Vitória clara de Alexis Tsipras, ufanam-se alguns “analistas” comentando o sufrágio de ontem na Grécia. Num plebiscito com uma pergunta absurda, que já estava ultrapassada pelos acontecimentos no preciso momento em que foi impressa nos boletins de voto, numa campanha-relâmpago onde não houve tempo para um debate sério e esclarecedor, com os adeptos do “sim” quase remetidos à clandestinidade perante a maciça propaganda governamental favorável ao “não”.
Que vitória?
Com a economia em derrocada, os bancos falidos, a recessão a regressar em força (após o país ter crescido 0,8% em 2014), a necessidade absoluta de financiamento externo de emergência para fazer face às despesas mais elementares e o espectro de uma saída descontrolada do euro se no próximo dia 20 falhar o pagamento de 3,5 mil milhões de euros ao Banco Central Europeu. E – na melhor das hipóteses – um terceiro resgate a caminho, sujeito ao crivo prévio dos parlamentos nacionais dos restantes países da eurozona, tão respeitáveis como o de Atenas.
Pirro era grego. E também ficou célebre pelas vitórias que alcançou.

![pirro[1].jpg pirro[1].jpg](http://3.fotos.web.sapo.io/i/B1006e7cc/18602874_9Dpbe.jpeg)
Greek Porsche owners
One of the many eye-catching claims made about Greece was about the number of Porsche Cayennes.
“A couple of years ago, there were more Cayennes circulating in Greece than individuals who declared and paid taxes on an annual income of more than 50,000 euros, a figure only slightly above the vehicle’s list price” is a quote widely reported in mainstream media and on blogs worldwide.
It came from Prof Herakles Polemarchakis, a former economics adviser to the prime minister of Greece, and now a lecturer at Warwick University in the UK.
But when asked, Prof Polemarchakis said his remark was casual, based on what had been circulating in policy circles in Greece a few years back.
He said the only hard fact he was aware of was “the per capita number of Cayennes in [the Greek city of] Larissa was twice that of Cayennes in the OECD countries”.
So what are the facts?
In 2010, there were 311,428 people with declared incomes of more than 50,000 euros (£41,260) paying tax in Greece.
It was a figure that made a spokesman at Porsche laugh. Lukas Kunze says the story is “ridiculous”. In total, they had only sold around 1,500 Porsche Cayennes in Greece since the launch of the luxury car nine years ago.
But this doesn’t mean that Greeks all pay the right amount of tax.
Income tax receipts as a percentage of GDP are only 4.7%, the lowest in the eurozone and less than half the 10% in the UK.
It would be good to think this is just because Greece has rock bottom tax rates but it hasn’t – this is because for some people, what they actually earn and what they put on their tax forms are often different figures.
Last year, Horst Reichenbach, head of the EU taskforce offering technical help to the Greek government, said the amount of unpaid tax was estimated to be “in the order of Income tax receipts as a percentage of GDP are only 4.7%, the lowest in the eurozone and less than half the 10% in the UK.
It would be good to think this is just because Greece has rock bottom tax rates but it hasn’t – this is because for some people, what they actually earn and what they put on their tax forms are often different figures.
Last year, Horst Reichenbach, head of the EU taskforce offering technical help to the Greek government, said the amount of unpaid tax was estimated to be “in the order of 60bn euros [£49.49bn]”.
(BBC News, 2012)
O copy-paste da parte final ficou em parte repetido. Mas se quem entender um bocadito mais que inglês técnico estiver com paciência, consegue entender – acho eu.
Percebeu-se bem. E de então para cá não há motivos para pensarmos que a situação melhorou. Antes pelo contrário.
Sim, vitória de Pirro, pode ser uma boa caracterização temporária da vitória do Syriza.
Aliás, como curiosidade adicional, a tradução latina de Pirro chegou a ser Burro:
The cognomen “Burrus” is the Latin version of the name Pyrrhus, king of Epirus. anius_Burrus
https://en.wikipedia.org/wiki/Sextus_Afr
Essa é meia parte da história, porque não há vitória sem derrota.
A outra meia parte, a da derrota dos burocratas da UE, que se envolveram desnecessariamente, poderá começar a ser contada amanhã pelos mercados saltitantes.
Os mercados até estão neste momento a subir ligeiramente, meu caro. Com a demissão de Pirro Varoufakis. Ou Burro, como preferir.
Meu caro, o Burro era mais para os Burrocratas.
Foi uma surpresa a demissão de Varofakis após a vitória, e isso alterou a tendência das bolsas… que mesmo assim era apenas de perda moderada. Parece que não foram apenas os bancos gregos a ter que adiar operações…
Esta brincadeira ainda agora começou, e uma camada de verniz não repara o problema.
Podemos ver isso como uma necessidade grega de fazer cair uma peça para negociar, mas eu não estaria tão seguro da simplicidade da situação. A eficácia dos burocratas mandarins também está bem registada como epílogo da estagnação e decadência imperial.
Tsipras não se demitiu. Então, não há qualquer razão da burrocracia europeia soltar foguetes.
Tsipras fugiu para a frente. O chamado referendo, organizado em escassos oito dias e com base numa pergunta que já não fazia sentido no próprio momento em que foi impressa nos boletins de voto, não é uma prova de força do Syriza – é uma prova de fraqueza. O que em boa parte explica a demissão de Varoufakis.
Muitos gregos estão ainda iludidos com a demagogia do Governo. Que pretende convencê-los que vem aí a quadratura do círculo: um novo pacote financeiro sem as correspondentes medidas de austeridade. Uma espécie de filme açucarado das produções Walt Disney para crianças grandes.
Se a pergunta não fazia sentido, e Tsipras conseguiu que 61% dos gregos votassem nela, sem as pedidas abstenções (violentas, imagino), pedidas pelo PC grego… então, ou teve muita sorte, ou tem quase 2/3 dos gregos sob controlo hipnótico.
Não leve a mal, mas eu compreendo perfeitamente que um sportinguista veja derrotas em vitórias alheias. O FCP ao longo das últimos décadas tem somado derrotas, umas atrás das outras. E por esse entendimento singular, o Sporting não tem saído da sequência imparável de vitórias… a ponto de agora ir buscar um técnico duplamente derrotado. Deve ser porque já estava cansado de tanta vitória, e talvez seja este o ano da derrota.
Eu até admito que a história seja ao estilo Walt Disney, mas o estilo de chantagem com ameaça de emergência humanitária, pareceu-me mais saído de um filme do Scorcese ou do Coppola.
Nem a Islândia, que não produz uma colher, e entrou em default, teve nenhuma ameaça desse género.
Já vi lhe que fez impressão a metáfora da vitória de Pirro. ork/europa/a-vitoria-de-pirro-e-outras-m etaforas-gregas s/20150704/eu–greece-tsipras–gambit/?u tm_hp_ref=world&ir=world my/tsipras-a-obtenu-une-ecrasante-victoi re-a-la-pyrrhus-mais-le-patient-est-mort/2 14426.htm ue-presse-allemagne-grece-oxi-referendum-c ritique-tsipras-merkel-non-economie-euro pe#./20150706-revue-presse-allemagne-gre ce-oxi-referendum-critique-tsipras-merke l-non-economie-europe?&_suid=143622878982809324795639820094
Por curiosidade, fiz há pouco uma pesquisa rápida sobre a mesma expressão utilizada nos média internacionais.
Encontrei alguns exemplos, que aproveito para aqui deixar:
http://veja.abril.com.br/blog/nova-y
http://www.huffingtonpost.com/huff-wire
http://www.express.be/business/fr/econo
http://www.france24.com/fr/20150706-rev
Não sei a que propósito vem essa alusão futebolística. Mas olhe que Tsipras é apoiante confesso do Panathinaikos – o Sporting grego, até na cor: s-tsipras-a-profile-of-syrizas-leader
http://news.sky.com/story/1414675/alexi
Há uns tempos atrás, escrevia aqui o Cristof que era hábito “esquerdista” transformar derrotas em vitórias… vê-se que também não falta quem queira transformar vitórias em derrotas.
Só se engana quem quer, quando molda a realidade ao discurso, e não o discurso à realidade.
Primeiro, o Syriza não tinha 50% dos votos, tinha uma maioria artificial. Os gregos queriam ficar no Euro, por causa de uma “sondagem telefónica”. Se o Syriza aceitasse as condições dos credores, mostrava que não tinha alternativa, etc, etc.
Tudo cenários construídos para, em qualquer circunstância, apontar para uma derrota do Syriza.
Senão vejamos:
– se o Syriza cedesse na negociação, contra as promessas, era uma derrota;
– se ganhasse o Sim, Tsipras demitia-se e era uma derrota;
– ganhou o Não, com larga vantagem, e é uma vitória de Pirro?
Externamente pode ter mudado pouco, porque não se mudam os burros teimosos da burrocracia europeia, mas internamente fortaleceu a posição de Tsipras por completo, levando até à demissão de Samaras.
Apenas lhe faço notar que essa forma de conduzir a narrativa não leva o seu burro ao moinho, porque se há coisa sobre as quais as pessoas não têm dúvidas, é que Tsipras obteve uma grande vitória interna.
E não foi só interna, porque estupidamente a UE quis meter o bedelho, e fazer campanha e chantagem económica, pelo sim.
Eu compreendo a dificuldade, mas há certas posições que voltam-se contra quem as profere, pelo completo absurdo lógico em que caem.
É inútil não querer admitir que a UE perdeu a Grécia neste referendo.
A Grécia agora é Tsipras, e só Pallas sem Atenas, dos burrocratas europeus, lhes permitem ver outra coisa.
Essa foi a grande derrota de Bruxelas.
Mas também, como diria um grande sábio nacional,
19-1=18,
e perante essa profunda sabedoria, nada mais há a dizer.
Que “vitória” vislumbra você?
Eu não vislumbro nenhuma.
Os gregos estão hoje pior que ontem. Tal como ontem estavam pior do que na véspera.
Hoje, 48 horas após o plebiscito, Tsipras chegou ao Conselho Europeu de mão estendida: precisa de 7,5 mil milhões de euros para salvar ‘in extremis’ o sistema financeiro grego.
Estendeu a mão. Mas na outra não levava nada.
Queria um cheque em branco.
A irresponsabilidade continua. Para efeitos de propaganda interna. Enquanto a imagem externa do país se vei deteriorando rapidamente.
O que escutou entretanto em Bruxelas?
Isto:
«Se os gregos não apresentarem rapidamente novas propostas, mostrando-se preparados para aceitar medidas difíceis, não poderemos ajudá-los e as consequências serão da inteira responsabilidade do governo grego.» (Mark Rutte, PM holandês)
«Neste momento não há novas propostas do governo grego. E temos muito pouco tempo.» (Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo)
«O dever de um primeiro-ministro é assumir responsabilidades, apresentar propostas e assumir compromissos.» (Charles Michel, PM belga)
«Precisamos de ter estas propostas de reformas o mais rapidamente possível.» (François Hollande, PR francês)
«Sem programa não haverá possibilidade de auxílio financeiro à Grécia no âmbito da zona euro. Esperamos por uma decisão do governo grego.» (Wolfgang Schauble, ministro das Finanças alemão)
«A saída da Grécia da eurozona é uma possibilidade real.» (Edward Scicluna, ministro das Finanças de Malta)
Tsipras prometeu que não haveria “austeridade”. A Grécia terá “austeridade” (na melhor das hipóteses). cional/2015/07/07/actualidad/1436277193_ 531071.html
Prometeu que não haveria terceiro resgate. A Grécia terá um terceiro resgate, presumivelmente de 50 mil milhões de euros (na melhor das hipóteses).
Sem “austeridade”, não haverá dinheiro. Ponto final.
http://internacional.elpais.com/interna
Fez-me rir, meu caro. Fez-me rir!
Fosse eu mais jovem, e talvez entrasse aqui em discussão retórica consigo, terminando ambos a falar sobre Hitler, como é fenómeno conhecido.
A arte da retórica tem piada, mas enfim, não passa disso, e de uma imensa perda de tempo.
A regra de ouro da retórica é simples – se já expuseste o teu argumento claramente, cala-te. E assim me calo.
Um abraço.
Palavras de Giscard d’ Eistang, que em 1980 foi o maior entusiasta da adesão da Grécia à CEE: «É necessário colocar a Grécia fora do euro», disse o ex-presidente francês numa entrevista à revista L’Express.
Na perspectiva dele, os gregos «abandonaram a união económica e, assim, indirectamente, a união monetária.»
O que é a “austeridade”, meu caro, senão cumprir o mais elementar princípio da prestação de boas contas, adaptando as despesas às receitas?
O que é a “solidariedade europeia” senão o que nós, portugueses, temos manifestado aos gregos, a quem já confiámos 250 euros ‘per capita’ desde 2010?
É salutar que ria.
Faço votos para que o seu riso se perpetue.
Abraço.
Mesmo assim é preferível uma vitória de Pirro a um partir para a batalha para lutar nas linhas do inimigo.
A linha dos comentários parece ser esta:
O governo grego cede e apresenta uma proposta que vai de encontro às dos credores, diz-se que é uma estrondosa derrota.
A estrondosa derrota não é aceite pelos credores. Estes endurecem as condições e apresentam uma contraproposta de pegar ou largar.
A contraproposta não é aceite pelos gregos, o que é considerado uma recusa em negociar que só mostra a sua rigidez e falta de razão.
O governo grego faz uma fuga para a frente e marca um referendo. É uma infantilidade porque a proposta de pegar ou largar afinal era negociável.
O governo grego diz que quer negociar novamente, então a é infantil porque a proposta de pegar ou largar, que afinal era negociável, afinal não pode ser negociada.
No fundo era preciso trocar o governo, visto que este, fizesse o que fizesse, fazia tudo mal. Esperou-se pelo referendo e foi-se fazendo campanha pelo sim.
Ganhou o não. É preciso demitir este povo e eleger outro.
O financeiro já deu ás de linhas diogo e pirrou-se .
Horas depois de admitir que conseguiria um acordo com o Eurogrupo em 24 horas.
https://twitter.com/yanisvaroufakis
Uma boa altura para anunciar um referendo a nível europeu sobre manutenção ou expulsão da Grécia do grupo… mas como isso não vai acontecer… ainda vamos a ver que afinal os burros somos nós.
Varoufakis votou ‘sim’ no plebiscito de ontem e acaba de votar ‘não’ com os pés. Um modelo de coerência.
Bem, do rótulo de fala barato este não se livra. Quero é ver se para segurarem a Grécia no grupo vã-lhes perdoar mais uns milhares de milhões. Nesse caso a tendência será para a moda ganhar força.
Depois diz-se por aí que estamos preparados para tudo, mas tenho receio de que o efeito dominó venha derrubar algum Banco português…depois lá se vai o nosso crescimento por água abaixo.
Três em quatro gregos querem continuar no euro. Sem sacrifícios adicionais.
É algo que só existe na Terra do Nunca. Varoufakis/Peter Pan tentou vender esse filme mas já foi sacrificado por Tsipras. Durou só cinco meses. Resta ver qual o próximo a ser imolado.
Alka-Seltzer… Dizem que é do melhor para a azia
Quanto aos gregos, umas garrafas de Ouzo é que lhes curam todos os males.
Ouzo, seguido de Gurosan, seguido de mais Ouzo e de mais Gurosan. Assim vai a Grécia.
Ganharam sem margens para dúvidas. Os gregos estavam mais que esclarecidos, com a fome e a miséria. Já nada tinham a perder. Perderam tudo, até a dignidade e perante tal, optaram por aqueles que ainda lhes poderão dar uma réstia de esperança porque os outros ainda os afundaram mais Quando o banco alemão afirma que a dívida grega é impagável, é hora da UE mostrar ao mundo que a união faz a força e é pela força e com a força que se vence.
Mais um que não percebeu nada.
As bancarrotas só raramente são por falta de dinheiro. Acontecem por arrogância.
Pela parvoíce demonstrada estaríamos no ano 2000 estávamos cheios de fome e na pobreza.
Pobres dos países mais pobres do que os Gregos a quem os Gregos não querem pagar.
Só o senhor percebe tudo, os outros que discordam, são lentos de raciocínio. Os gregos não têm como pagar. A si, é que se torna difícil perceber que quando não se tem nada e que com a austeridade faliu tudo, não há como pagar sem reestruturação. Eles não conseguem pagar e nós também não conseguimos. Parece que somos muito diferentes, mas estamos no mesmo barco e falamos como se fossemos uma potência e esquecemo-nos da miséria que abunda por aqui.
Surpreende-me este seu texto, Pedro, na medida em que o “vi pular” de alegria quando me afirmava a retumbante vitória do Sim (Nai) há pouco mais de 48 horas. Se isto tivesse ocorrido o general Pirro talvez tivesse sido substituído pela raposa do deserto (Rommel).
Eu sabia que esta vitória seria associada a Pirro. Aliás todas as vitórias, melhor, derrotas, mal deglutidas são sempre atribuídas a Pirro.
Então e a maciça propaganda europeia e a de Samaras, incluindo a tentativa de evitar que os gregos acedessem ao relatório do FMI?
Então e aquela declaração de Hollande que afirmava que o não se ter alcançado um acordo se devia aos pequenos países intervencionados, isto é, aos invejosos que pareciam ver num acordo com a Grécia a reconfirmação de suas políticas suicidas e de submissão?
Também me surpreende que aborde uma taxa marginal de 0,8% de crescimento e não refira especificamente isto:
Employment – Unemployment
Unemployment in Greece, up to 2008, was relatively low at 7.6%, approximately the Eurozone average. up to 2008, was relatively low at 7.8%, approximately the Eurozone average. During 2009, unemployment rose as a result of the international crisis that also affected Greece and reached 9.6%. In 2010 unemployment showed a further increase, at 12.7%, as a result of the restrictive fiscal policy due to the debt crisis. In 2011, unemployment rose further to 17.9%, in 2012 exceeded 24% and in 2013 reached 27.5%, as a consequence of the general economic crisis and the measures applied towards fiscal consolidation. In 2014, for the first time since the beginning of the crisis, a slight decrease in unemployment is noted, however it remains at the very high levels of 26.5%.Youth unemployment, which exceeds 50%, is one of the major problems arising from the domestic economic ,
e que também esse crescimento do PIB que ocorre em 2014 (0,8%), que é relacionado com aquele que se refere à queda de 25% desde a intervenção, era susceptível de se perder com as exigências que estavam sobre a mesa.
Todavia concordo que a vitória de Pirro foi aquela que foi alcançada por esta dita União e pelas instituições. Estão aí os resultados dessa vitória.
Agora têm de se portar como gente crescida.
De “vitória” em “vitória” até à derrota final. Os meus sinceros pêsames pela demissão do seu ministro-fétiche, Vento. Se bem se recorda, prognostiquei essa demissão – não “aos pulos”, porque nada me alegra na situação grega.
Varoufakis vai agora fazer o circuito internacional das conferências, pago a 50 mil euros por palestra, ensinando ao mundo como se erguem as finanças públicas de um país. E encontrará audiência interessada em beber-lhe a sabedoria. Não duvido que você se encontrará na primeira fila.
Eis a “vitória eleitoral” em todo o seu esplendor…
E eu também lhe afirmei:” Não tenha dúvidas, aproveite para aprender enquanto as lições são gratuitas” (algo assim). Isto já vinha sendo equacionado nos meios informativos ingleses e norte-americanos e foi ontem também reproduzido na RTP1. A sua afirmação foi um tiro no escuro na medida em que associava isso à vitória do sim, a minha resposta foi consciente.
E eu mesmo dei essa notícia, que foi sabida por volta das 5 horas da manhã, no post do José. Mas o que lhe antecipei sobre a vitória do não, não refere.
Que a vitória é tremenda e custa a engolir lá isso é. E a Europa não mais será mesma.
Aguarde pelas mexidas que vão começar a ocorrer.
Custará a engolir sobretudo à população grega. Entretanto deixo-lhe o ‘Times’ como sugestão de leitura: chama “fatuous and fraudulent” ao plebiscito grego. E eu assino por baixo. eaders/article4488743.ece
http://www.thetimes.co.uk/tto/opinion/l
Se é fraudulento, porque motivo se demitiu Samaras?
Não me diga que os democratas andam assim tão resignados.
Samaras demitiu-se com seis meses de atraso. Devia ter-se demitido quando perdeu as eleições antecipadas que convocou para 25 de Janeiro.
Aliás Samaras já foi julgado nas urnas há seis meses. Agora é Tsipras que está em foco, não o ex-primeiro-ministro conservador.
Entretanto todas as reformas permanecem adiadas na Grécia.
– A mesma administração pública sobredimensionada
– A mesma máquina tributária paralisada
– Níveis astronómicos de evasão fical
– Total falta de competitividade da economia grega
– Investimento correspondente a 11% do PIB (média europeia: 20%)
Encenação grotesca para perguntar á avó se tem netos, com a família a aplaudir e a plateia a rir. A cobardia de um empertigado que escolhe a musica e abandona o baile não podia faltar.
Oh Marquês Barão, cobardes, cobardes, só conheço os Passos e Portas e Cavácuos, mais os comentadeiros pagos por eles que se venderam e venderam o país. Olha, toma um Kompensam.
Substitua as palas por bifocais e tome bekunis .
Proclamações absurdas de colossal triunfo ontem à noite, pedido envergonhado de demissão esta manhã. Há muito tempo que não via tanta irresponsabilidade política.
Espero sinceramente que não seja assim, mas acho a tua imagem muito apropriada.
Também espero que não seja assim, meu caro, mas não encontro um só indício na direcção contrária. Aliás a demissão de Varoufakis, esta manhã, é já o primeiro passo nessa direcção.
E tanto quanto sei o homem permanece com os dois braços. Felizmente para ele.
Quanto a Tsipras, é um modelo requintado de maquiavelismo político. Não tardou enquanto não serviu numa bandeja a cabeça do seu fiel ministro à hidra dos mercados e do “capital especulativo” sedeada no eixo Bruxelas-Frankfurt.
com os bancos falidos
Com que sustentação factual diz o Pedro isto – faz uma afirmação que o Banco Central Europeu não faz?
O BCE nunca disse que os bancos gregos estivessem falidos. Porque o afirma o Pedro?
Se o BCE proclamasse isso, não faltariam as tentativas de ingerência na brevíssima campanha referendária (chamemos-lhe assim) e as manifestações de pânico dos gregos e das bolsas europeias.
Que a banca grega está descapitalizada prova-o o facto de ter perdido já cerca de um terço dos depósitos que tinha em Novembro. E de suplicar pela linha de liquidez de emergência do BCE, sem a qual chegará de imediato à insolvência.
Que a banca grega está descapitalizada prova-o o facto de ter perdido já cerca de um terço dos depósitos
Eu diria que é precisamente o contrário: a banca ficou descapitalizada porque perdeu um terço dos depósitos. Ou seja, o Pedro troca a causa com o efeito.
Como o Pedro certamente sabe, qualquer sistema bancário depende da confiança dos depositantes. Se os depositantes perdem a confiança e desatam, todos ao mesmo tempo, a levantar os seus depósitos, a banca fica à rasca, porque não tem dinheiro em caixa para lhes pagar a todos. Foi isso que aconteceu aos bancos gregos. E que pode acontecer a quaisquer outros.
Agora, o facto de isso acontecer não quer dizer que os bancos estão falidos.
A coisa não vai mal. O Varouyamaha, um que já tinha sido substituído nas reuniões com as instituições por um tal Sakalotos, achou por bem demitir-se porque a sua presença incomodava nas referidas reuniões. Ah, e se o sim ganhasse, também se demitia. Coerência é coisa que não falta a esta maltosa…
Fica o Tsipras. A fugir para a frente. Felizmente o outro rapaz manteve intactos os dois bracinhos. Vão dar-lhe jeito para nadar em seco.
com os adeptos do “sim” quase remetidos à clandestinidade perante a maciça propaganda governamental favorável ao “não”
O Pedro parece pensar que a Grécia é uma semi-ditadura, na qual o governo pode fazer a propaganda que quiser tornando inaudível a oposição.
Eu não acredito que assim seja, e duvido que o Pedro disponha de quaisquer dados factuais que comprovem esta sua afirmação.
Entendamo-nos: que o governo grego defendeu o “não”, é indubitável. Que os partidários do “sim” não se tenham conseguido fazer ouvir, tenho muitíssimas dúvidas. Sei que houve manifestações a favor do “sim” e sei que, se Antonis Samaras ontem se demitiu da liderança do Partido Popular grego, terá sido provavelmente porque perdeu a campanha que fez.
Você viu, ouviu, leu alguma declaração de adeptos do ‘sim’ durante a “campanha” nas inúmeras reportagens dos enviados especiais a Atenas?
Eu só vi, ouvi e li uma versão – a do Governo. Em doses maciças. A toda a hora.
Mais: durante a semana o primeiro-ministro Tsipras – sem contraditório, uma vez mais – fez uma alocução ao País através da televisão apelando sem rodeios ao voto “não”. Algo que não seria sequer possível face à lei portuguesa. Mais um sinal da peculiar democracia grega, que concede um bónus de 50 deputados não-eleitos à força política mais votada.
As reportagens dos enviados especiais a Atenas não mostram tudo o que lá se passa.
Mas vi nelas, sim, pelo menos uma manifestação a favor do “sim”.
Quanto a o governo grego ter feito as suas recomendações de voto, isso é o que sempre se passa nos referendos na Suíça. O país mais democrático da Europa. É normalíssimo que, num referendo, o governo exprima a sua posição.
“A Suíça é o país mais democrático da Europa”? Deve ser por isso que todos os ditadores lá têm depósitos bancários. É de uma transparência democrática sem fim.
Ah, pois é, e a TV pública que os sirisos reabriram é um modelo de imparcialidade, tão perfeito, mas tão perfeito, que, nesse aspecto, deixa a nossa RTP a perder de vista…
Do Lavoura já se sabe o que se pode esperar…
Após 5 MESES de chantagens, ultimatos e propaganda mentirosa com as habituais sondagens distorcidas da praxe os GREGOS manifestaram INEQUIVOCAMENTE que se é para comer terra, eles preferem faze-lo pela sua VONTADE e mandaram todos os burrocratas e os NEOCOMUNISTAS dar uma volta.
Como não venceu o lado que o Pedro Correia queria há que atacar tudo (desde o método, á pergunta) apelidando essa vitória como de Pirro e já mandou o ex-líder da direita rançosa da lá ás malvas, aliás comportamento em linha com a doutrina que defende e inclusive usa aí numa resposta acima a frase feita “de vitória em vitória até á derrota final” mas quer-me parecer que isso é o que tem acontecido com os NEOCOMUNISTAS que defende acerrimamente.
As lágrimas que anda aqui a verter pelos gregos são tão verdadeiras como as que verte pelos seus compatriotas mas é um direito que lhe assiste, não pode é querer que todos usemos palas.
Os gregos estão aos poucos a tomar o seu destino em mãos e nós Portugueses podemos começar a pensar em fazer o mesmo que isto não vai acabar bem a não ser que haja juízo por parte dos NEOCOMUNISTAS.
Neste momento só verto uma lágrima de desgosto pela partida do ministro das Finanças mais competente da União Europeia. O que será agora de Tsipras sem aquela sumidade?