Alguns álbuns de 2015: “Sprinter”, de Torres


escafandro,

Torres chama-se na verdade Mackenzie Scott. Num bom exemplo da geografia móvel de tantos norte-americanos, nasceu em Brooklyn (em Janeiro de 1991), cresceu em Macon, na Georgia, e mudou-se para Nashville após o ensino secundário. A música do seu (já) segundo álbum funciona num permanente jogo de tensões (medos, raivas, desejos, arrependimentos) que remete para algumas cantoras surgidas na década de 1990 – e, mais especificamente, para P. J. Harvey. Resta esperar que, saída da fase de pós-adolescência, Mackenzie (o nome «Torres» faz-me pensar num tipo alto e com bigode, ligado ao futebol) seja capaz de construir um percurso tão consistente e relevante como o da britânica.

0 comentários em “Alguns álbuns de 2015: “Sprinter”, de Torres”

  1. Também pode lembrar o meu.

    Não vivemos, quase todos – eu pelo menos vivo – “num permanente jogo de tensões (medos, raivas, desejos, arrependimentos)…”?

    Bom post, caro António José!

    1. Bom, em alguém ela se terá inspirado… 🙂

      E, sim, claro que vivemos. Mas há uma fase, nos vinte e poucos anos, depois de acabar os estudos, em que se tenta descobrir uma voz e um lugar no mundo e em que as relações amorosas e o sexo são simultaneamente mais fáceis e mais complicados do que deviam e em que tudo isso (medos, raivas, desejos, arrependimentos) são crus e estão à flor da pele.

      Diga-se no entanto que esta sua homónima, com 24 anos e dois álbuns já lançados, revela em muitos temas uma maturidade bastante assinalável. Com a idade dela, eu andava a esconder-me do mundo (80% do tempo) e a armar-me em parvo (20%).

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