Ajudar quem quer desistir


Cristina Torrão,

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Foto © Horst Neumann

 

O jornal católico que assino (na Alemanha), dedicou, há algumas semanas, uma edição ao suicídio (nº 18, 15-05-2019). Achei interessantíssimo, acima de tudo, porque informava como devemos reagir, caso desconfiemos que alguém que nos está próximo, ou que conhecemos, corre o risco de se suicidar. É um tema muito difícil de ser abordado e muitos de nós não o fazem pela simples razão de não saber como. Também há quem pense que o melhor é ignorar, pois receia que, ao referir o assunto, encoraje ainda mais a pessoa a levar a cabo as suas intenções.

No entanto, o contrário é válido: os psicólogos consultados foram unânimes a afirmar que ninguém deve ter medo de provocar o suicídio, pelo facto de o referir. É muito mais eficaz abordar a pessoa directamente. Por exemplo: «Sentes-te tão desesperado, que achas que deves desistir? Encaras a possibilidade de pôr um fim a tudo? Como te posso ajudar?»

Quem pensa em suicidar-se, costuma enviar sinais. Anda angustiado, sem esperança, desesperado; deixa de cultivar as suas amizades, ou de exercer os seus hobbies; queixa-se de ser um fardo para os outros; ou diz mesmo que pretende acabar com a vida. Quem assim age, precisa de quem o ouça, de quem o leve a sério e lhe providencie ajuda profissional. Ignorar, na esperança de que passe, é o maior erro.

Outro grande erro é tentar menorizar os problemas de quem sofre: “isso não é nada”; “há quem esteja bem pior”; “isso passa”; “tens de te animar”; “pensas que a minha vida também é fácil?”. Atitudes destas são de evitar ao máximo, pois a pessoa sente que não é levada a sério, o que a deixa ainda mais amargurada, mais fechada.

A parte mais interessante no tratamento deste tema, foi, para mim, uma entrevista a uma senhora que faz trabalho voluntário numa linha do tipo “SOS Voz Amiga”, da qual traduzo algumas passagens:

 

Imagine que está de serviço na linha e alguém telefona a dizer: “estou desesperado, vou matar-me”. O que faz?

 Em primeiro lugar, tento estabelecer um contacto, alcançar a pessoa em todos os sentidos.

 E como o faz?

 Pergunto: “Quer contar-me o que o deixa assim tão desesperado? O que está por trás disso?”. Depois, conforme o que me contam, valorizo a luta dessa pessoa, valorizo o seu sofrimento, a sua dor. Digo, por exemplo: “eu sei o que tem de aguentar; sei como é difícil levantar-se todos os dias e tentar viver normalmente, ignorando o sofrimento da depressão”. Com expressões deste género, consigo o contacto. O meu interlocutor ganha confiança em mim e solta-se. No decorrer da conversa, digo: “diz-me que não quer continuar a viver e eu consigo compreender. Mas o que seria necessário para que dissesse que tornaria a tentar? Pode sempre suicidar-se, no fim, terá sempre essa opção. Mas vamos primeiro ver: o que é ainda possível? Tem talvez um sonho na sua vida, alguma coisa que gostaria de fazer? Repare: luta todos os dias contra a sua depressão, sem avançar. Não concebe empregar essa energia para atingir algo com que sempre sonhou?”. Tento não dar conselhos, mas sim avaliar quais as possibilidades que a pessoa ainda tem, ir ao encontro dos seus desejos, dos motivos que a podem levar a mudar de ideias.

 Não relativiza.

 Nunca. A pessoa iria imediatamente sentir que não é levada a sério. Mantenho-me compreensiva e expresso as minhas emoções com sinceridade, por mais abalada que fique. Lembro-me de um caso de um homem que me disse que era o bastardo da família, que sempre fizeram questão de lho dizer, pois ele era o resultado de uma relação extra-conjugal de sua mãe. O seu pai [marido da mãe] arrancava-o da cama três vezes por semana, começou a fazê-lo quando ele tinha três ou quatro anos, metia-o no carro, levava-o para um sítio ermo e dizia-lhe que lhe dava um tiro e que depois se suicidava da mesma maneira. Nunca o fez, mas o homem revivia o cenário constantemente.

 Isso é horrível. Como reage?

 Com sinceridade. Digo: “Isso que me está a contar abala-me imenso; até me pergunto como tem conseguido sobreviver”.

 Nunca relativizar ou desvalorizar.

 Exactamente. E tento então ver onde estão as possibilidades. Pergunto: “como tem aguentado esse fardo? O que lhe deu força? A sua fé? A sua avó? Um amigo? Tem de haver alguma coisa.” Faço perguntas. E não dou conselhos, apenas sugestões, em função do que me dizem.

 E como é consigo? Como supera a desilusão, quando alguém desliga, a meio da conversa, deixando-a com a sensação de que não evitará o suicídio?

 Aceito, simplesmente. E procuro distanciar-me, digo-me: a decisão de desligar foi do outro. Tentei dar o meu melhor, fazer o que estava dentro das minhas possibilidades. Se não chegou, não há nada que eu possa fazer para alterar esse estado de coisas.

 

Acrescento que esta senhora teve uma formação de dois anos, antes de começar a atender pessoas em desespero.

 

Nota: a tradução é minha, do alemão; o publicado é um resumo da entrevista que li.

0 comentários em “Ajudar quem quer desistir”

  1. Cristina,
    Um testemunho muito interessante. Um tema pouco “falado”.
    Quem lidou de perto com uma situação destas, fica sempre a achar que podia ter feito mais, que podia ter ajudado aquela pessoa de outra forma.
    Infelizmente, acho que (pelo menos em Portugal) um potencial suicida não telefona para uma linha de apoio, tem de ser a família, os amigos, os colegas de trabalho a estarem atentos, a ajudarem.

    1. Felizmente, ainda não lidei de perto com uma situação destas, mas imagino que sim, que pensemos sempre que podíamos ter feito mais. É difícil querer ajudar e não saber bem como. Por outro lado, não há fórmulas infalíveis. Estar atento já é fazer muito.

      1. Obrigado Profª. Cristina, muito acertivo e importante artigo.
        Por vezes passamos por sentimentos contrários e tristes.
        Infelizmente muitos sofrem e ninguém quer morrer. Mas sim livrar-se do sofrimento. Cordiais cumprimentos. Ivo Pestana, Funchal.

    2. Eu já tive uma colega de trabalho que se suicidou com uma depressão; e um tio da minha mulher também. Curiosamente, suicidaram-se da mesma forma, atirando-se para baixo de comboios.
      Em ambos os casos não havia sinais imediatos (pelo menos para quem não estava muito próximo deles, como era o meu caso) que indiciassem o que tencionavam fazer.

  2. Bem-aventuradas aspessoas que se dedicam a prestar estes serviços aos outros. O meu respeito, a minha admiração.

  3. Um texto tocante a abordar um tema (ainda) tão marginalizado, a maior parte das vezes por puro preconceito.
    Esta é uma realidade crescente, a atingir cada vez mais jovens, o que é verdadeiramente assustador.
    Custa pouco estar atento aos sinais e, realmente, pode fazer toda a diferença para quem precisa de ajuda.
    Muitos parabéns pelo texto e pela escolha do tema.

  4. Obrigada pela partilha, Cristina. Tenho uma amiga que luta contra uma depressão grave há muitos anos e aprendi agora que nunca devo relativizar o seu sofrimento quando ela desabafa comigo, algo que faço recorrentemente, pensando que estou a ajudá-la…

    1. Uma familiar minha teve uma depressão bem grave durante uns meses. Passava os dias sentada em casa sem fazer nada. Foi a mais que um psiquiatra, que a medicaram sem efeito nenhum.
      Depois descobriu um psiquiatra em Aveiro que a curou praticamente de um dia para o outro com uma droga.

      1. Caro Luís Lavoura, antes de ler o seu comentário até ao fim, ainda tive a esperança de que esse psiquiatra de Aveiro a tivesse curado de outra maneira, sem ser com uma droga. Enfim, se deu resultado, tanto melhor. Espero que seja cura duradoura.

        Mas não me admira que os outros psiquiatras não tivessem sucesso. Os medicamentos não curam nada! Podem ajudar na cura, na medida em que estabilizam o paciente, mas estão longe de curar. Infelizmente, em Portugal, é costume os psiquiatras recorrerem simplesmente a drogas. Uma pessoa com depressão precisa acima de tudo, de uma boa psicoterapia (com, ou sem, medicamentos, depende da gravidade). Porém, no nosso país, parece ser muito difícil arranjar uma terapia dessas (a não ser, talvez, que se tenha dinheiro para pagar a um/a psicólogo/a).

        Tenho uma tia com uma grande depressão, há vários anos, o que, devido à idade, lhe acelera a senilidade. Angustia-me muito vê-la anestesiada com uma série de medicamentos, apática, sem interesse pela vida, nem por nada, e sem qualquer tipo de apoio psicológico. Já falei com tio e primos, mas eles dizem-me que ela está a ser acompanhada por bons médicos. Estou de mãos atadas (ainda por cima, vivendo no estrangeiro), embora convencida de que esses “bons médicos” apenas a querem despachar e fazer o seu negócio. Não terão eles possibilidades de a encaminhar para uma psicoterapia? É possível, não estou a par do sistema português, no que respeita a doenças mentais, mas tenho lido que é uma desgraça.

        1. Cristina,

          você escreve como quem seja profissional de psiquiatria ou psicologia clínica e esteja cheia de saber. Eu não sou desse ramo e portanto, confessadamente, não tenho saber nenhum. Mas já tive variado contacto com doenças mentais e, diria eu, ninguém pode falar delas com a segurança que a Cristina usa – tipo “isto cura-se assim e assado e não cozido”.

          Em relação à minha familiar, eu conheço-a mal, falo por ouvir dizer, e o que me contaram foi que a droga que o psiquiatra lhe deu a curou radicalmente. Não voltei a falar do caso com a outra minha familiar que me relatou, portanto não sei desenvolvimentos, mas registo que, aparentemente, há drogas que, de facto, curam.

          Se as depressões se curassem da forma “tiro e queda” que a Cristina refere, então já não haveria depressões, pelo menos em países ricos onde as pessoas têm dinheiro para pagar a psicoterapeutas.

          Quanto ao resto: é um facto, em Portugal muitas pessoas não têm dinheiro para se tratar com terapeutas a sério, ou então têm-no mas preferem-no gastar com outras coisas. Uma fisioterapeuta que em tempos me tratou disse-me que em janeiro tem sempre menos clientela – as pessoas preferem gastar o dinheiro no Natal a prosseguirem a terapia de que necessitam.

          1. Luís Lavoura,

            Em primeiro lugar, eu não disse que a depressão se cura da forma “tiro e queda”. Muito longe disso! Uma psicoterapia é coisa para durar, no mínimo, um ano, normalmente mais. E a cura não é garantida, depende muito da profundidade dos traumas e da relação paciente/terapeuta. O Luís é que supõe essa do “tiro e queda”, com a droga que curou a sua familiar.

            Não sou profissional de psiquiatria ou psicologia clínica, mas houve uma altura da minha vida que quis ser. Dois factores me fizeram desistir: o facto de ter de enveredar pela área de “Ciências”, no Liceu, a partir do 10º ano (como os candidatos a Medicina; preferi a área de Humanísticas; isto, no meu tempo, agora não sei como é) e o receio de não ter arcaboiço para tratar de pessoas com problemas e histórias de vida chocantes.
            Ao não enveredar por este caminho, mas como sempre me interessei pelo tema, já li vários livros sobre psicologia, psicoterapia, traumas, etc., assim como assisto, sempre que posso, a documentários televisivos alusivos ao tema e/ou a doenças psicológicas (incluindo documentários sobre psicólogos e psiquiatras que, nas prisões, tratam de psicopatas).

            A área da psicologia continua muito subjectiva, os métodos diferem muito de profissional para profissional. Baseada nas informações que já reuni, sou de opinião de que os medicamentos, sem qualquer outro tipo de acompanhamento, não curam nada. Servem apenas para estabilizar o paciente, quando este já não é capaz de viver a sua vida de forma “normal”. Também o caso de uma cunhada alemã, que já esteve internada em psiquiatria duas vezes e que tenho acompanhado, me confirma esta opinião. Quando é internada, é carregada de medicamentos, mas os médicos costumam dizer algo como: isto serve apenas para a pôr a funcionar, a gente aqui não cura nada, apenas tentamos devolver a pessoa à vida; a cura tenta-se depois, quando ela estiver em condições de ter alta e passar a ser acompanhada por um/a terapeuta.

            Na Alemanha, a situação também não é satisfatória e há muitas reclamações. A Segurança Social e os seguros de saúde pagam psicoterapias, se estas forem solicitadas por um médico (chega o médico de família), mas os pacientes ficam à espera de um lugar durante cerca de meio ano, o que pode ser fatal, em caso de tendências suicidas, por exemplo.

            Como noutro tipo de doenças, há psicopatias e distúrbios muito graves, que têm de ser constantemente medicados. Sobre isso, não me pronuncio, precisamente por não ser profissional. Mas não me parece que alguém que sofra de depressão esteja nesse grau de gravidade.

            Para terminar: li, há tempos, uma entrevista a Miguel Xavier, psiquiatra e director do Plano Nacional de Saúde Mental, na revista VISÃO Nº 1334, de 27/09 a 03/10/2018 (entrevista feita por Clara Soares). Este psiquiatra confirmou muitas destas minhas suposições, incluindo o facto de o sistema português ser muito deficiente. Cito uma passagem (já não tenho a revista, mas guardei algumas passagens; as palavras estão assinaladas como sendo do Dr. Miguel Xavier):

            «Temos um consumo de benzodiazepinas e de antidepressivos maior do que o de outros países. Perturbações, como a depressão e a ansiedade, são acompanhadas pelo médico de família, que não tem tempo e, em muitos casos, não tem formação em psicoterapia breve. Em alguns casos, encaminha os pacientes para serviços de psiquiatria ou prescreve um psicofármaco. Este modelo precisa de ser mudado com a implementação do “stepped care”, um modelo centrado no doente: ao entrar no centro de saúde, é avaliado e, em vez de levar uma receita ou seguir para o psiquiatra, vai para um psicólogo para uma intervenção breve. Se for preciso, fará uma intervenção mais específica e só então é que pode vir a ser medicado».

          2. Uma psicoterapia é coisa para durar, no mínimo, um ano, normalmente mais.

            Pois. De tal forma que o doente fica com a legítima dúvida se o psicoterapeuta o está de facto a tratar, ou se está somente a prolongar o tratamento com o fito de extrair mais dinheiro dele.

            A área da psicologia continua muito subjectiva, os métodos diferem muito de profissional para profissional.

            Pois. De tal forma que o doente fica com a legítima dúvida se o seu psicoterapeuta o está a tratar com um método adequado, ou somente com um método que ele inventou e de que gosta e pelo qual está obcecado, independentemente dos resultados obtidos.

            o facto de o sistema português ser muito deficiente

            Não se trata somente de um problema do “sistema”, mas sim de um problema muito mais simples: a falta de vontade das pessoas para gastarem dinheiro com a sua saúde. As pessoas exigem que a saúde seja de borla e não têm vontade de gastar o seu dinheiro com terapias caras e longas, mesmo que até saibam que elas lhes fazem bem – e, no caso dos psicoterapeutas, isso muitas vezes não é nada evidente. Em Portugal há (eu conheço) montes de psicoterapeutas e (não tanto) de fisioterapeutas desempregados. É extremamente difícil um psicoterapeuta arranjar emprego em Portugal. Trabalho não falta, o que falta é quem esteja disposto a pagá-lo.

          3. Luís, concordo, em parte, com a afirmação: «falta de vontade das pessoas para gastarem dinheiro com a sua saúde».
            Penso que esta falta de vontade tem origem na convicção de que os cidadãos têm direito a cuidados de saúde gratuitos, ou seja, ninguém deve deixar de ser tratado pelo facto de ser pobre. Mas quem vive sem grandes dificuldades deve pagar? Enfim, é verdade que não hesitamos em gastar dinheiro com coisas, muitas vezes, dispensáveis, e reclamamos quando temos de pagar pela nossa saúde.

          4. P.S. Já agora digo, mas esta é uma opinião muito pessoal, que os incendiários, em Portugal, são resultado dessa política de Saúde Mental muito deficiente. Essas pessoas têm distúrbios psicológicos. Se fossem tratadas convenientemente, arrisco a afirmar que o número de incêndios desceria bastante.

          5. Cristina pensa-se que a depressão é uma doença como a diabetes – ou uma patologia que não depende, na origem, da força de vontade ( excepto a depressão reactiva). Julga-se estar esta doença relacionada com alterações nos niveis séricos de dopamina e serotonina, ou no tipo de receptores celulares para aqueles neurotransmissores….regra geral existem alterações, anatómicas, no hipocampo ( memória…)

            Se lhe interessa fica a sugestão:

            https://youtu.be/NOAgplgTxfc

            A Depressão caracteriza-se pela incapacidade de apreciar o pôr do sol…aliás de apreciar seja o que for (anedonia).

            Obrigado, Cristina

          6. Pedro, sim, ainda há muito para descobrir no cérebro e na psique humana. A psicologia é uma ciência recente, está a dar os primeiros passos.

            Será que, nalguns casos, a depressão tem apenas origem orgânica? Nesse caso, os medicamentos chegariam para curar, sim. Aceito que haja pessoas que possam ter mais tendência para a depressão do que outras, mas duvido da origem exclusivamente orgânica. Isto não quer dizer que não ficaria contente se se pudesse provar isso, pois aumentaria as possibilidades de cura.

          7. A origem é “multifactorial”, como na maioria de todas as doenças.
            Pensa-se que a depressão tem predisposição genética (níveis baixos de serotonina, dopamina, ou/e receptores celulares neuronais pouco sensíveis a estes neurotransmissores), mas é fundamental haver um “trigger” ambiental que a despolete…e aqui é que a coisa se complexifica…a forma como lidamos com factores stressantes depende da nossa “personalidade”. E a nossa personalidade relaciona-se com o modo de como decorreu a nossa gestação – gestações stressantes estão associadas a alterações cerebrais/hormonais no feto, hormonas, estas, como o cortisol, que têm efeito no desenvolvimento cerebral (amígdala cerebral vs córtex pré-frontal; sistema límbico, dopaminérgico, córtex….) – e o nosso desenvolvimento psíquico (até aos 20 anos, mais coisa menos coisa)

            Uma preposição, julgo certa. A depressão não depende da nossa vontade, tal como a nossa “maneira de ser” não depende d´ Triumph des Willens

          8. A nossa personalidade relaciona-se com o modo como decorreu a gestação e a infância (como o Pedro diz, o desenvolvimento psíquico até aos 20 anos). Parece provável que uma infância super-protegida, por exemplo, pode tornar uma pessoa propensa à depressão. Nem sempre são os maus tratos o garante de doenças psicológicas. Pais bem intencionados, ao super-proteger, não dão competências aos filhos para enfrentarem a vida.

            Mas atenção: introduzir a criança no mundo real também não significa deixá-la sozinha a resolver problemas que até poderão não ser adequados à sua idade. Penso que os pais, se estiverem atentos, saberão ajuizar quando a criança se sente incapaz de lidar sozinha, ou não, com determinada situação. E, mesmo que tenham dúvidas, o facto de duvidarem já é bom. Ninguém é perfeito.

          9. Tenho outra opinião, Pedro. A nossa personalidade é formada nos primeiros anos de vida, pelo que os pais, ou os adultos à volta da criança, são as pessoas mais importantes. A maneira como reagimos às adversidades da vida, mais tarde, depende dessa “bagagem”, que tanto pode ser útil, como prejudicial.

            Claro que os genes também têm importância. E, muitas vezes, há golpes do destino que atiram qualquer um para o fundo do poço.

            Os amigos, ou a falta deles, mais importantes do que os pais? Não me parece. A não ser que os pais morram cedo e deixem a criança (ou o jovem) desamparada. Os tais golpes do destino…

            Mas enfim, como disse noutro comentário, ainda há muito por descobrir neste campo.

          10. Fica a sugestão. Mas nisto, como noutras coisas é uma questão de opinião…tudo de bom!!

            https://www.google.com/amp/s/time.com/4809325/friends-friendship-health-family/%3famp=true

            https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/pere.12187

            Friends become increasingly important to health and happiness as people age, according to new research in the journal Personal Relationships. They’re so crucial, in fact, that having supportive friendships in old age was found to be a stronger predictor of wellbeing than having strong family connections.

            The new paper explores the findings of two studies about relationships. In the first, involving more than 270,000 people in nearly 100 countries, author William Chopik found that both family and friend relationships were associated with better health and happiness overall. But at advanced ages, the link remained only for people who reported strong friendships.

            “I went into the research sort of agnostic to the role of friendship,” says Chopik, assistant professor of psychology at Michigan State University. “But the really surprising thing was that, in a lot of ways, relationships with friends had a similar effect as those with family—and in others, they surpassed them.”

          11. Obrigada, Pedro. Sem dúvida importantíssimo. A solidão, na velhice, é um grande problema, como sabemos, e não duvido que possa acelerar a morte.

            Acredito também que ter bons amigos possa superar as relações familiares que, a partir de certa altura, até se podem tornar desagradáveis (pensemos em discussões por causa de heranças, invejas, traições…; pensemos em sobrinhos ou netos, ou até em filhos, que deixam de se interessar pelos pais ou parentes mais velhos).

          12. A minha “opinião muito pessoal” é diferente da sua: a maior parte dos incêndios em Portugal são causados pelo duplo vício de (1) fumar e (2) atirar as beatas para o chão. As pessoas vão de carro pelo meio da mata, acabam o seu cigarro, atiram a beata pela janela; com o vento a beata, que não estava totalmente apagada (embora parecesse), reacende-se, cai na erva seca, e fica um incêndio ateado. O incendiário já vai no seu carro a um quilómetro dali e fica sem saber que o é.

          13. Na época de incêndios, farto-me de ler sobre incendiários que são presos. A questão é: a maior parte dos incêndios tem origem em fogo posto, com intenção criminosa, ou na displicência?

            De resto, investir na saúde e na educação é o melhor que se pode fazer, mas não traz resultados imediatos e os políticos são impacientes.

    2. De nada, Teresa.
      Realmente, esse é um erro em que facilmente incorremos, com a melhor das intenções. Mas li, não só nesta entrevista, também em livros da especialidade, que a pessoa não se sente levada a sério, diminuindo a sua auto-estima, imprescindível para ultrapassar depressões e outros distúrbios psicológicos. Uma pessoa afectada psicologicamente sente-se muito diminuída, no seu valor.
      Ouvir é o mais importante. E, mesmo que não nos ocorra nada para dizer, parece que o melhor é mesmo ouvir, sem censurar, ou diminuir as preocupações da pessoa em questão.

  5. Boa tarde,

    Sinceramente, e pela experiência que tenho, que se quer suicidar, sim pode apresentar “sintomas” … mas podem ser tão parecidos com uma depressão amorosa,divórcio, laboral, que é natural que as pessoas que convivem com esta pessoa não sintam/apercebam a gravidade do caso, pouco vão poder fazer… porque simplesmente essa pessoa “executa-se” de qualquer maneira! Quem “avisa” ,fala, sim está à procura de ajuda… e sim tal como é dito no texto… como ajudar? Criar empatia funcionou em dois casos (pelo menos acredito que sim, as pessoas estão bem, tanto quanto é possível)…não como é descrito… mas também… não sendo psicólogo (e mesmo que fosse) nunca diria «Sentes-te tão desesperado, que achas que deves desistir? Encaras a possibilidade de pôr um fim a tudo? Como te posso ajudar?» … As respostas seriam directamente: “SIM,SIM,SIM,SIM e NÃO PODES” … como deveria ser? não sei…só na altura e tivermos “sorte”… porque depois NUNCA PODES desistir da pessoa… Só um desabafo.

    1. Não há dúvida de que, com problemas deste tipo, só se podem dar sugestões. Cada caso é um caso. Achei interessante transcrever as palavras de uma pessoa que tenta ajudar de forma mais ou menos profissional, apenas para dar ideias. Esta senhora, de resto, admitiu que só pode tentar ajudar, sem garantia de sucesso. E ela só pode testemunhar como decorreram as conversas que já teve, ignora o que se passou depois de ter desligado o telefone, apesar de, nalguns casos, ficar com a sensação de ter ajudado.

  6. A abordagem está errada, devemos incentivar e não desmotivar, se um individuo se quer suicidar não devemos desmotivar o artista de o fazer. O planeta está sobrelotado e se alguns quiserem partir antes do tempo e por iniciativa própria devemos rejubilar e incentivar o individuo.

  7. Boa noite
    Adoro este tema. Pois há muitos anos que tenho períodos recorrentes de ideação suicida.
    E é assustador.
    Com o tempo, EU consegui perceber que havia um padrão: estava muito associado ao meu ciclo hormonal.
    Isso ajudou?
    Nem por isso.
    O sofrimento psicológico existia/e na mesma.
    E é bem real. A “evidência” de que solução para a minha vida é desaparecer, apresenta-se-me como incontornável.
    […agora vou saltar a descrição dos ANOS em que fui seguida pelo mesmo psiquiatra e pelo mesmo psicólogo, em simultâneo anos a fio, com…os mesmos resultados.
    E depois de 10 anos, resolvi fazer um “rally-psiquiatras” para entre 5 técnicos, perceber o que é que eu tinha afinal e qual o bendito do tratamento … Vamos saltar isso tudo… e vamos focar no tema do suicídio…]
    Como quero, preciso e devo ser o mais autónoma possível, fui à procura de ajuda técnica específica para lidar com esses meus momentos incapacitantes.
    Tive maus encontros, com maus técnicos cheios de graduações e de reconhecimentos públicos. Preparem-se porque isso acontece e muito!
    Mas, como os “malucos” somos nós…temos que “comer e calar”, “andar para a frente” e continuar.
    Encontrei numa associação de apoio à saúde mental aqui em Lisboa, a ajuda que eu queria: e fiz um curso de 4 sessões sobre prevenção do suicídio.
    Fiquei a saber aquilo que eu já sabia sem o saber:
    uma pessoa não se quer matar.
    Uma pessoa só quer PARAR a DOR!

    1. Muito obrigada por partilhar aqui a sua experiência.

      Encontrar a terapia ou o/a terapeuta certo é infelizmente um problema frequente. E, como nas outras profissões, há de facto psicólogos e psiquiatras menos honestos, que não se empenham na resolução dos problemas dos seus pacientes/clientes. Nalguns casos, uma pessoa até se pergunta o que os levou a escolher tal profissão…
      A isto se acrescenta que há vários métodos e o que funciona com uma pessoa, pode não funcionar com outra.

      Mesmo que o seu caminho tenha sido longo, fico contente por ter encontrado quem a pudesse ajudar.

      «Uma pessoa não se quer matar. Uma pessoa só quer parar a dor» – faz-me lembrar algo que li de António Lobo Antunes, numa das suas crónicas na revista VISÃO. Já não sei que palavras usou, mas era isso mesmo que ele dizia.

      1. Sim, Pedro.
        Mulher. Síndrome Pre-Menstrual.
        Sou super regular, 28 em 28 dias.
        Por isso, de fácil monitorização. E posso afirmar que tive alturas pre-menstruais em que “devia” ter ficado neurótica e não fiquei.
        Do mesmo modo tive crises depressivas em alturas “potencialmente boas” do ciclo.
        No meu caso há uma componente GENÉTICA forte (com várias tentativas de suicidio da progenitora).
        E outra componente forte: cresci a MODELAR o COMPORTAMENTO dos meus pais num período de divórcio LITIGIOSO prolongado (com expressão de ódio mútuo; maus-tratos e pressão psicológica exercidos pela progenitora, que era o elemento mais frágil e desapoiado, que tinha as filhas a cargo e que “descompensava” para cima de nós filhas de 4 e 5 anos).
        As pessoas “normais” em fase de divórcio não andam lá muito “pedagógicas”.
        Que fará os “extra-normais”!!!
        Por isso, o comportamento-modelo que tive foi o passivo-agressivo, depressivo, de uma mãe a passar pelo luto de um divórcio, e de mortes (acidentais) próximas (primeiro filho cordão à volta do pescoço, e passado 3 anos e duas gravidezes, a morte da própria mãe [minha avó]).
        Ou seja, “triggers” em “barda”!!!
        Minha personalidade de base: Depressiva. Ansiosa. Tendência a obsessiva.
        Estou com 42 anos.
        Nunca fiz nenhuma tentativa de suicidio.
        Porque achava que seria a morte da minha mãe.
        Compreendia-se!
        Por isso, da vez em que estive em maior sofrimento psicológico (decorrente de stress laboral prolongado) e já “in extremis” fui medicada, a medicação ainda potenciou mais a ideação suicida.
        O meu marido andou comigo a caminhar às voltas num parque às 6 da manhã, porque eu estava carregada de energia, com o corpo todo tenso. E precisava de descarregar. Era verão. Fazia calor.
        Enquanto caminhávamos, lado a lado, a minha cabeça não parava de pensar que a solução seria morrer com a minha mãe:
        pô-la no carro comigo, e atirar o carro de uma ribanceira abaixo.
        Nunca tal me tinha passado pela cabeça.
        Enfim, disparates!
        Isso terá sido em 2008.
        Desde então, muita coisa mudou.
        Mas muito à custa de eu ter pegado nas rédeas da minha “doença” e de ter procurado MULHERES PSIs.
        E de ter encontrado um médico idiota que me disse uma verdade, que o meu psiquiatra oficial nunca me disse em 10 anos: que eu era uma ANSIOSA!!!
        Também só muito tarde aprendi a fazer RESPIRAÇÃO ABDOMINAL (aprendam!!! é fundamental!!! Até o pessoal dos Marines, e outros militares o fazem!!!)
        Estou a alongar-me muito, mas queria dizer que em 2006, os casos clínicos no livro “Adeus Depressao” do psiquiatra Enrique Rojas, deu-me muitas pistas.
        ACEITAR que sou e vou ser uma deprimida/depressiva a vida toda, também foi muito doloroso. Mesmo!
        Ninguém gosta de se aceitar assim!
        Preferia aceitar-me “Loira, alta, magra, eternamente simpática e jovem”. Mas a ACEITAÇÃO desta situação foi fundamental.
        E, estou convencida, de que se a minha mãe, tivesse sido alertada para o possível impacto das hormonas no seu equilíbrio psíquico talvez não chegado a fazer tantas tentativas de suicidio.
        Mas se hoje ainda se sabe pouco, há 40 anos sabia-se muito menos.
        O que é evidente é que em muitos casos somos vítimas de outras vítimas, filhos da ignorância.
        E, ainda assim, vão aparecendo uns “anjos” que nos atendem o telefone.
        E esses anjos fazem a diferença.
        Eu já gravei o número do SOS voz amiga no telemóvel. Faz parte do meu pacote de medidas de prevenção.
        Não creio que lhes vá telefonar. Mas às vezes, basta saber que se precisasse ainda havia essa possibilidade.

          1. Eu percebo e vejo isso em (quase) todos os homens.
            Não digo que seja o seu caso, ok?
            Mas deixe-me dar exemplos do que já ouvi:
            “Porque Homem não chora.
            Homem não deprime.
            Homem não se passa.”
            “Isso é coisa de gente fraca.”
            “Isso é coisa de gaja.”
            “Ainda pensam que sou homossexual.”
            “Isso é coisa de gente que se gosta de fazer de vitima.”
            Não tenho feitio para ficar na cama.”
            “Isso é coisa de gente maluca.”
            E também há muitas Mulheres assim.
            E depois, anos mais tarde, vim a perceber era tudo fantochada: havia álcool para aplacar a dor, ou amantes, ou vicio no jogo , ou droga, ou desporto intenso, ou fé e religião.
            Mas DEPRESSAO L!?!….Isso, é que não!

            Pois…Eu também não queria…

            Olhe, sabe o que lhe digo: faz muito bem!
            Só deprime quem pode, não é quem quer!
            Fico feliz por si.

          2. Não é o meu caso. E se fosse não tinha problema em confessá-lo ( aqui ninguém nos vê:))

            Mas depressão é cena que, para já, não me assiste (racionalizei a “questão”; separei-me, dela, quando decidi deixar de interrogar a vida, nas suas motivações; tornei-me estóico:). Contudo digo-lhe, em abono da verdade, que a depressão me assusta tanto como a felicidade :))…..sempre me achei mais acordado na melancolia.

            Forseti, Black Jena

            “I am not what you see or must be
            This mask is you
            Masked eternally”

            https://youtu.be/pDOPgBviHyc

          3. É engraçado 😁!!
            O nosso progenitor do nosso género, que é o nosso…(anti-)modelo”!

            Sempre me portei bem (demais).
            Pontual, responsável e sentido do dever.
            Eu cresci a dizer que NÃO queria ser como a minha mãe.
            Não queria ser desequilibrada como ela.
            Tinha pavor de ser como ela!
            E chegada à idade pre-adulta…pumba! Toma lá uma depressão que é para aprenderes!
            Ups 😬
            Isto também é outro clichê!

            E sabe a melhor?
            Eu às vezes apanho-me a pensar:
            « okay, tenho depressoes…Mas pelo menos são depressões UNIpolares… »
            Como se…
            « ufa 😅, Pelo menos não sou BIPOLAR…! »
            É ridículo, não é?
            Os nossos preconceitos não têm fim!
            Ainda por cima…
            Já se sabe que uma pessoa pode sempre… »subir » na vida!

          4. Sim. Uma vez , falando com uma psiquiatra sobre a fatalidade da genética, foi-me dito que nos podíamos “safar” tendo como modelo, o anti-modelo.

            Mas ainda hoje o meu habitat natural é a solidão e o bosque e a música soturna, brutal, polvilhado num ódio mortal ao “meu semelhante”….a ser alguma coisa, sou um misantropo, com laivos de licantropo. E talvez louco, com um jeito, inato, teatral, até, para a interpretação de um quase ” normal”.

            Os 🙂 pode pô-los onde quiser, se quiser 🙂

          5. Licantropo…ora ai está um conceito que eu desconhecia.

            Conheci uma, em toda a minha vida.

            É tão bom encontrarmos as palavras que nos traduzem, não é?
            Eu ainda ando à procura das minhas.

            Eu creio que também sou um pouco misantropa. Mas num estilo diferente.

            Vejo o Pedro como lobo da estepe 🐺

            Eu sou mais do género urso pardo 🐻
            Não sei explicar melhor.

            O Pedro é demasiado inteligente para poder parecer normal. Creio já ter conhecido outros lobos assim.
            É coisa de lobos.

            Votos de tudo a correr bem.
            Havemos de nos encontrar outra vez.

          6. Licantropo…ora ai está um conceito que eu desconhecia.

            Conheci uma, em toda a minha vida.

            É tão bom encontrarmos as palavras que nos traduzem, não é?
            Eu ainda ando à procura das minhas.

            Eu creio que também sou um pouco misantropa. Mas num estilo diferente.

            Vejo o Pedro como lobo da estepe 🐺

            Eu sou mais do género urso pardo 🐻
            Não sei explicar melhor.

            O Pedro é demasiado inteligente para poder parecer normal. Creio já ter conhecido outros lobos assim.
            É coisa de lobos.

            Votos de tudo a correr bem.
            Havemos de nos encontrar outra vez.

        1. ..obsessiva e ansiosa…pergunto-me se será também perfeccionista …

          Atenção ao stress laboral!!!!!!

          Sim, o yoga é espetacular….como a meditação mindfulness.

          Fica a sugestão desta biblia

          https://www.wook.pt/livro/o-demonio-da-depressao-andrew-solomon/17044094

          O Demónio da Depressão, de Andrew Solomon

          O grande tratado sobre a depressão, numa leitura envolvente e acessível a todos os leitores. Um relato pessoal da batalha de um homem contra a depressão crónica. Partindo da sua própria batalha contra a depressão, Andrew Salomon constrói um monumental retrato da doença que assola os nossos tempos. As medicações, os tratamentos alternativos, o impacto deste distúrbio nas várias populações, as implicações históricas, sociais, biológicas, químicas e médicas da depressão: um dos maiores tratados já escritos sobre o tema.

          Um livro obrigatório para todos aqueles que sofrem ou conhecem alguém que sofre de depressão.

          1. Aproveito para agradecer a bibliografia e os links que disponibilizou.
            Interessou-me muito aquele artigo da Time, sobre a importância (para o bem estar pessoal) das relações de amizade fora da família.
            É o que tenho visto acontecer.
            Já passei a informação a outros.

            Yoga 🧘‍♀️ sim (haja vontade) mas resulta muito bem comigo. (É a única coisa que me obriga a desacelerar o pensamento ).

            E o mindfulness do Prof Mark Williams é outro recurso valioso, cujos tesouros vou encontrando a pouco e pouco.

            Tem me ensinado muita coisa, que eu andava à procura há anos.
            Recomendo muito!!!
            Como ponto de partida…
            Quem sabe onde se pode chegar?

  8. claro que li o post. Mas onde está o graozinho de novidade ? Intençao, terá certamente .

    Que quem é solicitado, quem atende o telefone .deve ter a competencia para desmotivar o suicidio, nenhuma duvida.

  9. Boas. Artigo muito bom. Real.
    Conheço pelo menos um caso, onde existe vontade em partir.
    Cordiais cumprimentos. Ivo Pestana, Funchal.

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