.
          Jerónimo de Sousa = ditadura.

          Parece-lhe bem?

          1. Sr. Pedro Correia.
            Quem o credencio para outorgar a qualquer cidadão português o rotulo de democrata ou de ditador?
            Já agora qual o acto de ditador que aponta a Jerónimo de Sousa?
            Como se classifica o senhor ao outorgar a outro o titulo de democrata ou ditador?

          2. Aqui está em todo o seu esplendor, a teoria dos dois pesos e duas medidas.
            Admiro a sua capacidade de poder afirmar que em ditadura, só existem mentiras.
            Dou-lhe os meus parabéns assim a sua consciência, fica muito mais leve.

          3. Nota-se para si os crimes das democracias não existem.
            E sabe porque porque fecha os olhos, e transforma-se naquilo que está sempre a criticar nos outros.
            Isto é aquilo que na realidade o senhor é igual a mim sem qualquer moral para criticar seja quem for.
            E continua a vender uma mentira sem qualquer pudor, de que houve um ser humano que esteve em greve de fome 135 dias, que credibilidade tem o senhor?

  9. O Pedro Correia é assim tão ingénuo, que julga Fariñas um impoluto combatente da liberdade? Quem estará por trás da campanha internacional, que tanto o incensa? Porque será que o prémio agora atribuído vem das bancadas da direita no Parlamento Europeu?
    Somos parvos ou quê?
    Ou quem se tenta enganar com este tipo de prémios?
    O facto de Xanana lá figurar diz tudo: ou não fosse ele um colaboracionista do invasor indonésio depressa promovido a «herói» da liberdade timorense para, a seguir, tudo fazer para derrubar os verdadeiros heróis da resistência maubere da liderança do poder em Dili.

    1. Fariñas, um homem que por meios pacíficos não pede sequer a queda da ditadura cubana mas apenas a libertação dos presos de consciência e o respeito pelos mais elementares direitos humanos em Cuba, não é um ‘impoluto combatente da liberdade’, segundo alega Jorge Rocha. Deduzo que, na sua perspectiva, ‘impolutos combatentes da liberdade’ são os irmãos Castro, que há 51 anos oprimem o povo cubano. Na mesma lógica orwelliana, «A mentira é a verdade», vem dizer-nos que Xanana, antigo preso político nos cárceres do ditador Suharto, era afinal um ‘colaboracionista’ indonésio, lançando lama sobre o líder timorense como faziam os esbirros da defunta polícia política de Jacarta. Tanto desvelo pelos carcereiros e tanto desprezo pelos encarcerados…

  10. Caro Pedro,

    tomo-o como um tipo inteligente. Independentemente da posiçao que cada um tome sobre a natureza do processo revolucionario cubano (como deverá saber, eu sou um seu vivo defensor) nao creio que possa ser escamoteada a realidade evidente deste premio ser utilizado de forma instrumental pela direita europeia (3 premios em 10 anos parece um pouco excessivo, nao acha?).

    Discordando da sua tese da ditadura castrista, assumo-a como hipotese para discussao, que em Cuba nao há democracia (reitero que nao é essa a minha convicçao). Sendo assim, vejamos:

    1) quantos jornalistas foram presos ou assassinados no ultimo ano em Cuba?

    2) quantos sindicalistas, activistas de direitos humanos e/ou politicos foram perseguidos ou sofrido castigos piores?

    3) quantas organizaçoes politicas ou culturais foram encerradas?

    4) que percentagem da poplaçao civil foi obrigada a viver sob condiçao de extrema pobreza ou indigencia?

    a estas perguntas, poderia juntar algumas mais, mas é curioso que no ano em que os paises ocidentais inventam mil e uma desculpas para justificarem um “inevitavel” falhanço em atingir os 8 objectivos do milenio, Cuba tenha conseguido atingi-los a todos com 5 anos de antecedencia (até foi elogiada pelo sec. geral das NU- e consta que ele nao é propriamente um marxista ferrenho…)

    Que no ano passado, Cuba tenha assinado varios tratados sobre liberdades politicas e tenha convidado o relator sobre tortura e tratos humilhante a visitar os presidios cubanos, bem e poderia continuar com uma serie de conquistas reconhecidas internacionalmente e confrontá-las, por ex, com 4000 denuncias de tortura em 5 anos (2004-2009) na nossa vizinha Espanha constantes do relatorio global da Amnistia Internacional, com as recentes noticias sobre tortura com conhecimento dos EUA no Iraque e Afeganistao, assim como os, creio que, 650 civis mortos em pontos de controle por soldados norte-americanos, entre os quais 30 crianças…

    Podia continuar durante bastante tempo, mas creio que a questao central nao é saber nem se Cuba é uma ditadura ou uma democracia, nem coleccionar e comparar atrocidades de todos os países (e muitos praticados pelas democracias liberais!), a questao é saber se o premio sakharov (diga-se de passagem, um resquicio anacronico da guerra fria) é fruto de instrumentalizaçao ou nao. E nesse ponto, pessoalmente nao tenho duvidas.

    1. Caro Rafael,

      Creio que as opiniões de cada um de nós estão suficientemente claras nesta caixa de comentários. Por mim, jamais estabelecerei uma equivalência entre um regime democrático e um regime ditatorial. Seja ele qual for.
      Faço-lhe notar apenas o seguinte: os EUA é um país para onde as pessoas vão, a Espanha é um país para onde as pessoas vão. Cuba, pelo contrário, é um país de onde as pessoas fogem. Lá não é preciso construir um muro, como aconteceu em Berlim, porque a própria ilha funciona como um muro-prisão.
      Se há assuntos que merecem reflexão, este é um deles.

      1. Pedro, relativamente à oposiçao das nossas posiçoes tb me parece um facto claro. Temos entendimentos diferentes de democracia, liberdade e tirania.

        Quanto à sua nota, parece-me intelectualmente desonesta, visto que compara países com niveis de desenvolvimento bastante diferentes. Ou todos os países de emigraçao sao ditaduras? Quando tiver tempo hei-de de dar uma vista de olhos no site da OEN de Cuba para ter noçao dos dados de emigraçao…

        PS: existem varias associaçoes de emigrantes cubanos na Europa, reunem-se com frequencia e nos seus encontros sao solidarios com a revoluçao. Nao tente fazer derivar a emigraçao cubana num facto politico, a nao ser que aporte dados concretos (numeros com motivaçoes).

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