(foto retirada daqui)
A Agustina é a escritora a quem mais recorro e será provavelmente a que me acompanha em constância há mais tempo, como uma superstição. Morreu, e não consigo confundir esta morte com uma notícia, um facto, um quotidiano. Morreu a Agustina.

Oportuníssima invocação, Adolfo. Inclino-me perante a morte desta grande escritora que foi também uma grande Senhora.
Ainda há dias terminei a leitura de um livro dela de que darei nota aqui.
Perdoem o lugar (mais que) comum : alguém muito maior do que o país onde nasceu e viveu.
R.I.P
jsp
Conheci-a primeiro pela sua biografia, a qual achei tão engraçada a ponto de me interessar por a conhecer como autora. Concordo. Que grande perda.
“Só se pode sentir a evidência das coisas até um certo ponto: além disso, ou nos rebaixamos ou nos aproximamos do sentimento superior que nos liberta. De facto, o verdadeiro estado de liberdade é o de ultrapassar a imaginação.”
E se Agustina ultrapassou todas as barreiras do nosso imaginário !
Agustina é genial, continuará sendo. Fica a obra, atestando a essa genialidade, falando por si.
Lê-la é um gosto e um privilégio. Só não digo que é “uma experiência transformadora” por motivos óbvios, de desgaste do conceito … mas que é … é!
Ninguém é eterno, materialmente falando, ou, pelo menos, até ver. Mas há mortes que nos derrubam mais que outras, e não falo de quem nos é próximo, de quem nos é querido. Falo de gente que nunca vimos ao vivo, com quem nunca falámos, em quem nunca pensamos, e nem isso nunca nos fez falta alguma. Mas, quando morrem, deixam o nosso mundo mais sem graça, apequenado, fragilizado, como quando caem os melhores guerreiros nas batalhas.
Até sempre, Agustina.
“melhores guerreiros nas batalhas.” E guerreiras? Ou, talvez melhor, guerreir@s.
A Agustina sabia da natureza dos lírios e dos homens. Tratava-os com igual desassombro. Conhecia as contradições e expressava-as como ninguém. E
sobretudo, sabia que não há inteligência sem bondade. Não era uma escritora fácil; os seus livros não tinham lugar nas prateleiras dos iluminados do nosso tempo. Iluminados no sentido que lhes dá Nogueira Pinto e todos quantos aprenderam a desmontar com leituras, estudo, juízo crítico e abertura de espírito as verdades dos sempre certos dos novos tempos. É pena. Talvez se os iluminados lessem mais, e vá, folheassem um livro da Agustina em vez de uma intelectualíssima peça doutrinária, talvez percebessem a causa das coisas.
Neste tempo em que questionamos tudo e todos é bom lembrar que há gente assim, sublime e inspiradora. E que a podemos sentir e tentar perceber, lendo.
(Li os primeiros livros da Agustina na adolescência e lembro que me diziam: mas ela é tão contraditória. À época só sabia responder, é, mas gosto dela, mostra como são as pessoas, assim mesmo, contraditórias.)
Isabel