Alguns álbuns de 2015: “Short Movie”, de Laura Marling


escafandro,

Da depressão resultam excelentes obras de arte. Once I Was An Eagle, o álbum anterior de Laura Marling, era um trabalho minimalista de auto-análise dorida e raivosa, que suscitou elogios unânimes. Short Movies é menos intenso – porque Marling terá recuperado estabilidade emocional (felizmente: sofrer pela arte é um conceito bonito mas convém fazer pausas) e porque só podia ser, após quatro trabalhos (antes dos 24 anos de idade*) em contínua ascendência qualitativa. Não se trata de um álbum pacífico ou estagnado: apresenta laivos de electricidade (foi composto na Gibson ES-335 do pai) e inclui toda a inquietação habitual em Marling, particularmente no que respeita às relações amorosas (a necessidade, a desilusão, a ameaça à autonomia). Mas revela uma certa falta de coesão (talvez até de propósito) e, acima de tudo, teve o azar de suceder a um álbum sublime.

 

* Fica a informação de que agora tem 25 e fará 26 no próximo dia 1. Só para o caso de estarem interessados em enviar-lhe uma mensagem de parabéns. Ou, sei lá, um pastel de nata.

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