«A literatura não diz nada aos seres humanos satisfeitos com a sua sorte, a quem agrada a vida tal como a vivem. Ela é o alimento de espíritos indóceis e propagadora de inconformismo, um refúgio para aqueles a quem sobra ou falta algo, na vida, para ser infeliz, para não se sentir incompleto, sem realizar as suas aspirações. Sair a cavalgar junto do esquálido Rocinante e do seu desgovernado ginete pelos descampados de La Mancha, percorrer os mares atrás da baleia branca com o capitão Ahab, engolirmos o arsénico com Emma Bovary ou transformarmo-nos num insecto com Gregor Samsa é uma maneira astuta que inventámos com o fim de nos desagravarmos a nós próprios das ofensas e imposições desta vida injusta que nos obriga a ser sempre os mesmos, quando queríamos ser muitos, tantos quantos seriam necessários para aplacar os ardentes desejos de que estamos possuídos.»
Mario Vargas Llosa, La Verdad de las Mentiras


Excerto divino, meu caro Pedro.
Belíssimo livro, este de Vargas Llosa. Nem o facto de ser Nobel da Literatura levou os nossos editores a lançarem uma edição portuguesa desta obra, que já tem uns bons anos.
Magnífico.
Um dos livros que mais gostei de ler em 2011, Samuel. Sem sombra de dúvida. Hei-de voltar a falar aqui dele.
Que maravilha. Vou procurar o livro, mesmo no original.
Fazes bem, Ana. Além do mais, é um enorme prazer ler Vargas Llosa no idioma original.
Quando domino razoavelmente uma língua, prefiro sempre ler os livros no original. Ultimamente tem-me dado a preguiça e leio quase tudo em português, mas tenho de retomar os hábitos antigos. Este trecho é magnífico, o livro promete!
Estou a acabar o livro. Garanto-te, Ana: é magnífico.
Rendo-me. Vou atrás desse livro.
Faz bem.
Gostei muito deste naco de prosa mas ‘indóceis’ não me soa nada bem.
Dócil/indócil. Não me parece mal.
Este trecho é um momento belíssimo.
O difícil foi escolher, Cristina. Porque este livro em que MVL nos fala de alguns dos romances de que mais gosta tem muitas passagens memoráveis.